Alcolumbre sinaliza colocar fim da 6×1 em votação na próxima semana

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), confirmou nesta terça-feira (06/10) que a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 será conduzida seguindo integralmente os trâmites constitucionais, com previsão de votação no plenário já na próxima semana. A decisão marca o início da fase decisiva de um dos temas mais debatidos dos últimos anos, que envolve rotina e qualidade de vida de milhões de trabalhadores em todo o país.
Conforme explicou Alcolumbre, os trabalhos tiveram início com a primeira de cinco sessões destinadas à discussão da matéria. Após essa etapa, a proposta será submetida a dois turnos de votação, cumprindo todos os requisitos regimentais. O presidente da Casa justificou o adiamento da análise para o período pós-primeiro turno eleitoral, afirmando ter buscado preservar o processo de influências externas. “Decidi não colocar a PEC em votação antes para não misturar essa pauta com a campanha eleitoral”, declarou. Agora, conforme avança a tramitação, cada parlamentar terá liberdade plena para decidir seu voto.
“Neste momento adequado, cada senador e cada senadora desta legislatura terá o livre arbítrio de votar com o seu coração, com a sua consciência e com a sua convicção”, frisou Alcolumbre ao falar com jornalistas. O presidente do Senado apresentou a matéria como uma escolha que envolve qualidade de vida: “Trata-se de avaliar se é razoável reduzir a jornada de quase 40 milhões de brasileiros que vivem sob a escala 6×1 há décadas, ou se esses trabalhadores merecem ter um dia a mais de descanso para viver, estar com a família e recarregar energias”, ponderou.
A movimentação ganhou corpo na última sexta-feira, quando Alcolumbre deu andamento formal à proposta — decisão tomada dois dias antes do primeiro turno, em meio a resistências de parlamentares ligados à oposição. O tema é considerado prioridade pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vê a medida como avanço social e também como fator favorável na disputa eleitoral. Nesta terça-feira, Alcolumbre se reuniu com o ministro da Articulação Política, José Guimarães, e com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para alinhar os próximos passos da pauta.
Do lado da oposição, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se posicionou contrário à formulação apresentada. Ele classificou a iniciativa como pauta voltada à disputa eleitoral e defendeu uma proposta alternativa elaborada por sua bancada, centrada no modelo de remuneração por hora efetivamente trabalhada. “O fim da escala 6×1, do jeito que está sendo proposto, é medida com tom eleitoreiro”, declarou o presidenciável, ao apresentar o que considera caminho mais equilibrado entre direitos trabalhistas e sustentabilidade para empresas.
A divergência reflete visões distintas sobre impacto e viabilidade da mudança. Defensores da medida apontam ganho direto para a saúde e a convivência familiar de milhões de cidadãos, além de potencial de geração de novos postos de trabalho. Já os que apresentam ressalvas alertam para efeitos sobre custos operacionais e capacidade de contratação em setores que funcionam de forma contínua, como comércio, serviços e saúde. O debate no Senado deve aprofundar esses pontos, dando espaço para que cada argumento seja ouvido e avaliado.
A sociedade acompanha com atenção os desdobramentos, pois a definição sobre a jornada de trabalho afeta diretamente a rotina e o futuro de grande parte da população. O processo legislativo segue seu curso, com transparência e respeito às regras estabelecidas. A decisão caberá aos representantes eleitos, que deverão ponderar os interesses de trabalhadores, de empresas e de todo o país. Independentemente do resultado, o que se espera é que a escolha seja feita com clareza, responsabilidade e foco no bem comum.





