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Aliados de Flávio Bolsonaro acreditam que ele precisa se empenhar mais nesta reta final do segundo turno

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) está discutindo mudanças na estratégia eleitoral para a reta final do segundo turno da eleição presidencial de 2026, diante de pesquisas recentes que apontaram crescimento de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dentro da margem de erro. A reorganização busca ampliar a comunicação com os eleitores, colocar mais aliados em evidência e apresentar com maior clareza as propostas que seriam adotadas caso Flávio vença a disputa. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 16 de outubro, pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, em reportagem sobre os bastidores da campanha.

Segundo a apuração, integrantes do entorno do senador avaliam que a campanha precisa contar com mais porta-vozes para defender suas propostas e responder às críticas dos adversários. A ideia é envolver especialistas responsáveis pela elaboração do programa de governo, governadores eleitos e lideranças políticas que declararam apoio à candidatura, entre eles Ronaldo Caiado (PSD). A avaliação interna é que a comunicação ficou excessivamente cautelosa durante parte do segundo turno, permitindo que Lula ocupasse mais espaço no debate público.

Aliados de Flávio também avaliam que a campanha precisa reduzir o silêncio sobre as medidas previstas para um eventual governo e explicar melhor suas prioridades ao eleitorado. Um interlocutor próximo ao senador relatou à CNN Brasil que a equipe passou por um período de pouca exposição pública, enquanto o PT intensificava as críticas ao adversário. Nesse cenário, a reorganização procura aumentar a presença de representantes da candidatura na imprensa, nas redes sociais e nos eventos políticos até o dia da votação, marcado para 25 de outubro.

Campanha de Flávio quer ampliar presença de aliados e porta-vozes

Uma das mudanças discutidas pela equipe é dar maior visibilidade aos responsáveis pelas propostas econômicas e às lideranças que apoiam Flávio Bolsonaro. A reportagem da CNN Brasil citou Daniella Marques, coordenadora do programa econômico do senador, como exemplo de uma integrante da campanha que estava havia mais de dez dias sem conceder entrevistas. Para os aliados, a participação mais frequente desses nomes poderia ajudar a esclarecer as propostas e apresentar respostas às críticas feitas durante o segundo turno.

Outro caso mencionado na apuração envolve Augusto Cury, apontado como um dos apoios relevantes conquistados pela candidatura após o primeiro turno. O escritor estava em Portugal, e, segundo a reportagem, não havia previsão de uma agenda conjunta com Flávio nem de uma manifestação pública mais incisiva de apoio naquele momento. A campanha pretende aproveitar melhor a participação de aliados conhecidos para reforçar a divulgação da candidatura e ampliar o alcance das mensagens eleitorais.

A necessidade de reorganização também apareceu na avaliação sobre a atuação de representantes ligados à pauta da segurança pública. Durante um debate realizado na quinta-feira, 15 de outubro, possíveis porta-vozes da campanha, como Guilherme Derrite, senador eleito pelo PL de São Paulo, concentraram parte de suas manifestações nas redes sociais em discussões sobre o ministro Alexandre de Moraes. Já Sergio Moro, governador eleito do Paraná e aliado ligado ao tema, não participou daquela agenda, segundo o relato publicado pela CNN Brasil.

Atos de rua e mobilização nas redes entram na estratégia

Além de ampliar a presença de aliados na imprensa, a campanha de Flávio Bolsonaro pretende reforçar a mobilização nas ruas e nas plataformas digitais. O planejamento prevê a utilização de imagens e trechos dos atos políticos para alimentar as redes sociais e contrapor a comunicação da campanha petista. A estratégia ganha importância na última semana antes da votação, quando os dois candidatos buscam ampliar a exposição pública e convencer eleitores ainda indecisos.

A agenda informada pela CNN Brasil previa a presença de Flávio no Rio de Janeiro no sábado, 17 de outubro, e em São Paulo no domingo, 18 de outubro, para participar de manifestações. A equipe pretende utilizar a repercussão desses eventos para produzir conteúdo digital e demonstrar apoio à candidatura em diferentes regiões. A mobilização de apoiadores também é vista pelos aliados como uma forma de responder à intensificação das atividades da campanha de Lula durante o segundo turno.

Ao comentar a oscilação positiva de Lula nas pesquisas, aliados de Flávio afirmaram à CNN Brasil que o movimento era esperado depois da reorganização do PT no início da segunda etapa eleitoral. Na avaliação desses interlocutores, a campanha petista passou a atuar de maneira mais intensa após o primeiro turno, enquanto os levantamentos internos da candidatura de Flávio indicariam um cenário mais favorável do que algumas pesquisas divulgadas publicamente. Essas avaliações, contudo, representam a percepção dos aliados do senador e não substituem os resultados dos levantamentos eleitorais publicados.

Pesquisas aumentam pressão sobre a reta final da eleição

As pesquisas divulgadas em 16 de outubro mostraram uma disputa apertada entre Flávio Bolsonaro e Lula na simulação de segundo turno. O levantamento Futura/100% Cidades registrou 50,8% para Flávio e 49,2% para Lula nos votos válidos, enquanto a pesquisa CNT/MDA apontou 50,5% para o senador e 49,5% para o presidente. Os dois estudos indicaram diferenças dentro das respectivas margens de erro, reforçando a proximidade numérica entre os candidatos nos cenários divulgados.

A campanha de Flávio busca responder a esse quadro com maior presença pública, divulgação das propostas e mobilização de apoiadores na reta final. A estratégia discutida pelos aliados pretende evitar que o crescimento registrado por Lula em alguns levantamentos se transforme em uma mudança mais ampla no cenário eleitoral. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a disputa entra em uma etapa decisiva, na qual a comunicação das campanhas e a participação dos eleitores serão acompanhadas por novas pesquisas e atividades políticas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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