Aliados de Trump assistirão a um discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA, ao lado do ator Jim Caviezel

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participará nesta quinta-feira (5) de um evento da direita conservadora americana, realizado na propriedade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida. O parlamentar está previsto para discursar durante um jantar promovido pela Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), ao lado do ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme Dark Horse. A participação chama a atenção não apenas pela aproximação com lideranças internacionais do movimento trumpista, mas também porque a produção cinematográfica passou a ser mencionada em investigações da Polícia Federal sobre negociações financeiras envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O encontro está programado para acontecer no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, uma das propriedades mais conhecidas de Donald Trump, localizada no estado da Flórida. Segundo a programação divulgada pelos organizadores, o jantar será realizado entre 18h e 22h no horário local, correspondente às 20h e à meia-noite em Brasília, embora o horário específico dos discursos ainda não tenha sido informado. Além de Flávio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também aparece entre os participantes anunciados, reforçando a presença da família Bolsonaro em um encontro que reúne representantes do conservadorismo americano e internacional.
A participação acontece pouco mais de uma semana depois de Flávio deixar o Brasil, em 27 de outubro, após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador viajou acompanhado da família e permanece nos Estados Unidos, onde procura ampliar seus contatos com representantes da direita americana e integrantes do grupo político de Trump. Desde a chegada à Flórida, sua movimentação internacional tem provocado repercussão política, principalmente porque ele não reconheceu o resultado eleitoral e descumpriu uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada à entrega de seus passaportes.
Flávio Bolsonaro nos EUA busca aproximação com aliados de Trump
A presença de Flávio Bolsonaro no jantar da CPAC representa mais um movimento de aproximação com o grupo conservador que apoia Donald Trump. A articulação tem contado com a participação de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos há mais de um ano e mantém relações com integrantes do movimento trumpista, além de atuar na construção de contatos políticos para a família. Dessa maneira, o evento oferece ao senador uma oportunidade de apresentar sua posição a lideranças estrangeiras e fortalecer sua interlocução com setores da direita internacional, mesmo depois da derrota nas eleições brasileiras.
Apesar de o encontro acontecer em uma propriedade pertencente a Donald Trump, não existe confirmação de que o presidente americano participará da cerimônia ou terá contato pessoal com o senador brasileiro. Recentemente, Trump afirmou que não tinha planos de receber Flávio, embora tenha declarado que ele poderia permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejasse. Essa distinção é importante porque a realização de um evento em Mar-a-Lago não significa necessariamente que o presidente americano estará presente ou que tenha organizado pessoalmente a participação do parlamentar brasileiro.
A CPAC é uma das principais organizações de articulação política do conservadorismo nos Estados Unidos e promove encontros com políticos, empresários, ativistas e representantes de movimentos ideológicos de diferentes países. A edição que acontece entre os dias 4 e 7 de novembro reúne convidados ligados à direita internacional, criando oportunidades para discursos, debates e articulações políticas. Nesse contexto, a presença de Flávio e Eduardo Bolsonaro também demonstra a intenção da família de manter influência no debate conservador internacional, especialmente depois da mudança de governo no Brasil.
Filme Dark Horse coloca Flávio Bolsonaro no centro de investigação da PF
Um dos aspectos que mais chamam a atenção na participação de Flávio é a presença de Jim Caviezel, ator americano escolhido para interpretar Jair Bolsonaro na cinebiografia Dark Horse. Caviezel ficou mundialmente conhecido por protagonizar o filme A Paixão de Cristo, no qual interpretou Jesus, e agora foi escalado para representar o ex-presidente brasileiro em uma produção sobre sua trajetória política. Entretanto, o longa ganhou repercussão no Brasil também por causa de uma investigação envolvendo as negociações para financiar sua realização.
A Polícia Federal identificou mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro ligado ao Banco Master, nas quais foram discutidos recursos para financiar a produção cinematográfica. Em uma das conversas, o senador cobrou pagamentos relacionados ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh, responsável pelo projeto. As investigações procuram esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos valores negociados, enquanto Flávio confirmou que buscou financiamento para o filme, mas negou qualquer irregularidade.
As informações sobre o financiamento apontam para uma negociação de aproximadamente R$ 131 milhões, valor que colocou a produção sob atenção das autoridades responsáveis pela investigação. A apuração procura esclarecer se os recursos foram efetivamente destinados ao filme e se houve alguma irregularidade nas operações financeiras relacionadas ao projeto. Entre as suspeitas investigadas estão possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, mas a existência de uma investigação não representa, por si só, comprovação de responsabilidade criminal do senador.
Participação em Mar-a-Lago amplia repercussão política da família Bolsonaro
A participação de Flávio Bolsonaro no evento americano acontece em um momento de fragilidade política para o grupo familiar, que acaba de sofrer uma derrota na disputa presidencial brasileira. Depois de chegar aos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta na qual questionou, sem apresentar provas, a legitimidade do resultado eleitoral e afirmou que pretende liderar a oposição mesmo estando fora do país. A manifestação provocou desconforto entre integrantes do PL e aliados que defendem uma atuação institucional da oposição no Congresso Nacional.
Além disso, a decisão de permanecer nos Estados Unidos enquanto enfrenta questionamentos relacionados a determinações judiciais brasileiras acrescenta uma dimensão institucional à sua participação no encontro conservador. Ao dividir a programação com Jim Caviezel, Flávio também mantém em evidência o projeto cinematográfico que se tornou objeto de investigação financeira no Brasil. O discurso previsto para esta quinta-feira poderá indicar como o senador pretende apresentar sua situação política ao público americano e quais caminhos pretende seguir para preservar sua influência entre lideranças conservadoras internacionais.





