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Kátia Abreu voltou a criticar a atuação de Janja na campanha do presidente Lula

A ex-senadora Kátia Abreu (PT-TO) voltou a criticar a participação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, na campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornal O Globo, repercutida pelo UOL em 8 de outubro de 2026, a coordenadora da campanha petista no Tocantins defendeu mudanças na estratégia eleitoral e maior protagonismo do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Para Kátia, a exposição de Janja em palanques e atividades políticas precisa ser avaliada pelos resultados eleitorais, especialmente diante da necessidade de ampliar o apoio ao presidente na disputa pela reeleição.

A ex-senadora afirmou que sua crítica não está relacionada ao gênero nem a uma questão pessoal com a primeira-dama, mas ao que considera um excesso de participação nas atividades de campanha. Durante a entrevista, ela questionou se a presença de Janja estaria contribuindo para conquistar eleitores e argumentou que a estratégia deveria priorizar iniciativas capazes de ampliar a votação de Lula. Ao explicar sua posição, Kátia declarou: “Nesta hora, qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido? Para mim, é eleger o Lula”, afirmou.

A declaração ampliou uma discussão que já havia surgido em uma reunião interna do Partido dos Trabalhadores, na qual Kátia defendeu a fórmula “menos Janja, mais Alckmin” para a campanha. Segundo a ex-senadora, o vice-presidente deveria ter mais espaço nas atividades eleitorais por sua capacidade de dialogar com empresários, representantes do mercado financeiro e eleitores de São Paulo. A avaliação foi apresentada como uma proposta de estratégia política para o segundo turno, embora a influência efetiva da participação de cada integrante da campanha sobre o resultado eleitoral não possa ser estabelecida apenas com base nessas declarações.

Kátia Abreu defende mais espaço para Alckmin na campanha de Lula

Ao justificar sua posição, Kátia Abreu destacou a experiência política de Geraldo Alckmin e sua interlocução com diferentes setores econômicos. A ex-senadora afirmou que o vice-presidente poderia contribuir para ampliar o diálogo da campanha com empresários e eleitores que não necessariamente fazem parte da base tradicional do PT. Na avaliação dela, essa participação deveria ser aproveitada de maneira mais intensa durante a reta final da disputa presidencial.

Kátia também comentou a possibilidade de Alckmin assumir o Ministério da Fazenda em um eventual novo governo Lula, caso a hipótese venha a ser considerada pelo presidente. A ex-senadora avaliou positivamente a ideia e afirmou que a condução da economia exige capacidade de formular um projeto e organizar uma equipe técnica, além de conhecimentos específicos da área. Ela também ressaltou que eventuais medidas de ajuste fiscal precisariam ser discutidas em conjunto com as políticas sociais defendidas pelo governo.

A crítica à distribuição de espaço na campanha foi acompanhada por questionamentos sobre a organização interna e a comunicação do PT. Kátia defendeu a participação de mais lideranças e especialistas nas decisões estratégicas, argumentando que a campanha precisa avaliar o desempenho das ações realizadas no primeiro turno e identificar onde há necessidade de mudanças. A proposta, segundo suas declarações, envolve ampliar o debate interno e incorporar diferentes perspectivas à definição das atividades eleitorais.

Janja responde às críticas e afirma que continuará na campanha

As críticas de Kátia Abreu ocorreram depois de a primeira-dama ter reafirmado que pretende continuar participando das atividades eleitorais de Lula. Conforme informações publicadas pelo UOL, Janja enviou uma mensagem à ex-senadora após a repercussão das declarações e afirmou que sua presença na campanha ocorre com a autorização do próprio presidente. A assessoria da primeira-dama também defendeu sua participação, ressaltando que ela atua com o respaldo de Lula.

Kátia, por sua vez, afirmou que não pretendia transformar o episódio em uma discussão pessoal e declarou que não se arrependia de ter apresentado suas críticas. A ex-senadora disse que sua preocupação está relacionada à estratégia eleitoral e à necessidade de avaliar se a exposição pública dos integrantes da campanha contribui para conquistar votos. Dessa forma, ela procurou distinguir suas observações sobre a atuação política de Janja de um questionamento sobre o valor pessoal ou a importância da primeira-dama.

A divergência evidencia um debate interno sobre a forma como o PT organiza sua comunicação e distribui a participação de lideranças na campanha presidencial. Enquanto Kátia defende maior presença de Alckmin e uma revisão das estratégias eleitorais, Janja afirma que continuará participando das atividades com o apoio de Lula. As duas posições refletem uma discussão sobre o papel dos diferentes integrantes da campanha, sem que as declarações, isoladamente, comprovem qual estratégia produzirá maior impacto nas urnas.

Campanha de Lula enfrenta debate sobre comunicação e alianças

Além das críticas à participação de Janja, Kátia Abreu defendeu a aproximação com lideranças políticas e eleitores que ainda não estejam alinhados ao campo adversário. A ex-senadora afirmou que a campanha precisa ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado e analisar as diferenças de desempenho entre regiões e municípios. Para ela, o segundo turno exige atenção às estratégias de comunicação, ao horário eleitoral, às redes sociais e à participação do presidente em debates.

A coordenadora da campanha petista no Tocantins também questionou a concentração das decisões de comunicação e defendeu a criação de um grupo de discussão com diferentes profissionais e lideranças. Segundo ela, a avaliação das ações eleitorais deve envolver mais pessoas, especialmente diante da necessidade de revisar iniciativas que não tenham alcançado os resultados esperados. A proposta foi apresentada como uma forma de ampliar a participação interna e diversificar as análises sobre o desempenho da campanha.

Kátia Abreu se filiou ao PT em 2026, depois de passagens por outras legendas, e assumiu a coordenação da campanha de Lula no Tocantins. Ex-ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff e ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, ela passou a participar das discussões sobre os rumos da campanha nacional. Suas declarações sobre Janja e Alckmin acrescentaram um novo capítulo ao debate interno do partido sobre comunicação, alianças e estratégias para conquistar votos no segundo turno.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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