Ana Elisa, deputada eleita pelo PT-MG, fez duras críticas à fala de Flávio Bolsonaro sobre mudanças na Constituição

A fala de Flávio Bolsonaro sobre uma possível mudança na Constituição Federal provocou reação da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que classificou a declaração como o “início do golpe no Brasil”. A manifestação ocorreu depois de o candidato à Presidência afirmar, durante um evento em Goiânia, que pretendia aproveitar a maior presença da direita no Congresso para promover mudanças na Constituição. O episódio passou a ser explorado politicamente no segundo turno da eleição presidencial de 2026.
Flávio havia declarado, na terça-feira, 6 de outubro, que pretendia trabalhar para eleger os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado e, a partir disso, realizar mudanças no texto constitucional com o objetivo de “redemocratizar esse país”. A declaração provocou questionamentos sobre o que exatamente o candidato pretendia alterar na Constituição de 1988. No dia seguinte, porém, Flávio esclareceu que estava se referindo à aprovação de Propostas de Emenda à Constituição, conhecidas como PECs, e não à substituição integral da Carta.
Ana Elisa reagiu justamente à possibilidade de uma eventual substituição da Constituição promulgada em 1988, estabelecendo uma diferença entre alterar dispositivos por meio de PEC e trocar o texto constitucional. Em vídeo publicado nas redes sociais, a deputada eleita afirmou que a Constituição atual foi estabelecida depois de 21 anos de ditadura militar e associou sua preservação ao processo de redemocratização brasileiro. Para ela, a possibilidade de substituir a Carta representaria uma ruptura institucional e entregaria o país à extrema-direita.
Ana Elisa critica declaração de Flávio Bolsonaro
Ao comentar a declaração de Flávio, Ana Elisa afirmou que falar em mudança da Constituição poderia representar uma preparação para uma possível ditadura, segundo sua interpretação. A deputada eleita também afirmou que uma Constituição não poderia simplesmente ser retirada de vigor por decisão de um presidente da República. Em sua manifestação, ela chegou a dizer que qualquer pessoa que afirmasse que iria “trocar a Constituição Federal” estaria pensando em cometer um golpe.
Ana Elisa também destacou o processo histórico que levou à elaboração da Constituição de 1988. Segundo a deputada eleita, o documento foi construído durante a redemocratização e contou com a participação de diferentes parlamentares que integraram a Assembleia Nacional Constituinte. Ela citou, entre outros nomes, Lula e a deputada Benedita da Silva como figuras relacionadas àquele processo de construção institucional.
A parlamentar ainda afirmou que a discussão não deveria ser tratada apenas como uma mudança constitucional comum. Na avaliação apresentada por ela, existe uma diferença entre modificar determinados dispositivos por meio dos mecanismos previstos na própria Constituição e substituir integralmente o texto de 1988. A fala de Ana Elisa foi publicada justamente enquanto a declaração de Flávio provocava repercussão entre integrantes das campanhas e no debate eleitoral do segundo turno.
Flávio esclarece que fala era sobre PECs
Depois da repercussão da declaração feita em Goiânia, Flávio Bolsonaro afirmou que sua intenção era falar sobre alterações constitucionais por meio de PECs. Entre os exemplos mencionados pelo candidato estavam uma reforma do Judiciário, o fim da reeleição e a redução da maioridade penal. A explicação procurou delimitar a proposta apresentada anteriormente, indicando que a referência era à alteração de pontos da Constituição e não à substituição completa do documento.
As PECs são instrumentos previstos no próprio sistema constitucional brasileiro para modificar dispositivos da Carta. De acordo com as informações apresentadas pelo Estado de Minas, uma proposta desse tipo pode ser apresentada por pelo menos um terço dos deputados ou senadores, pelo presidente da República ou por mais da metade das Assembleias Legislativas dos estados. Para ser aprovada, uma PEC precisa ainda seguir um processo específico de votação no Congresso Nacional.
Ana Elisa, entretanto, chamou atenção para as chamadas cláusulas pétreas, que estabelecem limites às mudanças constitucionais. A deputada eleita afirmou que determinados direitos não podem ser abolidos por meio de uma alteração constitucional, citando os direitos humanos entre os temas protegidos. Ela também declarou que uma eventual composição do Congresso com maioria favorável a determinadas mudanças poderia facilitar a aprovação de propostas em assuntos que não estejam protegidos por essas cláusulas.
Debate constitucional entra na campanha eleitoral
A discussão sobre a Constituição passou a fazer parte da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno, em um momento de intensificação das estratégias de comunicação dos dois lados. A declaração do candidato do PL foi avaliada por sua própria equipe como imprecisa, segundo a CNN Brasil, e posteriormente foi esclarecida com a referência às PECs. A campanha adversária, por sua vez, passou a explorar o episódio em suas manifestações públicas e nas redes sociais.
Ana Elisa ganhou projeção nacional após ser eleita deputada federal por Minas Gerais e passou a participar também das discussões relacionadas à comunicação digital da campanha de Lula. O Estado de Minas informou que ela esteve em Brasília para discutir estratégias para as redes sociais e, no mesmo período, gravou um vídeo com o presidente. Nesse contexto, a reação à declaração de Flávio ocorreu paralelamente à atuação da parlamentar na campanha petista para o segundo turno.
A declaração de Flávio e a resposta de Ana Elisa, portanto, colocaram novamente a Constituição de 1988 no centro do debate eleitoral. Enquanto o candidato afirmou posteriormente que se referia à utilização das PECs para modificar pontos específicos da Carta, a deputada eleita interpretou a possibilidade de substituição do texto como um risco de ruptura institucional. A controvérsia permaneceu vinculada às diferentes interpretações sobre o alcance da declaração feita durante o evento em Goiânia.
Constituição vira tema do segundo turno
Ao final de sua manifestação, Ana Elisa relacionou o debate ao histórico de períodos autoritários vividos pelo Brasil e voltou a defender a preservação da Constituição de 1988. Ela afirmou que considera preocupante a possibilidade de uma pessoa chegar à Presidência defendendo uma mudança que, segundo sua interpretação, poderia resultar em um golpe. As declarações foram apresentadas em um vídeo publicado nas redes sociais e passaram a integrar a discussão política do segundo turno.
O episódio, portanto, ficou marcado por duas posições distintas sobre o significado da fala de Flávio Bolsonaro. O candidato esclareceu que tratava de mudanças constitucionais por meio de PECs, enquanto Ana Elisa sustentou que a possibilidade de trocar a Constituição deveria ser vista como uma ameaça ao processo democrático construído a partir de 1988. A discussão sobre os limites das mudanças constitucionais passou, assim, a ocupar espaço na campanha presidencial de 2026.





