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André Mendonça conversou com Edson Fachin sobre a decisão tomada por Flávio Dino

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, procurou o presidente da Corte, Edson Fachin, para contestar a decisão de Flávio Dino que reintegrou Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. Mendonça afirmou que a medida adotada pelo colega é ilegal e pediu que ela seja anulada, em mais um capítulo da crise que envolve integrantes do Supremo. A manifestação ocorreu depois de Dino derrubar a decisão de Mendonça que havia afastado Andrei e o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.

A decisão de Mendonça havia determinado o afastamento dos dois integrantes da Polícia Federal em meio a questionamentos sobre relatórios produzidos pela corporação e relacionados a investigações envolvendo o Banco Master e o INSS. O ministro sustentou que a medida era necessária para evitar possíveis constrangimentos ilegais e preservar o andamento das apurações sob sua responsabilidade. Dino, entretanto, considerou que o afastamento não poderia ser mantido e determinou o retorno imediato dos policiais aos cargos.

O novo confronto ampliou uma disputa que já vinha colocando diferentes ministros do STF em lados opostos. Mendonça passou a cobrar de Fachin uma resposta institucional para a decisão de Dino, enquanto o presidente da Corte enfrentava pressão para agir diante da escalada do conflito. A situação também ocorreu no mesmo dia em que Fachin cancelou uma sessão plenária do Supremo, em uma decisão considerada excepcional diante da crise interna.

André Mendonça questiona decisão de Dino e pede providências a Fachin

Na avaliação de Mendonça, Dino não poderia ter revertido sua decisão por meio de uma medida individual enquanto Fachin já analisava o recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União. O presidente do STF havia concedido 72 horas para que Mendonça se manifestasse sobre a contestação apresentada pela AGU contra o afastamento de Andrei Rodrigues. Antes do encerramento desse prazo, Dino decidiu pela reintegração dos dois policiais, alterando diretamente o cenário que estava sob análise de Fachin.

Mendonça também questiona a competência utilizada por Dino para interferir na decisão anterior e sustenta que a medida deveria ser submetida ao colegiado do Supremo. A decisão de Dino, por sua vez, foi tomada em processo relacionado à investigação sobre emendas parlamentares destinadas ao filme “Dark Horse”, que está sob sua relatoria. O ministro argumentou que havia risco de prejuízo às investigações caso o comando da Polícia Federal permanecesse afastado.

O conflito ganhou um componente adicional porque Dino também levantou questionamentos sobre a atuação de Mendonça em razão de informações presentes nos documentos utilizados para justificar o afastamento. Segundo Dino, o colega poderia estar diretamente envolvido em questões que estavam sendo analisadas nos procedimentos policiais. Mendonça rejeita a interpretação e considera que sua decisão foi tomada dentro de suas atribuições como relator dos casos sob sua responsabilidade.

Crise no STF aumenta pressão sobre Edson Fachin

A cobrança de Mendonça colocou Fachin novamente no centro da disputa entre os ministros do Supremo. O presidente da Corte já havia sido procurado pela AGU para analisar o afastamento de Andrei e optou por abrir prazo para que Mendonça apresentasse sua manifestação antes de tomar uma decisão. A atuação posterior de Dino reduziu o espaço para que Fachin conduzisse o caso dentro do cronograma inicialmente estabelecido.

A crise também provocou críticas internas à condução de Fachin, especialmente entre ministros que consideram necessária uma resposta mais rápida diante da sucessão de decisões individuais. Segundo relatos publicados pela imprensa, integrantes do STF demonstraram preocupação com a chamada guerra de liminares envolvendo Mendonça e Dino. Nesse cenário, Fachin passou a ser pressionado para estabelecer uma solução capaz de interromper o confronto e preservar o funcionamento regular do tribunal.

O cancelamento da sessão plenária prevista para 9 de setembro mostrou a dimensão alcançada pelo conflito dentro da Corte. Fachin decidiu suspender os trabalhos em meio à troca de acusações e à disputa envolvendo o comando da Polícia Federal, evitando que a tensão fosse transferida para uma sessão pública do tribunal. A medida foi considerada incomum e reforçou a percepção de que o Supremo atravessa uma das mais graves crises internas dos últimos anos.

André Mendonça e Flávio Dino travam novo embate no Supremo

A decisão de Dino ainda deverá ser submetida à análise do plenário do STF, o que mantém aberta a disputa sobre a validade do afastamento e da posterior reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. Até uma eventual decisão colegiada, a determinação de Dino permite que os dois servidores permaneçam novamente em suas funções na Polícia Federal. O episódio, contudo, deixou em evidência a dificuldade de coordenação entre decisões individuais dos ministros em meio à crise.

A manifestação de Mendonça a Fachin acrescentou mais uma frente ao conflito e colocou o presidente do Supremo diante da necessidade de avaliar uma decisão tomada por outro integrante da Corte enquanto ele próprio analisava o caso. A disputa envolve questões sobre competência, condução de investigações e os limites das decisões monocráticas dentro do tribunal. Com isso, o embate entre Mendonça e Dino passou a pressionar diretamente a Presidência do STF e poderá ter novos desdobramentos nos próximos dias.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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