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André Mendonça fez questão de responder as críticas feitas pelo colega Gilmar Mendes

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), respondeu às críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes após a divulgação de informações relacionadas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em manifestação divulgada nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, o gabinete de Mendonça contestou a forma como o episódio foi apresentado pelo decano da Corte. O caso ampliou a troca de críticas entre integrantes do Supremo em meio às discussões envolvendo a investigação do Banco Master.

Gilmar havia questionado publicamente a exposição de conversas envolvendo Gonet e afirmou que não identificava ilegalidade no conteúdo divulgado. Segundo o ministro, a divulgação teria provocado danos à imagem do procurador-geral e levantado dúvidas sobre a condução do processo. A manifestação também trouxe críticas à atuação de Mendonça, que é o relator do caso relacionado ao Banco Master.

Na resposta, o gabinete de Mendonça afirmou que a preocupação com a exposição de pessoas envolvidas em investigações não poderia ser aplicada de maneira seletiva. Também foi sustentado que o relator não determinou a retirada de sigilo de todos os procedimentos, mas apenas de um processo específico. Segundo a manifestação, a divulgação mais ampla teria sido solicitada por pessoas que posteriormente passaram a criticar a exposição.

Mendonça contesta críticas feitas por Gilmar Mendes

A resposta de Mendonça também abordou a acusação de que teria havido tolerância com vazamentos de informações. O gabinete informou que foi determinada uma apuração sobre a possível participação de um servidor da Polícia Federal em uma divulgação considerada irregular. Dessa forma, a manifestação procurou diferenciar a publicidade autorizada nos autos de eventuais vazamentos que possam ter ocorrido fora dos procedimentos oficiais.

Gilmar Mendes, por sua vez, havia comparado a exposição das conversas de Gonet a práticas de divulgação seletiva de informações observadas durante a Operação Lava Jato. O ministro afirmou que a publicação de elementos de investigações poderia produzir consequências sobre a imagem dos envolvidos e sobre o direito de defesa. Essas declarações foram feitas no contexto de sua defesa pública do procurador-geral da República.

A resposta de Mendonça ocorreu em um momento de crescente tensão entre ministros do STF. Nos últimos dias, sessões da Corte foram marcadas por divergências públicas entre integrantes do tribunal, inclusive durante discussões sobre Alexandre de Moraes e sobre procedimentos relacionados ao caso Banco Master. O episódio envolvendo Gilmar e Mendonça passou a integrar esse cenário de confrontos verbais entre ministros.

Caso envolvendo Gonet aumenta tensão dentro do STF

Outro ponto destacado pelo gabinete de Mendonça foi a defesa de regras específicas para a conduta dos ministros do Supremo. A manifestação voltou a defender a criação de um código de ética próprio para a Corte, com normas destinadas a estabelecer parâmetros para manifestações públicas e relações entre os integrantes do tribunal. Segundo a resposta, a medida poderia contribuir para preservar a imagem institucional do STF.

A discussão ganhou força depois que Gilmar classificou como inadequada a exposição das conversas envolvendo Gonet. O decano afirmou que o conteúdo divulgado não demonstraria irregularidade e prestou solidariedade ao procurador-geral. Em seguida, Mendonça rebateu a crítica e sustentou que a questão deveria ser analisada considerando também as regras aplicáveis aos próprios ministros.

A divergência entre os dois ministros também ocorre depois de outros embates registrados no plenário do STF. Durante uma sessão realizada em 15 de setembro, Mendonça e outros integrantes da Corte trocaram acusações e críticas relacionadas à condução de processos e à atuação institucional dos ministros. O episódio foi acompanhado por manifestações de diferentes integrantes do tribunal sobre o ambiente de tensão no Supremo.

André Mendonça pede respeito entre ministros

Na manifestação divulgada nesta quinta-feira, o gabinete de Mendonça afirmou ainda que não houve ameaça ou utilização de linguagem imprópria contra outros integrantes do STF. O texto também fez um apelo ao decoro e ao respeito mútuo entre os ministros. A defesa apresentada foi de que as divergências sejam tratadas dentro de parâmetros institucionais.

O episódio mostra que a discussão sobre a divulgação de informações do caso Banco Master passou a envolver também divergências sobre os limites de manifestações públicas de ministros. Enquanto Gilmar Mendes questionou a exposição de Gonet e criticou a atuação de Mendonça, o gabinete do relator contestou essas afirmações e apresentou sua própria versão sobre a retirada de sigilo e a divulgação das informações. As posições apresentadas pelos dois lados permanecem distintas quanto à condução e aos efeitos da publicidade dos elementos do processo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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