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“Andrei atuou conforme a lei”, diz Messias após Flávio acionar Justiça Eleitoral

O advogado-geral da União, Jorge Messias, manifestou nesta segunda-feira (12) seu apoio público ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, após a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) ter apresentado uma notícia-crime contra a autoridade eleitoral. A controvérsia gira em torno de uma declaração feita pelo delegado no dia do primeiro turno das eleições, quando informou sobre o recebimento de uma denúncia relacionada a possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.

O que está sendo questionado

A campanha de Flávio Bolsonaro protocolou no último domingo (11) uma notícia-crime no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), na qual acusa Andrei Rodrigues de ter agido de forma parcial em benefício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O foco da contestação é uma entrevista coletiva concedida pelo diretor-geral em 4 de outubro, dia da votação do primeiro turno. Na ocasião, ele informou que a instituição havia recebido uma representação da Advocacia-Geral da União sobre suspeitas de interferência externa nas eleições e que uma análise preliminar estava em curso — sem que, no entanto, houvesse a abertura de um inquérito formal. Para os advogados do candidato, a divulgação naquele momento conferiu peso indevido a uma suspeita ainda sem elementos comprobatórios, o que teria influenciado o eleitorado em favor da reeleição.

A defesa da autonomia da instituição

Em publicação na rede X, Jorge Messias expressou sua solidariedade ao delegado e reforçou que a atuação seguiu os trâmites legais. “Manifesto minha solidariedade ao Diretor-Geral da Polícia Federal diante dos questionamentos suscitados pelo candidato Flávio Bolsonaro sobre sua atuação funcional em razão da análise preliminar de possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A independência técnica da Polícia Federal é uma garantia da sociedade brasileira”, escreveu. O advogado-geral explicou ainda que receber denúncias, avaliar seu conteúdo e decidir sobre a abertura ou não de investigações faz parte da rotina da instituição, sem que isso represente qualquer direcionamento político.

“Cabe à instituição examinar com autonomia”

Messias aprofundou seu raciocínio ao destacar que a atividade policial não pode ficar sujeita a pressões externas: “Cabe à instituição receber notícias de possíveis irregularidades, examinar seus fundamentos e decidir, com autonomia e responsabilidade, pela instauração ou não de investigações, como precisamente ocorreu. Nada mais, nada menos. O Delegado Federal Andrei atuou conforme a lei. Isso não deveria causar estranheza a ninguém, muito menos a um candidato à Presidência da República”. Ele acrescentou que o tema da interferência estrangeira em processos eleitorais é uma preocupação legítima em qualquer democracia moderna, reconhecida internacionalmente como essencial para a integridade das eleições.

Apuração preliminar foi arquivada

Conforme esclarecido pelo próprio diretor-geral da PF, a apuração preliminar sobre possível interferência externa não resultou na abertura de um inquérito e foi posteriormente encerrada. A decisão de não prosseguir com a investigação reforça, segundo os defensores da conduta de Andrei Rodrigues, que a instituição seguiu seu fluxo normal de trabalho: recebeu a denúncia, avaliou seus elementos e concluiu que não havia base suficiente para uma investigação mais ampla. Já para a campanha de Flávio Bolsonaro, o problema não está na apuração em si, mas no momento da comunicação pública, que considerou inadequado e potencialmente influente no dia da votação.

Debate sobre transparência e independência em período eleitoral

O episódio reacende uma discussão importante sobre como instituições públicas devem se comunicar em períodos eleitorais. De um lado, está a necessidade de clareza sobre o que está sendo investigado e em que estágio se encontra cada procedimento. De outro, o cuidado necessário para que comunicações oficiais não se confundam com posicionamentos políticos ou favoreçam uma das partes em disputa. Que a Justiça Eleitoral possa analisar os fatos com serenidade, garantindo tanto a liberdade de atuação das instituições quanto a lisura do processo democrático — dois valores que devem caminhar juntos em qualquer República.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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