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Após a vitória dos democratas nos EUA, aliados de Eduardo Bolsonaro acham que ele deve sair do Texas

Aliados de Eduardo Bolsonaro têm defendido que o ex-deputado federal deixe o Texas e estabeleça residência na Flórida, em meio às mudanças no cenário político dos Estados Unidos após as eleições de meio de mandato. A proposta ganhou destaque depois que o Partido Democrata conquistou vitórias expressivas no Texas, tradicionalmente associado aos republicanos, elegendo Gina Hinojosa para o governo estadual e James Talarico para o Senado americano. Embora a mudança de endereço esteja sendo discutida entre pessoas próximas ao brasileiro, a justificativa apresentada por um de seus principais aliados é que a Flórida oferece melhores condições para suas atividades políticas e relações com integrantes da comunidade conservadora.

Eduardo Bolsonaro vive no Texas desde o ano passado, acompanhado de sua família, mas a possibilidade de transferência para outro estado americano passou a ser discutida com maior intensidade depois da chamada onda azul. O resultado eleitoral representou uma derrota significativa para os republicanos em uma região considerada estratégica para a política nacional, especialmente porque os democratas conseguiram superar adversários de grande expressão. Nesse contexto, a eventual mudança do ex-parlamentar brasileiro passou a despertar interesse não apenas pela questão residencial, mas também pelas possíveis consequências para sua atuação política nos Estados Unidos.

A discussão foi apresentada em uma coluna de Bela Megale, publicada no portal O Globo, que ouviu Paulo Figueiredo, ex-comentarista da Jovem Pan e considerado braço-direito de Eduardo Bolsonaro em território americano. Figueiredo afirmou que defende há anos a transferência do ex-deputado para a Flórida e negou que sua posição tenha sido motivada pelo resultado das eleições recentes. Entretanto, suas declarações evidenciam uma preferência por aproximar Eduardo de um ambiente considerado mais conveniente para suas articulações políticas, especialmente pela presença de parlamentares e aliados com os quais mantém relacionamento.

Eduardo Bolsonaro pode deixar o Texas e se mudar para a Flórida

A recomendação de mudança feita por Paulo Figueiredo está relacionada principalmente à localização geográfica e à proximidade com integrantes da comunidade brasileira e do meio político conservador americano. Segundo ele, o Texas não oferece as mesmas condições de relacionamento encontradas na Flórida, onde vive e mantém contato com pessoas que participam das articulações políticas desenvolvidas pelo grupo. Por essa razão, Figueiredo considera que a transferência seria mais conveniente para Eduardo, independentemente das mudanças provocadas pela vitória dos democratas no estado onde o ex-deputado atualmente reside.

Em suas declarações, o aliado afirmou que já insistia nessa possibilidade havia vários anos, acrescentando que costuma brincar com Eduardo sobre o fato de ele continuar morando em um território que agora será governado por uma democrata. A referência foi feita à vitória de Gina Hinojosa, que derrotou o republicano Greg Abbott e conquistou uma vitória histórica para seu partido no Texas. Apesar das brincadeiras, Figueiredo procurou separar a preferência pela Flórida de qualquer interpretação de que Eduardo estaria sendo obrigado a deixar o estado por causa da nova configuração política.

Outro elemento mencionado na discussão é a diferença no custo de moradia entre as duas regiões, já que Figueiredo reconheceu que as casas no Texas são consideravelmente mais baratas. Além disso, afirmou que Eduardo gosta da região e que esses fatores ajudam a explicar por que o ex-parlamentar escolheu estabelecer residência naquele estado. Portanto, mesmo com a defesa de uma mudança, não existe, nas declarações apresentadas, confirmação de que uma transferência esteja sendo efetivamente organizada ou de que uma decisão definitiva tenha sido tomada.

Vitória democrata no Texas aumenta repercussão sobre Eduardo Bolsonaro

A chamada onda azul ganhou força com os resultados das eleições realizadas em 3 de novembro de 2026, quando os democratas conseguiram importantes vitórias em disputas estaduais e nacionais. Gina Hinojosa derrotou Greg Abbott, que buscava um quarto mandato como governador, enquanto James Talarico venceu a disputa pelo Senado contra o republicano Ken Paxton. O resultado foi considerado histórico porque os democratas voltaram a conquistar o governo do Texas depois de mais de três décadas de domínio republicano, provocando uma mudança significativa no equilíbrio político de um dos estados mais importantes dos Estados Unidos.

Gina Hinojosa é uma representante democrata que ganhou projeção durante a campanha ao defender propostas relacionadas ao custo de vida, à educação pública e ao combate à influência excessiva de grandes grupos econômicos na administração estadual. Já James Talarico, também democrata, construiu sua trajetória política no Legislativo texano e conseguiu derrotar um adversário republicano de destaque nacional. As duas vitórias demonstraram que o eleitorado do Texas estava disposto a apoiar alternativas ao Partido Republicano, embora seja importante observar que o resultado estadual não representa, automaticamente, uma mudança nas regras federais ou nas condições de permanência de estrangeiros no país.

A nova configuração política também provocou discussões sobre o ambiente em que Eduardo Bolsonaro desenvolve suas atividades e mantém contatos com representantes americanos. Entretanto, Paulo Figueiredo rejeitou a interpretação de que a vitória democrata possa comprometer a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos ou modificar diretamente suas articulações. Na avaliação dele, as relações políticas mantidas pelo grupo acontecem principalmente em âmbito federal, razão pela qual a mudança no comando do governo estadual não teria influência determinante sobre esse trabalho.

Paulo Figueiredo descarta pressão política para saída de Eduardo Bolsonaro

Ao comentar as consequências eleitorais, Figueiredo afirmou que não existe mais nenhuma medida que uma autoridade possa adotar para alterar a situação de residência de Eduardo nos Estados Unidos, sustentando que o brasileiro possui atualmente direitos semelhantes aos de qualquer cidadão americano, com exceção do direito de votar ou disputar eleições. Essa afirmação representa a avaliação apresentada pelo aliado e não deve ser confundida com uma confirmação jurídica independente sobre a situação migratória do ex-deputado. Além disso, ele argumentou que o relacionamento político do grupo não depende do governador do Texas, lembrando que Eduardo praticamente não teria mantido contato com o atual chefe do Executivo estadual republicano.

A discussão sobre uma eventual mudança para a Flórida, portanto, envolve mais uma escolha estratégica e pessoal do que uma reação comprovada à vitória dos democratas. O estado é considerado um importante centro de influência conservadora nos Estados Unidos e reúne brasileiros, empresários, representantes políticos e grupos ligados à direita americana, características que ajudam a explicar a preferência manifestada por Figueiredo. Enquanto não houver um anúncio oficial de Eduardo Bolsonaro, porém, sua permanência no Texas continua sendo a situação conhecida, e a possibilidade de transferência para a Flórida permanece no campo das recomendações feitas por seus aliados.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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