Após romper com Bolsonaro e apoiar Lula, Otoni de Paula perde eleição

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) não conseguiu renovar seu mandato na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. O parlamentar obteve 19.364 votos, número insuficiente para a reeleição, em um percurso marcado por mudanças de posição política que chamaram a atenção. Ainda assim, logo após o resultado, reafirmou seu engajamento na disputa presidencial, declarando que continuará atuando em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.
A trajetória de Otoni de Paula nos últimos anos foi de distanciamento e reaproximação com o campo político que ele agora apoia. Em 2022, era um crítico duro de Lula, chegando a usar expressões rudes ao se referir ao então candidato. No ano passado, porém, reconheceu publicamente que se arrependera da forma como se pronunciou. A mudança de postura se consolidou neste ano, quando rompeu com aliados tradicionais e deixou de apoiar a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) para declarar seu voto ao atual presidente no primeiro turno.
A decisão, segundo explicou o próprio deputado, nasceu da avaliação sobre o cenário nacional e da oposição que passou a fazer ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na etapa decisiva. Otoni fazia parte da bancada evangélica do Congresso e mantinha vínculos com a família Bolsonaro, o que tornou sua adesão ao projeto petista ainda mais notável. Para ele, a escolha não significou abandono de princípios, mas sim uma forma de proteger o que considera essencial para o país.
Mesmo sem renovar o mandato, Otoni garante que sua participação na vida pública não chegou ao fim. Em publicação feita no X, reforçou que a derrota eleitoral não encerra sua atuação e voltou a defender a candidatura de Lula. Classificou Flávio Bolsonaro como um risco para o Brasil e também especificamente para a comunidade evangélica, segmento no qual pretende trabalhar para ampliar o apoio ao presidente. “Vamos para o segundo turno com Lula. Não porque eu tenha mudado de lado ideológico, mas porque amo o meu Brasil”, declarou.
Entre as ações que pretende desenvolver, o ex-candidato anunciou a organização de um encontro entre Lula e lideranças e fiéis evangélicos. Disse que percorrerá diferentes regiões do país para dialogar com integrantes desse público e que há disposição de ouvir o presidente diretamente. A iniciativa busca aproximar o petista de um eleitorado que historicamente tem mantido maior sintonia com nomes de outras legendas, mostrando que a disputa de segundo turno também se trava na conquista de grupos específicos.
A movimentação ilustra como o segundo turno redefine alianças e estratégias, levando figuras públicas a se reposicionarem mesmo quando não concorrem mais a cargos. Otoni de Paula representa um caminho de conversão política que pode influenciar parcelas do eleitorado indeciso ou que ainda não se pronunciou. A capacidade de convencer pessoas que pensavam de forma diferente é, neste momento, um dos maiores desafios para ambos os lados da disputa.
A campanha avança com intensidade crescente, e cada esforço de aproximação entre candidatos e segmentos sociais ganha relevância. O eleitorado terá a oportunidade de ouvir propostas, conhecer trajetórias e decidir com liberdade. A vitória não será de quem convence mais nomes famosos, mas de quem consegue mostrar ao povo, com sinceridade e clareza, o que fará para melhorar a vida de todos os brasileiros. O dia 25 trará a resposta do povo, e nenhum esforço de diálogo será em vão.





