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Assembleia de Deus Ministério Madureira apoiou Jair Bolsonaro, mas desta vez não quis saber de apoiar Flávio

A Assembleia de Deus Ministério Madureira, uma das maiores denominações evangélicas do Brasil, decidiu não apoiar Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026. A igreja havia mantido uma relação próxima com Jair Bolsonaro em eleições anteriores, inclusive durante a campanha pela reeleição do ex-presidente em 2022. Neste primeiro turno, porém, a cúpula da denominação optou por apoiar Ronaldo Caiado, segundo reportagem da BBC News Brasil publicada pelo Terra.

A decisão chama atenção pela trajetória política do Ministério Madureira, que historicamente mantém diálogo com diferentes grupos e partidos. O grupo chegou a apoiar Lula em 2006, quando o bispo Manoel Ferreira, então uma de suas principais lideranças, também disputou uma vaga para deputado federal. Posteriormente, a denominação se aproximou do bolsonarismo e apoiou Jair Bolsonaro em 2018 e novamente em 2022.

A relação com a família Bolsonaro, entretanto, não foi reproduzida automaticamente na candidatura de Flávio. O senador buscou aproximação com lideranças do Ministério Madureira, mas não conseguiu obter o apoio da cúpula da igreja. Pastores ligados à denominação, como Cezinha de Madureira e Oseias de Madureira, são aliados políticos de Flávio e integram o mesmo campo político, mas a decisão institucional ficou com o colegiado de bispos.

Ministério Madureira tem longa relação com a política

A aproximação entre o Ministério Madureira e a política brasileira é anterior ao bolsonarismo e remonta às primeiras décadas de atuação da denominação. Segundo pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil, a relação foi construída por meio de contatos com governos, parlamentares e diferentes grupos políticos ao longo da história. O pesquisador Gedeon Freire de Alencar comparou essa atuação a uma espécie de “Centrão”, em referência a uma postura considerada pragmática nas alianças políticas.

Um dos exemplos citados na reportagem ocorreu em 2006, quando Manoel Ferreira pediu votos para Lula durante a eleição presidencial. Naquele período, Ferreira também concorreu a deputado federal pelo PTB e foi eleito, enquanto justificou seu apoio ao petista mencionando políticas sociais do governo. O episódio mostra que a aproximação da denominação com Jair Bolsonaro não representou uma posição permanente em torno de um único grupo político.

A mudança de posicionamento ocorreu em meio ao avanço do bolsonarismo no eleitorado evangélico a partir de 2018. O Ministério Madureira passou a apoiar Jair Bolsonaro e manteve a aproximação durante o segundo mandato presidencial, quando o então presidente participou de evento da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil. Em 2022, Samuel Ferreira também recebeu Bolsonaro em São Paulo durante um culto realizado às vésperas do primeiro turno.

Flávio Bolsonaro não recebeu o apoio da cúpula

Na eleição de 2026, Samuel Ferreira chegou a aparecer próximo ao governo Lula em algumas ocasiões. O bispo visitou o presidente durante o processo de indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e foi fotografado com Lula depois de uma reunião no Palácio do Planalto, em outubro do ano passado. Apesar desses contatos, o Ministério Madureira não decidiu apoiar Lula no primeiro turno.

A escolha acabou recaindo sobre Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência. A decisão foi tomada pelo colegiado de bispos do Ministério Madureira depois de a denominação não aderir à candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo a reportagem, Caiado aparecia com cerca de 3% das intenções de voto no agregador da BBC News Brasil na reta final do primeiro turno.

A trajetória do Ministério Madureira também ajuda a explicar sua influência política atual. A participação de Assembleias de Deus na política ganhou força especialmente a partir da redemocratização, com a eleição de parlamentares ligados à denominação e a presença de representantes evangélicos na Assembleia Nacional Constituinte. Esse processo contribuiu para a formação da bancada evangélica no Congresso Nacional.

Apoio a Jair Bolsonaro não foi transferido para Flávio

A decisão de não apoiar Flávio mostra que o apoio anteriormente dado a Jair Bolsonaro não foi automaticamente transferido para seu filho nesta eleição. A candidatura presidencial de 2026 colocou o Ministério Madureira diante de uma nova escolha, que terminou com a indicação de Ronaldo Caiado pelo colegiado de bispos. A denominação manteve, assim, uma trajetória de atuação política baseada em alianças que podem mudar de acordo com cada disputa eleitoral.

O caso também evidencia a importância das lideranças religiosas na organização política de setores do eleitorado evangélico. Embora pastores e parlamentares ligados ao Ministério Madureira mantenham relações políticas diversas, a decisão sobre o apoio presidencial foi atribuída à cúpula da denominação. No primeiro turno de 2026, portanto, a igreja que havia apoiado Jair Bolsonaro em duas eleições presidenciais decidiu não repetir esse apoio com Flávio e declarou preferência por Caiado.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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