Áudios do caso Master falam sobre um possível encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Novos áudios obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo a partir do celular de Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, voltaram a colocar os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega no centro das apurações sobre a instituição financeira. As gravações mostram o advogado Walfrido Warde, que representava Vorcaro, tratando da possibilidade de Mantega retornar de Londres para se encontrar diretamente com Lula. O conteúdo foi divulgado pela Band nesta quinta-feira, 8 de outubro, e amplia os questionamentos sobre as articulações envolvendo o banco e integrantes do governo.
Em uma das gravações, Warde sugere que Vorcaro utilizasse um avião particular para buscar Mantega em Londres e levá-lo ao Brasil para uma conversa com o presidente. O advogado afirma que considerava necessário organizar o deslocamento do ex-ministro para que ele pudesse encontrar Lula, em uma articulação que ocorreu enquanto o Banco Central analisava questões relacionadas ao Banco Master. A fala registrada no áudio, porém, não demonstra por si só que Lula tenha participado daquela articulação ou que tenha cometido qualquer irregularidade.
Outro áudio mostra Warde cobrando uma videoconferência urgente com Vorcaro e Mantega para alinhar as informações que seriam transmitidas pelo ex-ministro. Naquele período, Mantega havia sido contratado pelo Banco Master por meio de um contrato de R$ 14 milhões para serviços de consultoria, e sua atuação junto à instituição passou a ser examinada dentro das investigações. O material divulgado acrescenta novos elementos sobre a tentativa de aproximar o ex-ministro do presidente, mas ainda cabe às autoridades determinar o significado e os efeitos concretos dessas conversas.
Áudios mostram articulação com Guido Mantega
As mensagens foram trocadas em julho de 2025, período em que o Banco Central analisava a operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília, o BRB. Segundo as informações divulgadas, a operação acabou sendo vetada pelo Banco Central em setembro daquele ano e, dois meses depois, o Master foi colocado em liquidação. Foi nesse contexto que os registros mostram a tentativa de fazer com que Mantega apresentasse ao presidente Lula a versão do banco sobre os questionamentos enfrentados perante a autoridade monetária.
A participação de Mantega já vinha sendo acompanhada pelas autoridades por causa do contrato firmado com o Banco Master. A empresa de consultoria ligada ao ex-ministro recebeu R$ 14 milhões do banco, e documentos e mensagens passaram a ser analisados para esclarecer qual era exatamente a natureza dos serviços prestados. Os novos áudios acrescentam à investigação registros de conversas sobre uma possível interlocução de Mantega com Lula em favor dos interesses da instituição.
A relação entre Mantega e Lula no episódio também ganhou relevância porque o próprio presidente já havia confirmado anteriormente que se encontrou com Vorcaro. Segundo relato de Lula, Mantega foi quem pediu que ele recebesse o então dono do Banco Master, e a reunião contou também com Rui Costa e Gabriel Galípolo. O encontro ocorreu em dezembro de 2024, antes da operação de venda do Master ao BRB e da posterior liquidação do banco.
Nome de Lula aparece em novo contexto
O conteúdo divulgado pela Band coloca a reunião entre Lula e Vorcaro em um contexto adicional, porque as novas gravações mostram o advogado do banqueiro discutindo previamente uma possível participação de Mantega em uma conversa com o presidente. A existência dos áudios, contudo, não significa que a reunião sugerida tenha necessariamente ocorrido nos termos descritos pelo advogado. O Palácio do Planalto já afirmou que Lula recebeu Vorcaro em uma única ocasião, em dezembro de 2024, e que não houve outro contato entre os dois.
O caso também envolve outras mensagens que estão sendo analisadas pelas autoridades. Em registros posteriores, Warde pergunta a Vorcaro quem mais poderia ajudar nas tratativas, e o ex-banqueiro responde mencionando “Alexandre”, referência que as apurações associam ao ministro Alexandre de Moraes. A Band ressalta, entretanto, que as menções isoladas nas conversas não comprovam participação direta em irregularidades ou a prática de qualquer ilícito.
A referência a Moraes ocorre em meio aos questionamentos sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à família do ministro. As autoridades investigam o contexto dessas relações e os registros encontrados no material apreendido, enquanto os envolvidos negam irregularidades quando questionados sobre os vínculos. Assim, os novos áudios são tratados como elementos que precisam ser confrontados com outros documentos e depoimentos antes de qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade.
Investigação busca esclarecer relações do Banco Master
As novas revelações ocorrem enquanto a Polícia Federal aprofunda as investigações sobre o Banco Master e as relações mantidas por Vorcaro com autoridades, políticos e empresários. O conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro reúne conversas que podem ajudar os investigadores a reconstruir as articulações realizadas durante o período em que o banco enfrentava questionamentos do Banco Central. A análise dos registros busca separar contatos institucionais e profissionais de eventuais ações que possam ter ultrapassado os limites legais.
No caso específico dos novos áudios, as gravações mostram uma tentativa do advogado de Vorcaro de organizar uma conversa entre Guido Mantega e Lula, além de uma preocupação em alinhar previamente o conteúdo que seria levado ao presidente. Até o momento, porém, o material divulgado não permite afirmar que Lula tenha participado de qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master. As circunstâncias da articulação e o eventual resultado das conversas continuam dependendo da apuração das autoridades responsáveis pelo caso.





