Autoridades confirmaram os ataques hackers contra sistemas de votação e várias regiões na Rússia

A Rússia registrou neste sábado, 19 de setembro, uma série de ataques contra sistemas de votação e linhas de comunicação durante o segundo dia das eleições parlamentares. Segundo as autoridades russas, o sistema de votação eletrônica de Moscou foi alvo de um ataque considerado intenso durante a madrugada, enquanto outras tentativas foram identificadas em diferentes regiões do país. A chefe da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Ella Pamfilova, afirmou que os ataques continuavam, mas que estavam sendo repelidos e que o funcionamento do sistema permanecia sob controle.
As eleições parlamentares russas começaram na sexta-feira, 18 de setembro, e estão sendo realizadas durante três dias, com encerramento previsto para domingo, 20 de setembro. A votação definirá os 450 integrantes da Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo, em uma eleição que ocorre pela primeira vez desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Paralelamente à votação presencial, o país utiliza sistemas de votação eletrônica, o que ampliou a importância da segurança digital durante o processo eleitoral.
Além dos ataques contra o sistema de votação de Moscou, o Ministério do Desenvolvimento Digital da Rússia informou que uma tentativa de sabotagem atingiu linhas de comunicação no extremo leste do país. Segundo as autoridades, a ação foi impedida e os serviços de comunicação foram posteriormente restabelecidos. Dessa forma, os incidentes registrados durante a eleição envolveram tanto a infraestrutura diretamente relacionada ao voto eletrônico quanto redes de comunicação utilizadas em diferentes regiões.
Ataques hackers atingem sistema eleitoral da Rússia
A Comissão Eleitoral Central informou que o sistema de votação on-line de Moscou foi submetido a uma ofensiva durante toda a madrugada de sábado. Pamfilova declarou que a intensidade dos ataques era elevada, mas afirmou que o sistema continuava funcionando normalmente e que as tentativas de invasão estavam sendo enfrentadas pelas equipes responsáveis pela segurança digital. As informações divulgadas pelas autoridades não indicaram, até aquele momento, que os ataques tivessem alterado votos ou interrompido o processo de votação.
Os relatos oficiais também apontaram que os ataques não ficaram restritos à capital russa. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Digital, uma tentativa de sabotagem das linhas de comunicação foi registrada no extremo leste do país, mas acabou sendo neutralizada. Enquanto isso, os serviços afetados foram restaurados, permitindo a continuidade das comunicações durante o período eleitoral.
Os episódios ocorreram poucos dias depois de um grupo de hackers ter afirmado que conseguiu acessar sistemas relacionados à infraestrutura eleitoral russa. O grupo, identificado como CikLeak, declarou ter invadido sistemas da Comissão Eleitoral Central e de empresas envolvidas no desenvolvimento da plataforma Vybory, utilizada para administrar o processo eleitoral. Segundo informações divulgadas pelo The Record, os hackers alegaram ter obtido documentos internos, configurações de servidores, senhas e comunicações de funcionários, embora não estivesse esclarecido até então se haviam alcançado sistemas diretamente responsáveis pela votação ou pela contagem dos votos.
Sistema de votação eletrônica está no centro da disputa
A eleição parlamentar de 2026 é a primeira votação federal russa a utilizar a nova plataforma Vybory 2.0. O sistema começou a ser utilizado neste ano e substituiu uma versão anterior que vinha sendo empregada desde o final da década de 1990. Por isso, a segurança da nova infraestrutura passou a receber atenção especial durante os dias que antecederam a votação.
O grupo CikLeak afirmou que seu objetivo não seria interromper a votação ou alterar diretamente o processo eleitoral, mas expor informações sobre o funcionamento interno da infraestrutura eleitoral russa. Os hackers também alegaram ter obtido materiais de empresas envolvidas no desenvolvimento do sistema, incluindo uma subsidiária da Rostelecom. As alegações sobre a invasão foram divulgadas antes do início da votação, mas a extensão do acesso obtido pelos hackers e seu eventual impacto sobre os sistemas eleitorais permaneceram sem confirmação independente completa.
A Comissão Eleitoral Central havia informado anteriormente que estava verificando possíveis vulnerabilidades nos sistemas utilizados durante a eleição. A presidente do órgão, Ella Pamfilova, afirmou em agosto que o sistema eleitoral não poderia ser hackeado, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional. Entretanto, as autoridades russas passaram a relatar novos ataques durante a própria votação, enquanto os responsáveis pela infraestrutura digital afirmavam que as tentativas estavam sendo contidas.
Eleições parlamentares acontecem durante guerra na Ucrânia
A votação para a Duma ocorre em um contexto marcado pela continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em larga escala em fevereiro de 2022. Antes do início da eleição, o presidente Vladimir Putin acusou a Ucrânia de tentar interferir no processo eleitoral, mas não apresentou provas públicas para sustentar essa acusação. As autoridades russas também afirmaram que enfrentam tentativas de desestabilização atribuídas a serviços de inteligência ucranianos e a outros adversários externos.
A eleição é considerada a primeira parlamentar federal realizada desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia. Segundo a Reuters, a maioria dos candidatos contrários à guerra foi impedida de participar da disputa, enquanto o partido Rússia Unida, alinhado ao governo de Putin, participa da votação. A Suprema Corte russa também determinou que o partido liberal Yabloko havia violado regras eleitorais, embora alguns de seus candidatos continuassem concorrendo em distritos individuais.
Outro aspecto da eleição é a votação em regiões ucranianas ocupadas pela Rússia, questão que permanece contestada internacionalmente. A Rússia pretende realizar a votação nessas áreas, enquanto autoridades ucranianas consideram ilegítimas as eleições e referendos organizados pelo governo russo nos territórios ocupados. Assim, além dos ataques cibernéticos relatados durante a votação, o processo eleitoral também ocorre em meio a disputas políticas e jurídicas relacionadas ao território ucraniano.
Os ataques cibernéticos registrados neste sábado foram apresentados pelas autoridades russas como tentativas de atingir a infraestrutura utilizada durante as eleições parlamentares. Até o momento das informações divulgadas, os responsáveis pelo sistema afirmavam que as ações estavam sendo repelidas e que não havia interrupção generalizada da votação eletrônica. A apuração sobre a origem dos ataques e sobre eventual relação entre os diferentes episódios deverá continuar após o encerramento do processo eleitoral.
A votação para a Duma Estatal seguirá até domingo, 20 de setembro, enquanto as autoridades mantêm os sistemas digitais sob monitoramento. Paralelamente, os incidentes registrados antes e durante a eleição deverão ser analisados para determinar a extensão dos acessos e das tentativas de sabotagem relatadas. Até agora, as informações disponíveis indicam ataques contra sistemas eleitorais e linhas de comunicação, mas não confirmam que os episódios tenham alterado os resultados da votação.





