“Bolsonaro e quem tentou dar golpe têm que ficar presos”, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado nesta quinta-feira, 17, sobre a possibilidade de revisão nos critérios de fixação e duração das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Em entrevista à Rádio Itatiaia, o petista avaliou que qualquer alteração nesse sentido dependerá da decisão do Supremo Tribunal Federal. “Vai caber à própria Corte definir”, observou, ao acrescentar que, em seu entendimento, “ninguém deve permanecer privado de liberdade de forma indefinida”. O tema ganha relevância após o presidente ter vetado, em 8 de janeiro de 2026, texto legislativo que propunha mudanças nos critérios de dosimetria das condenações.
A manifestação do chefe do Executivo abrangeu também a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF no âmbito dos processos relativos aos eventos daquele dia. “Por enquanto, ele e o grupo que tentou promover ruptura institucional devem cumprir a pena para que aprendam e nunca mais atentem contra a democracia no Brasil”, declarou Lula. Segundo o presidente, o que se buscou na ocasião foi derrubar a ordem constitucional, e a resposta do Estado precisa ser firme para que a sociedade preserve a tranquilidade e o respeito às instituições.
O presidente detalhou ainda a gravidade que atribui aos fatos imputados ao ex-presidente. “Eles tentaram dar um golpe de Estado. Planejaram ações contra mim, contra o vice-presidente Geraldo Alckmin e contra o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou. Na avaliação de Lula, o cumprimento da condenação é medida necessária para que não se repitam episódios de desestabilização. “Acredito que a pena deve ser integralmente cumprida, como forma de demonstrar que a lei se aplica a todos, sem distinção”, reforçou, sem mencionar se haveria espaço para revisão em momento posterior.
Sobre a questão mais ampla dos critérios de fixação de penas, Lula deixou claro que não cabe ao Poder Executivo determinar reduções ou reavaliar condenações individuais. “A Justiça tem de cumprir seu papel com independência. Se o Supremo entender que é adequado rever critérios, assim fará. O que não podemos é criar a impressão de que se pode burlar a lei conforme conveniência”, explicou. O veto que aplicou no início do ano manteve as regras vigentes, e o presidente reiterou que qualquer modificação deve nascer do debate legislativo e, eventualmente, de decisão do Judiciário.
A fala do presidente insere-se num momento em que o tema das condenações de 8 de Janeiro volta ao centro do debate público, a poucas semanas do primeiro turno das eleições. Para alguns, as penas aplicadas revelam-se excessivas e merecem ajuste; para outros, a manutenção do rigor é essencial para que a democracia se fortaleça. Lula procurou distinguir entre a aplicação da lei aos casos concretos e a possibilidade de aperfeiçoamento de normas gerais, dizendo que o segundo não pode servir de pretexto para o afrouxamento no cumprimento de decisões judiciais.
A sociedade acompanha com atenção essas declarações, pois o equilíbrio entre a justiça aplicada e a garantia de direitos fundamentais é um dos pilares da convivência democrática. O que se espera é que as decisões sejam tomadas com clareza, com base na legislação vigente e sem influência de interesses momentâneos. A independência entre os poderes, o respeito às sentenças e a possibilidade de revisão quando houver fundamento são valores que devem nortear cada passo, na certeza de que a estabilidade do país depende de instituições sólidas e imparciais.





