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Candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro fez um apelo aos eleitores de todo o país

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) convocou a população neste sábado, 17 de outubro de 2026, a ir aos supermercados para registrar os preços dos alimentos e compartilhar as informações nas redes sociais. Em vídeo publicado durante a reta final da campanha, o senador pediu que consumidores fotografassem produtos, gravassem imagens das compras e mostrassem as respectivas notas fiscais. A iniciativa foi apresentada pelo candidato como uma forma de reunir registros sobre o custo de itens básicos durante o atual governo.

Flávio citou especificamente produtos como arroz, feijão, carne e café ao explicar o tipo de material que gostaria que os eleitores produzissem. Ele também pediu que os consumidores mostrassem quanto haviam gastado nas compras e destacassem os impostos registrados nas notas fiscais. A orientação foi acompanhada de um pedido para que as publicações marcassem o perfil do candidato, permitindo que os conteúdos fossem posteriormente compartilhados por sua equipe e por apoiadores.

Na mensagem que acompanhou o vídeo, Flávio reforçou as críticas à situação econômica e associou o aumento do custo dos alimentos à administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador afirmou que a mobilização serviria para comparar como os preços teriam evoluído durante o atual governo e apresentou a iniciativa como uma ação coletiva de campanha. A convocação ocorreu exatamente uma semana antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

Candidato transforma preços dos supermercados em mobilização eleitoral

Durante a gravação, Flávio pediu aos apoiadores que fossem ao mercado mais próximo de suas casas e registrassem os valores encontrados nas prateleiras. A proposta não ficou limitada a fotografias, pois o candidato também solicitou vídeos e imagens das notas fiscais para reunir diferentes exemplos de compras realizadas por consumidores. Segundo ele, a intenção era mostrar diretamente nas redes sociais os preços pagos por produtos presentes no cotidiano das famílias brasileiras.

O candidato também afirmou que os registros deveriam ajudar a comparar o custo dos alimentos durante o governo Lula com períodos anteriores. Essa comparação passou a ocupar espaço frequente na comunicação eleitoral de Flávio, que vem utilizando o preço da comida como um dos principais temas de crítica ao governo. Em julho, antes da campanha do segundo turno, ele próprio havia publicado um vídeo gravado em supermercado no qual comparava preços de diversos produtos com valores atribuídos a 2019.

Na nova convocação, entretanto, a estratégia passou a depender da participação dos próprios eleitores. Em vez de apresentar apenas uma compra feita pelo candidato, a campanha estimulou apoiadores a produzir uma grande quantidade de registros em diferentes estabelecimentos e localidades. A iniciativa amplia o uso das redes sociais como ferramenta de campanha e transforma experiências individuais de consumo em conteúdo político compartilhável.

Arroz, feijão, carne e café estão entre os produtos citados

Flávio escolheu alimentos de consumo cotidiano para incentivar a mobilização, mencionando arroz, feijão, carne e café durante o vídeo publicado nas redes sociais. O candidato pediu que os consumidores registrassem não apenas o preço estampado nas embalagens, mas também o valor final da compra apresentado na nota fiscal. A orientação para mostrar os impostos teve como objetivo acrescentar outro elemento à discussão sobre o custo dos produtos.

O preço dos alimentos tornou-se um dos principais assuntos econômicos da campanha presidencial de 2026, especialmente nas mensagens direcionadas aos consumidores. Flávio tem utilizado supermercados como cenário para demonstrar suas críticas ao custo de vida e, em diferentes ocasiões, relacionou os valores encontrados nas prateleiras à perda de poder de compra. A campanha busca levar esse debate para as redes sociais por meio de imagens que possam ser facilmente reproduzidas e compartilhadas.

Em julho, uma gravação publicada pelo candidato mostrou uma compra com produtos como arroz, feijão, carnes, café, leite e itens de higiene, acompanhada de comparações com preços atribuídos ao primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Flávio afirmou que havia gasto mais de R$ 900 e destacou o valor dos impostos indicado na nota fiscal. O novo chamado feito em outubro retoma essa estratégia, mas procura envolver diretamente um número maior de consumidores na produção do material.

Mobilização ocorre a poucos dias do segundo turno

A convocação de Flávio aconteceu no mesmo dia em que sua campanha realizou atividades presenciais em diferentes regiões do país. O candidato participou do chamado Bloco do 22, com compromissos previstos em Vitória, no Espírito Santo, e posteriormente em Salvador, na Bahia. A mobilização digital sobre os preços dos supermercados integrou, portanto, uma agenda mais ampla de ações eleitorais na última semana antes da votação.

A campanha presidencial entrou em sua fase decisiva após o primeiro turno, quando Flávio e Lula avançaram para a disputa pela Presidência. Nesse período, os dois grupos passaram a utilizar as redes sociais para estimular apoiadores a produzir conteúdos e ampliar a circulação de mensagens relacionadas aos temas considerados prioritários para cada candidatura. Enquanto Flávio concentrou parte de sua comunicação no custo dos alimentos, a campanha de Lula também promoveu mobilizações digitais entre seus apoiadores.

Ao pedir que os eleitores registrem preços e notas fiscais, Flávio procura criar uma base de conteúdos produzidos diretamente por consumidores. Os materiais podem apresentar valores diferentes conforme a cidade, o supermercado, a marca escolhida e o período da compra, fatores que influenciam o preço final dos produtos. A própria diversidade dos registros, portanto, deverá ser considerada na interpretação das comparações que a campanha pretende realizar.

Preços e poder de compra ganham espaço na disputa presidencial

O tema do poder de compra já vinha sendo explorado por Flávio antes da nova convocação aos eleitores. Em vídeo publicado em julho, o senador afirmou que o brasileiro havia perdido poder de compra durante o governo Lula e apresentou uma série de produtos encontrados em um supermercado. Naquela ocasião, a estratégia também envolveu a comparação com preços atribuídos ao ano de 2019, quando Jair Bolsonaro havia iniciado seu mandato presidencial.

A inflação e os preços dos alimentos, entretanto, são influenciados por diferentes fatores, incluindo custos de produção, condições climáticas, oferta e demanda, câmbio, impostos e situações econômicas nacionais e internacionais. Por isso, fotografias isoladas de produtos em supermercados mostram experiências específicas de consumo, mas não constituem, sozinhas, uma medição oficial da inflação ou da evolução geral dos preços. Os registros solicitados por Flávio fazem parte de uma estratégia política de comunicação e deverão ser apresentados pela campanha dentro desse contexto.

Na mensagem publicada neste sábado, o candidato também associou a mobilização ao segundo turno e pediu que os eleitores utilizassem os registros para demonstrar sua percepção sobre o custo da alimentação. Flávio afirmou que pretende comparar como os preços teriam encarecido durante o atual governo e utilizou o tema para reforçar suas críticas a Lula. Com a votação marcada para 25 de outubro, a disputa pelo discurso econômico deverá permanecer entre os principais pontos explorados pelas duas campanhas na reta final da eleição.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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