Candidato pelo Novo à Presidência, Romeu Zema foi flagrado segurando um celular na hora de votar

Romeu Zema, candidato à Presidência da República pelo Novo, foi flagrado com um celular na mão enquanto votava na manhã deste domingo, 4 de outubro, em Araxá, no interior de Minas Gerais. O episódio ocorreu na Escola Estadual Delfim Moreira, onde o candidato compareceu por volta das 9h para participar do primeiro turno das eleições de 2026. Imagens mostraram Zema levando o aparelho até a cabine e utilizando o celular enquanto registrava seus votos na urna eletrônica.
A utilização de celulares dentro da cabine de votação é proibida pela Justiça Eleitoral, justamente para preservar o sigilo da escolha feita pelo eleitor. A regra determina que o aparelho seja desligado e entregue aos mesários antes de a pessoa entrar na cabine, permanecendo sob guarda da mesa receptora durante a votação. A orientação vale também para outros equipamentos capazes de registrar ou transmitir imagens, como câmeras, filmadoras e dispositivos semelhantes.
Depois de votar, Zema foi questionado por jornalistas sobre o episódio e afirmou que não havia sido alertado pelos mesários sobre a necessidade de deixar o aparelho antes de entrar na cabine. O candidato disse que costuma andar com o celular durante todo o dia e afirmou que não fotografou nem fez qualquer registro da votação. Segundo Zema, caso tivesse recebido a orientação, teria entregue o aparelho imediatamente aos responsáveis pela seção eleitoral.
Celular de Zema aparece durante a votação
As imagens que registraram a situação foram feitas durante a transmissão da votação e mostraram Zema com o celular enquanto utilizava a urna eletrônica. Segundo informações publicadas sobre o episódio, o aparelho teria sido usado pelo candidato para consultar números de candidatos durante o processo de votação. A situação chamou atenção porque a Justiça Eleitoral orienta os eleitores a utilizarem uma colinha em papel para consultar os números dentro da cabine.
A regra sobre os aparelhos eletrônicos existe para impedir que o eleitor registre a própria escolha na urna. Uma fotografia ou gravação da tela poderia servir como comprovação do voto, situação que poderia estar relacionada a práticas como compra de votos ou eventual pressão sobre eleitores. Por esse motivo, o aparelho deve permanecer fora da cabine, mesmo quando não estiver sendo utilizado para fotografar ou filmar.
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, Carlos Henrique Perpétuo Braga, afirmou que o episódio envolvendo Zema será apurado pela Justiça Eleitoral. O tribunal informou ao UOL que os mesários são orientados sobre a proibição do uso de celulares na cabine de votação. A apuração deverá verificar as circunstâncias da ocorrência e as providências eventualmente cabíveis no caso.
Justiça Eleitoral vai analisar o episódio
A legislação eleitoral estabelece que celulares e outros dispositivos eletrônicos devem ser deixados com os mesários antes da entrada na cabine. O eleitor pode utilizar o telefone no local de votação para apresentar documentos digitais, como o e-Título, mas depois da identificação o aparelho precisa ser desligado e colocado no espaço indicado pela mesa receptora. Essa separação entre a identificação e o momento do voto busca garantir que a escolha permaneça protegida.
O TRE-MG informou que o caso de Zema será analisado pela Justiça Eleitoral, enquanto outras informações divulgadas sobre a ocorrência apontaram que o presidente da Corte mineira considerou a situação uma sequência de falhas no cumprimento da orientação. A avaliação sobre eventual responsabilidade, entretanto, depende da apuração formal das circunstâncias. O simples registro das imagens não permite antecipar qual será a conclusão do procedimento.
A restrição ao uso do celular também está relacionada à proteção contra a violação do sigilo do voto. O Código Eleitoral prevê punição para a violação ou tentativa de violação desse sigilo, mas a caracterização de um eventual crime depende da análise concreta da conduta e das circunstâncias verificadas pelas autoridades. Portanto, a ocorrência envolvendo Zema deverá ser examinada pela Justiça Eleitoral antes de qualquer conclusão sobre possíveis consequências jurídicas.
Zema votou em Araxá antes de seguir para Belo Horizonte
A votação ocorreu na cidade de Araxá, no Alto Paranaíba, onde Zema nasceu e onde mantém seu domicílio eleitoral. O candidato chegou à Escola Estadual Delfim Moreira pela manhã para registrar seu voto no primeiro turno da eleição presidencial. Depois da votação, estava prevista sua ida para Belo Horizonte, onde deveria acompanhar a apuração dos votos ao longo do domingo.
Zema é um dos candidatos que disputam a Presidência da República nas eleições gerais de 2026. Antes da candidatura, ele exercia o cargo de governador de Minas Gerais, mas renunciou ao posto para participar da disputa presidencial. A votação deste domingo define os resultados do primeiro turno, com eventual segundo turno previsto para 25 de outubro caso seja necessário.
O episódio do celular ocorreu, portanto, no momento em que Zema registrava seus votos na urna eletrônica em Araxá. Após deixar a escola, o candidato afirmou que não havia sido alertado sobre a proibição e negou ter fotografado ou realizado qualquer registro do voto. Agora, a ocorrência será analisada pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar as circunstâncias e as medidas eventualmente aplicáveis ao caso.





