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Cleitinho, governador eleito em Minas Gerais, revelou como será o voto de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se comprometeu a votar a favor da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo Cleitinho, o compromisso foi assumido durante uma conversa entre os dois, na qual o tema foi discutido junto com o apoio político do governador eleito à candidatura do parlamentar. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil, em 9 de outubro de 2026, e ocorre durante a campanha para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

De acordo com Cleitinho, Flávio teria concordado em apoiar a proposta caso a matéria seja colocada em votação no Senado Federal. O governador eleito afirmou que espera que os demais senadores também se posicionem favoravelmente à mudança, que busca garantir mais tempo de descanso aos trabalhadores submetidos à jornada de seis dias de trabalho para um de folga. Cleitinho, que ainda exerce mandato de senador, disse que pretende participar da votação antes de assumir o governo mineiro, em janeiro de 2027.

O assunto ganhou destaque porque o fim da escala 6×1 passou a integrar o debate político durante a disputa presidencial. A proposta envolve mudanças na jornada semanal de trabalho e tem provocado discussões sobre os direitos dos empregados, os custos para as empresas e a necessidade de medidas para compensar eventuais impactos econômicos. Nesse contexto, a declaração de Cleitinho acrescenta um novo elemento à discussão, especialmente por envolver um compromisso atribuído a Flávio Bolsonaro, cuja posição pública sobre o tema vinha sendo objeto de debate.

Cleitinho afirma que conversou com Flávio sobre a proposta

Durante a entrevista, Cleitinho relatou que explicou ao candidato do PL a importância que atribui à votação da proposta e pediu que ele reconsiderasse sua posição. Segundo o governador eleito, Flávio afirmou que votará favoravelmente caso a matéria seja pautada no plenário do Senado. A declaração foi apresentada por Cleitinho como resultado de uma conversa direta entre os dois políticos, mas a confirmação do compromisso depende também de manifestações e decisões do próprio senador durante a tramitação legislativa.

Cleitinho afirmou que defende o fim da escala 6×1 há aproximadamente três anos e negou que sua posição tenha sido motivada apenas pelo contexto eleitoral. O senador eleito governador disse que considera necessário garantir aos trabalhadores um período maior de descanso semanal e sustentou que o debate deve envolver quem enfrenta essa rotina profissional. Ele também criticou o funcionamento do Congresso durante o período eleitoral e afirmou que os parlamentares precisam demonstrar compromisso com as demandas da população.

Além de defender a mudança na jornada, Cleitinho argumentou que a discussão deve considerar os custos enfrentados por empresários e empreendedores. Para ele, eventuais medidas de compensação poderiam incluir a redução de impostos e a desoneração da folha de pagamento para empresas que adotassem a nova organização do trabalho. O senador afirmou que o financiamento dessas medidas deveria ser discutido pelo poder público, em vez de recair exclusivamente sobre trabalhadores e empregadores.

O que prevê a proposta de fim da escala 6×1

A proposta de emenda à Constituição em discussão prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. A mudança alteraria a organização tradicional da escala 6×1, na qual o empregado trabalha seis dias consecutivos e tem direito a um dia de folga. A implementação dependeria da conclusão da tramitação legislativa e das regras estabelecidas no texto aprovado pelo Congresso Nacional.

A proposta já havia avançado na Câmara dos Deputados e passado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda precisava cumprir etapas antes de uma decisão definitiva em plenário. O calendário anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), previa a votação em primeiro turno em outubro, após as sessões de discussão exigidas pelo regimento. Caso o texto fosse aprovado nessa etapa, ainda seriam necessárias novas sessões de discussão e uma segunda votação, conforme as regras aplicáveis às emendas constitucionais.

A discussão também envolve a diferença entre a proposta que prevê o fim da escala 6×1 e alternativas que defendem maior flexibilidade na organização da jornada. Flávio Bolsonaro havia manifestado críticas à forma como o tema estava sendo conduzido e defendido uma abordagem diferente para as relações entre patrões e empregados. Por isso, a declaração de Cleitinho sobre o compromisso de voto deverá ser considerada à luz da posição que o próprio candidato apresentar e de sua atuação durante a votação.

Votação pode ocorrer antes do segundo turno presidencial

O calendário da proposta ganhou relevância eleitoral porque a votação no Senado estava prevista para ocorrer antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A possibilidade de os senadores deliberarem sobre o tema durante a campanha levou representantes de diferentes grupos políticos a se manifestarem sobre o momento e o conteúdo da votação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também cobrou publicamente uma definição sobre como Flávio Bolsonaro pretende votar a matéria.

Cleitinho afirmou que deseja participar da decisão enquanto ainda estiver no Senado, antes de assumir o governo de Minas Gerais, em 6 de janeiro de 2027. Ele também defendeu que os parlamentares discutam mecanismos de compensação para empresas, de modo que a eventual redução da jornada seja acompanhada de medidas voltadas ao setor produtivo. Até que a votação ocorra, entretanto, o compromisso atribuído a Flávio permanece baseado no relato feito pelo governador eleito.

A declaração evidencia que o fim da escala 6×1 continua sendo um dos temas em discussão na campanha presidencial e no Congresso Nacional. Embora Cleitinho afirme que Flávio Bolsonaro prometeu votar a favor, a posição efetiva do senador deverá ser verificada quando a proposta chegar ao plenário. O andamento da PEC e o resultado das votações serão determinantes para esclarecer se a mudança na jornada de trabalho avançará e quais regras poderão ser adotadas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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