Com pouco tempo na propaganda eleitoral, Cury teve que ser breve para expor suas propostas

No rádio, Cury apostou em uma estratégia eleitoral baseada no combate à polarização política e apresentou sua candidatura como uma alternativa aos dois principais polos da disputa presidencial de 2026. O candidato do Avante utilizou sua primeira propaganda eleitoral para defender uma mudança no ambiente político brasileiro e afirmou que o país precisava ser “curado” das divisões que marcaram os últimos anos. A mensagem foi transmitida na estreia do horário eleitoral gratuito e reforçou a imagem que o escritor e psiquiatra vinha tentando construir durante a campanha.
Augusto Cury teve apenas 35 segundos de propaganda eleitoral gratuita, o menor tempo entre os presidenciáveis que tiveram direito ao espaço no rádio e na televisão. Mesmo com pouco tempo disponível, a campanha optou por concentrar a mensagem em uma ideia simples, baseada na necessidade de superar conflitos entre grupos políticos. Dessa maneira, Cury procurou transformar uma limitação de exposição em uma comunicação direta, emocional e facilmente associada à sua proposta de pacificação nacional.
A escolha do discurso ocorreu em um momento no qual a disputa presidencial estava fortemente concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Pesquisas divulgadas nos dias anteriores mostravam Cury com percentuais ainda modestos, embora sua presença nas redes sociais tivesse crescido de maneira significativa depois do debate realizado pela Band. Portanto, a campanha passou a explorar a possibilidade de apresentar o candidato como uma alternativa para eleitores que não desejavam escolher entre os dois principais grupos políticos.
No rádio, Cury apostou contra a polarização política
A crítica à polarização tornou-se uma das principais marcas da campanha de Augusto Cury desde o início da corrida presidencial. O candidato passou a defender a ideia de que a divisão entre lulistas e bolsonaristas impedia que problemas concretos do país fossem enfrentados de maneira adequada. Assim, sua propaganda buscou apresentar a disputa eleitoral como uma oportunidade para substituir confrontos políticos por propostas voltadas à solução de problemas nacionais.
A estratégia também estava relacionada à imagem pública construída por Cury ao longo de sua carreira como escritor e psiquiatra. Conhecido por livros voltados para comportamento, inteligência emocional e relações humanas, ele passou a transportar parte desse discurso para o campo político durante a campanha. Consequentemente, expressões relacionadas a saúde emocional, pacificação e superação de conflitos passaram a aparecer com frequência na comunicação do candidato, criando uma identidade diferente daquela adotada por seus principais adversários.
O posicionamento ganhou força depois do debate presidencial realizado pela Band em 23 de agosto, quando Cury chamou atenção pelo estilo mais performático e pela defesa de uma postura conciliadora. Nos dias seguintes, o candidato ganhou milhões de seguidores nas redes sociais e passou a ser apontado por sua própria campanha como uma possível alternativa à polarização. Além disso, a repercussão digital fez com que seu nome passasse a ser mais conhecido entre eleitores que anteriormente não acompanhavam sua candidatura.
Augusto Cury tentou se apresentar como alternativa a Lula e Flávio
A candidatura de Augusto Cury foi construída para ocupar um espaço diferente daquele representado por Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto os dois principais candidatos concentravam grande parte da disputa em temas relacionados aos seus respectivos campos políticos, Cury tentou falar diretamente com o eleitor que demonstrava rejeição à polarização. Nesse contexto, sua campanha passou a defender uma espécie de terceira via baseada na conciliação, na saúde emocional e na busca por soluções práticas para os problemas nacionais.
O discurso também foi utilizado para diferenciar Cury de outros candidatos que tentavam ocupar posições intermediárias na eleição. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros nomes apresentavam propostas próprias para enfrentar a polarização, mas o candidato do Avante procurou associar sua mensagem política à experiência acumulada como autor e especialista em comportamento humano. Dessa forma, a campanha buscou estabelecer uma conexão entre sua trajetória profissional e a promessa de reduzir os conflitos existentes na sociedade brasileira.
Apesar da repercussão recente, os números das pesquisas ainda mostravam que Cury estava distante dos dois principais concorrentes. Levantamentos divulgados em agosto indicavam Lula e Flávio Bolsonaro em patamares muito superiores, enquanto o candidato do Avante aparecia com percentuais baixos, geralmente entre 2% e 4%. Ainda assim, sua campanha apostava que o crescimento nas redes sociais poderia ser convertido em intenção de voto à medida que a propaganda eleitoral e os debates aumentassem sua exposição.
Cury falou em “curar o país” durante a campanha
A expressão relacionada a “curar o país” foi incorporada à comunicação eleitoral de Cury justamente para reforçar a ideia de que o Brasil enfrentava uma espécie de desgaste provocado pela divisão política. O candidato utilizou uma linguagem próxima daquela encontrada em seus livros e palestras, adaptando conceitos ligados à mente e ao comportamento para apresentar uma proposta política. Com isso, sua campanha tentou criar uma associação direta entre a necessidade de pacificação nacional e sua experiência profissional como psiquiatra e escritor.
A proposta também apareceu em um contexto no qual a polarização havia se tornado um dos principais temas da eleição presidencial de 2026. Cury criticou tanto a divisão entre petistas e bolsonaristas quanto o ambiente de confrontos que, segundo sua campanha, dificultava a construção de consensos. Por isso, a mensagem transmitida no rádio foi utilizada como uma apresentação resumida de sua candidatura e como uma tentativa de convencer o eleitor de que existia espaço para uma alternativa aos dois grupos dominantes.
O desafio, entretanto, era transformar a visibilidade conquistada nas redes sociais em crescimento eleitoral consistente. A campanha passou a contar com uma exposição maior nos debates, nas inserções publicitárias e nas redes, mas o tempo reduzido no horário eleitoral gratuito limitava a quantidade de informações que poderia ser apresentada ao eleitor. Assim, a escolha por uma mensagem curta e facilmente identificável foi considerada estratégica para fazer com que o público reconhecesse rapidamente a principal bandeira defendida pelo candidato.
A estreia de Cury no rádio mostrou, portanto, que sua campanha decidiu concentrar esforços na tentativa de ocupar o espaço político deixado por eleitores cansados da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Mesmo com pouco tempo de propaganda, o candidato apresentou uma mensagem centrada na pacificação e na promessa de “curar o país”, reforçando a identidade que vinha sendo construída desde o início da disputa. Agora, o principal desafio será transformar essa narrativa em votos e demonstrar que o crescimento de sua presença pública pode representar uma mudança real no cenário eleitoral.
O movimento também revelou como a eleição de 2026 passou a ser disputada não apenas por propostas tradicionais, mas por diferentes narrativas sobre o futuro político do Brasil. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro protagonizaram uma disputa marcada por fortes críticas entre os dois lados, Cury tentou se posicionar como alguém capaz de romper esse confronto. Resta saber se a estratégia de combater a polarização conseguirá conquistar uma parcela significativa do eleitorado ou se permanecerá como uma mensagem de nicho dentro de uma eleição dominada pelos dois principais polos.





