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Como estava a disputa entre Lula e Bolsonaro nas pesquisas a um mês da eleição de 2022

Faltando exatamente um mês para o primeiro turno das eleições federais de 2026, marcado para 4 de outubro, a corrida presidencial chega a uma fase decisiva e apresenta um cenário bastante diferente daquele observado há quatro anos. De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 38% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 33%. A diferença de cinco pontos percentuais mostra uma disputa mais equilibrada e aumenta a expectativa em torno das próximas semanas de campanha, período em que candidatos ainda terão espaço para conquistar eleitores indecisos e modificar o atual quadro eleitoral.

A comparação com a eleição presidencial de 2022 ajuda a dimensionar a mudança no cenário. Na pesquisa Datafolha divulgada em 1º de setembro daquele ano, Lula tinha 45% das intenções de voto, enquanto Jair Bolsonaro, então presidente e hoje pai do principal adversário do petista, aparecia com 32%. Naquele momento, a vantagem de Lula chegava a 13 pontos percentuais, criando uma fotografia eleitoral consideravelmente diferente da atual. Agora, com uma margem menor entre os dois primeiros colocados, cada movimento de campanha, declaração pública e estratégia de comunicação pode ganhar peso na formação das preferências do eleitorado até a abertura das urnas.

O levantamento de 2022 também apresentava uma disputa com maior presença de outros candidatos. Ciro Gomes, que naquele período estava filiado ao PDT e atualmente integra o PSDB, registrava 9% das intenções de voto. Simone Tebet, então senadora pelo MDB e ex-ministra, aparecia com 5%. Felipe D’Ávila, do Novo, e Soraya Thronicke, do União Brasil, tinham 1% cada, enquanto os demais nomes não alcançavam pontuação na pesquisa. A configuração atual, portanto, evidencia uma concentração maior da preferência eleitoral nos dois principais concorrentes, deixando a disputa pelo voto ainda mais dependente da capacidade de cada campanha de ampliar sua base e atrair eleitores que ainda não definiram sua escolha.

A diferença também chama atenção quando o segundo turno é colocado em perspectiva. Na pesquisa divulgada em setembro de 2022, Lula tinha 53% das intenções de voto contra 38% de Jair Bolsonaro em uma eventual segunda rodada. Quatro anos depois, a fotografia apresentada pelo Datafolha é muito mais equilibrada: no confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o atual presidente aparece com 46%, enquanto o senador registra 44%. Embora a vantagem esteja dentro de uma margem estreita, o resultado reforça a percepção de que a eleição de 2026 poderá permanecer aberta durante boa parte da campanha e depender de mudanças relativamente pequenas na preferência dos eleitores.

A própria eleição de 2022 demonstra por que pesquisas realizadas a poucas semanas do primeiro turno não devem ser interpretadas como resultado definitivo. Naquele ano, Lula terminou a primeira etapa com 48,4% dos votos, enquanto Jair Bolsonaro alcançou 43,2%, números que revelaram uma diferença menor do que a registrada em algumas pesquisas realizadas durante a campanha. No segundo turno, a disputa ficou ainda mais próxima: Lula terminou com 50,9% dos votos, contra 49,1% de Bolsonaro. O histórico mostra que a reta final pode produzir alterações importantes, especialmente em uma eleição marcada por forte mobilização dos eleitores e pela disputa por votos entre diferentes grupos.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o calendário coloca os principais candidatos diante de uma janela de apenas algumas semanas para consolidar suas estratégias e ampliar o apoio eleitoral. A pesquisa mais recente oferece apenas um retrato do momento, mas a distância reduzida entre Lula e Flávio Bolsonaro transforma cada nova etapa da campanha em um possível ponto de mudança. Até a votação, debates, propostas, alianças, participação dos candidatos em eventos e a movimentação dos eleitores indecisos poderão influenciar o resultado. Por isso, a tendência apresentada agora deverá ser acompanhada de perto nas próximas pesquisas, enquanto a disputa entra em sua fase de maior atenção pública.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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