Últimas Notícias

De acordo com aliados, o governo Trump estaria ciente da ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ciente da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao território americano e deverá conceder asilo político ao parlamentar, segundo aliados da família Bolsonaro ouvidos pela imprensa. De acordo com essas pessoas, Flávio está a caminho dos Estados Unidos e pode chegar nas próximas horas a Miami, na Flórida, ou a Dallas, no Texas. As informações foram divulgadas em meio à repercussão sobre a saída do senador do Brasil, dois dias depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

Segundo os relatos, integrantes do grupo político afirmam que o governo americano teria participado ativamente do planejamento da viagem. Uma pessoa próxima à família também declarou que Flávio não teria deixado o Brasil pela Argentina, contrariando versões divulgadas anteriormente sobre uma possível travessia da fronteira com o país vizinho. Até o momento descrito nas informações, as declarações sobre a participação do governo Trump e a concessão de asilo eram atribuídas a aliados, sem confirmação oficial pública da Casa Branca.

A mudança de informações ocorreu depois de uma manhã marcada por dúvidas entre pessoas próximas ao senador. Inicialmente, alguns aliados não sabiam onde Flávio estava e chegaram a ironizar a hipótese de que ele tivesse fugido para os Estados Unidos. Posteriormente, porém, interlocutores passaram a afirmar que ele estava em um voo com destino ao país, enquanto a viagem e suas circunstâncias ganhavam destaque na imprensa nacional e internacional.

Aliados dizem que governo Trump participou do plano

De acordo com pessoas próximas à família Bolsonaro, o governo Donald Trump teria conhecimento prévio da saída de Flávio e estaria disposto a conceder asilo político ao senador. Um dos aliados ouvidos afirmou que autoridades americanas teriam participado ativamente do planejamento para retirar o parlamentar do Brasil. A declaração sugere que a viagem teria sido organizada com antecedência, mas não comprova, por si só, que houve uma operação oficial do governo dos Estados Unidos.

Os mesmos relatos indicam que Flávio poderia desembarcar em Miami ou Dallas nas horas seguintes à divulgação das informações. As duas cidades foram citadas como possíveis destinos imediatos, mas não havia, no material apresentado, confirmação do aeroporto de chegada nem do horário exato do pouso. Também não foram divulgados documentos que comprovassem o início de um procedimento formal de solicitação de asilo político pelo senador.

Outro aliado afirmou que Flávio não teria utilizado a Argentina como rota para deixar o território brasileiro. Essa versão diverge de notícias anteriores que apontavam uma possível travessia terrestre da fronteira e um embarque em aeronave particular na região de Puerto Iguazú. A divergência reforçou as dúvidas sobre o trajeto efetivamente percorrido, embora os interlocutores afirmassem que o senador já estava a caminho dos Estados Unidos.

Mudança de versão ocorreu ao longo da terça-feira

No começo da terça-feira, pessoas próximas a Flávio Bolsonaro afirmavam desconhecer seu paradeiro. Alguns aliados reagiram com ironia às notícias de que ele poderia ter viajado para os Estados Unidos, utilizando expressões como “Só se ele estiver louco” e “está vindo de foguete do Elon Musk”. As respostas refletiam a falta de informações compartilhadas naquele momento e a resistência inicial de parte do grupo em acreditar na hipótese de uma saída do país.

Ao longo do dia, a situação mudou, e interlocutores passaram a afirmar que o senador estava em um voo internacional com destino aos Estados Unidos. A informação também foi reforçada por uma declaração atribuída a uma autoridade americana à agência Reuters, segundo a qual Flávio estava a caminho do país. Mesmo com esse relato, os detalhes sobre a rota e a participação de autoridades americanas no planejamento continuavam dependendo de esclarecimentos adicionais.

Segundo os aliados, a decisão de viajar teria sido tomada na segunda-feira, 26 de outubro, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o recolhimento dos passaportes brasileiro e italiano do senador. Flávio possui cidadania italiana, e os interlocutores mencionaram a validade da documentação europeia como um fator relevante para compreender a possibilidade de deslocamento internacional. Entretanto, a situação jurídica dos documentos e as condições de entrada nos Estados Unidos são questões distintas, que dependem das regras aplicáveis em cada país.

Passaportes e ordem de Alexandre de Moraes

A viagem ocorreu em meio a uma decisão de Alexandre de Moraes que determinou a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro à Polícia Federal. O senador não cumpriu o prazo estabelecido para apresentar os documentos, e a corporação cancelou o passaporte brasileiro. A Polícia Federal também adotou medidas de monitoramento nas fronteiras para tentar verificar se ele havia deixado o território nacional e esclarecer as circunstâncias do possível deslocamento.

A existência de uma identidade ou documentação italiana válida não significa automaticamente que todas as restrições judiciais brasileiras deixem de produzir efeitos. Uma eventual saída do país precisa ser analisada à luz da decisão judicial em vigor, enquanto o ingresso nos Estados Unidos depende dos procedimentos e requisitos estabelecidos pelas autoridades americanas. Da mesma forma, o cancelamento do passaporte brasileiro não confirma, isoladamente, qual documento teria sido utilizado em um eventual embarque internacional.

A Polícia Federal emitiu um alerta para reforçar a vigilância nas fronteiras, mas os relatos de aliados indicavam que o senador já estaria em trânsito quando as informações se tornaram públicas. O momento exato da saída e o caminho utilizado continuavam sendo pontos centrais para esclarecer se houve descumprimento da ordem judicial. A confirmação desses aspectos depende das verificações oficiais, e não apenas das declarações de pessoas próximas à família.

Investigações criminais e possível pedido de asilo

Flávio Bolsonaro é citado em duas investigações criminais relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e outros possíveis delitos. Entre os assuntos mencionados nos relatos estão o caso envolvendo o Banco Master e as apurações sobre desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A existência das investigações não significa que as suspeitas estejam comprovadas, e a responsabilidade criminal depende da análise das provas e das decisões judiciais pertinentes.

Outro fator destacado na reportagem é o término do mandato de Flávio como senador pelo Rio de Janeiro, previsto para fevereiro de 2027. Com o fim do mandato, ele poderá perder o foro por prerrogativa de função perante o Supremo Tribunal Federal, conforme as regras aplicáveis à competência judicial e a natureza dos fatos investigados. Essa mudança poderá influenciar a tramitação dos procedimentos, mas não representa, por si só, uma decisão sobre o mérito das acusações.

A possibilidade de asilo político nos Estados Unidos passou a integrar os relatos divulgados pelos aliados, que afirmam que o governo Trump estaria disposto a conceder a proteção. Até que haja manifestação oficial ou documentação que comprove a abertura e o resultado de um procedimento, porém, não é possível tratar a concessão como uma decisão formalmente confirmada. O caso reúne, assim, a apuração sobre a saída do Brasil, o cumprimento das medidas judiciais e as informações ainda pendentes sobre a situação migratória do senador nos Estados Unidos.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *