De volta a Minas Gerais, Lula fez duras críticas a Flávio Bolsonaro e pediu para não ser comparado a ele

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a direcionar críticas ao senador Flávio Bolsonaro durante um ato de campanha realizado em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Na quinta-feira, 17 de setembro de 2026, o petista afirmou que não queria ser comparado ao adversário na disputa presidencial e declarou que preferia uma comparação com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala ocorreu diante de apoiadores e integrou uma agenda que também contou com candidatos aliados nas eleições deste ano.
Durante o discurso, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro “não é ninguém” e sustentou que a comparação deveria ser feita com o pai do senador, que ocupou a Presidência da República entre 2019 e 2022. Em seguida, o presidente fez referências às investigações relacionadas aos acontecimentos posteriores às eleições de 2022 e mencionou acusações envolvendo um suposto plano contra ele, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. As afirmações foram apresentadas por Lula como parte de sua argumentação política durante a campanha.
O episódio ocorreu em meio ao avanço da campanha presidencial de 2026 e à intensificação dos discursos entre Lula e Flávio Bolsonaro. O senador do PL passou a ser tratado pelo presidente como seu principal adversário na disputa, enquanto temas como o Banco Master, as relações políticas com os Estados Unidos e as investigações envolvendo integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a aparecer nos discursos. Paralelamente, Lula também tem utilizado atos públicos em diferentes estados para apresentar realizações de seus governos e defender a continuidade de seu projeto político.
Lula critica Flávio Bolsonaro durante ato em Minas Gerais
A manifestação foi feita durante uma caminhada e comício em Montes Claros, onde Lula esteve acompanhado de Patrus Ananias, candidato ao governo de Minas Gerais, e das candidatas ao Senado Marília Campos e Áurea Carolina. O evento foi organizado como parte da agenda eleitoral do presidente no estado, que voltou a receber atenção especial durante a campanha de 2026. Além das críticas aos adversários, Lula apresentou argumentos relacionados a programas e políticas públicas que, segundo ele, marcaram seus governos anteriores e a atual administração.
Ao falar diretamente sobre Flávio Bolsonaro, Lula estabeleceu uma comparação política diferente da que vinha sendo apresentada no debate eleitoral. Segundo o presidente, o confronto deveria levar em consideração seu histórico no governo federal e a administração de Jair Bolsonaro, e não apenas a trajetória parlamentar do senador. A declaração ocorreu um dia depois de Lula afirmar, em entrevista, que Flávio teria críticas a Alexandre de Moraes principalmente em razão das decisões relacionadas ao processo envolvendo Jair Bolsonaro, interpretação apresentada pelo próprio presidente.
Além disso, Lula relacionou o debate eleitoral a questões envolvendo soberania nacional e a atuação de Donald Trump no cenário brasileiro. Durante o discurso, o presidente afirmou que não pretendia “dar colher de chá” à direita e criticou setores que, segundo ele, buscariam apoio do presidente norte-americano para interferir na política brasileira. A declaração foi feita antes de uma viagem de Lula aos Estados Unidos, onde ele informou que participaria da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas e pretendia tratar da relação entre os dois países.
Comparação com Jair Bolsonaro entra no discurso de Lula
A referência a Jair Bolsonaro foi utilizada por Lula para sustentar uma comparação entre os períodos em que os dois estiveram à frente do governo federal. O presidente citou programas nas áreas de educação, saúde, habitação, renda e infraestrutura e afirmou que essas ações deveriam ser consideradas na avaliação de seu desempenho administrativo. Entre as iniciativas mencionadas estiveram universidades, institutos federais, escolas de tempo integral, Pé-de-Meia, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular e Mais Médicos.
Na mesma fala, Lula também mencionou acontecimentos relacionados às eleições de 2022 e ao processo que envolveu Jair Bolsonaro após o fim daquele pleito. O presidente afirmou que seu antecessor teria participado de uma tentativa de golpe e citou as investigações sobre um plano que, segundo a acusação apresentada no processo, previa ações contra integrantes das instituições brasileiras. Essas referências foram feitas como parte do discurso eleitoral e devem ser diferenciadas de conclusões judiciais específicas sobre cada uma das afirmações apresentadas pelo presidente.
Outro assunto incorporado ao discurso foi o caso envolvendo o Banco Master, que passou a aparecer nas declarações de Lula sobre Flávio Bolsonaro. O presidente também fez referência a investigações sobre descontos indevidos relacionados a aposentados e pensionistas do INSS e citou acusações e vínculos que atribuiu a integrantes do grupo político adversário. Essas questões fazem parte de diferentes investigações e debates públicos e, portanto, cada alegação precisa ser analisada de acordo com os documentos e procedimentos correspondentes.
Eleições de 2026 ganham novos temas no confronto
A declaração de Lula ocorre em um momento de forte disputa eleitoral e poucos meses antes da votação presidencial de 2026. Pesquisas divulgadas em setembro passaram a registrar uma disputa mais próxima entre Lula e Flávio Bolsonaro em alguns cenários, embora os resultados variem conforme instituto, metodologia, período de coleta e cenário apresentado. Esses levantamentos representam fotografias de determinados momentos da campanha e não constituem resultado eleitoral.
Enquanto a campanha avança, Lula tem concentrado parte de seus discursos na comparação entre administrações anteriores e atuais, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta sua própria agenda política e econômica como candidato do PL. Dessa maneira, temas como economia, segurança pública, programas sociais, relações internacionais, Banco Master e investigações judiciais passaram a ocupar espaço crescente na disputa. O confronto entre os dois candidatos deverá continuar sendo acompanhado por declarações públicas, entrevistas, debates e novas propostas ao longo do calendário eleitoral.
A fala de Montes Claros, portanto, representa mais um episódio da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2026. Ao rejeitar a comparação direta com o senador e direcioná-la para Jair Bolsonaro, Lula definiu no próprio discurso os termos que considera relevantes para o confronto eleitoral. Flávio Bolsonaro, por sua vez, permanece como candidato do PL à Presidência, e o debate entre os dois deverá continuar sendo marcado pela apresentação de propostas, críticas ao adversário e discussões sobre os governos anteriores.





