Deputado federal André Janones está com um canal no WhatsApp onde vem reunindo apoiadores de Lula

O deputado federal André Janones (Rede) afirmou que poderá ajudar a mudar o resultado da eleição presidencial caso o canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp, alcance 3 milhões de participantes. A declaração foi feita na quarta-feira, 7 de outubro, durante uma mobilização digital em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Janones, a quantidade de pessoas reunidas no canal poderá ser transformada em uma estrutura organizada de atuação nas redes sociais.
Janones afirmou que o canal já havia alcançado cerca de 1,5 milhão de pessoas e estabeleceu a marca de 3 milhões como próxima meta. Para o deputado, a iniciativa representa uma tentativa de ampliar a comunicação da campanha de Lula e alcançar usuários que não seriam atingidos pelas estruturas tradicionais de divulgação. Ele também declarou que essa mobilização seria uma maneira de furar a chamada bolha das redes sociais.
Ao comentar o crescimento do grupo, Janones fez uma declaração direta sobre a disputa eleitoral e disse que conseguiria “virar a eleição” para Lula se chegasse aos 3 milhões de integrantes. O deputado afirmou ainda que não se trataria apenas de uma quantidade de seguidores, mas de pessoas que poderiam ser mobilizadas para participar da estratégia digital. A afirmação ocorreu em meio à pressão para que a campanha petista ampliasse sua presença nas redes durante o segundo turno.
Janones aposta na mobilização digital
A estratégia defendida por Janones ganhou força depois do primeiro turno, quando Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na votação presidencial. O resultado levou aliados do presidente a defenderem mudanças na comunicação eleitoral, especialmente nas redes sociais, onde a campanha passou a buscar formatos mais diretos e com maior participação de apoiadores. Nesse cenário, o canal criado pelo deputado passou a ser apresentado como uma ferramenta de mobilização para o segundo turno.
Janones também afirmou que o canal vinha sendo alvo de denúncias que poderiam resultar em sua derrubada no WhatsApp. Segundo ele, foram registradas quase 1 milhão de denúncias contra o grupo nas 24 horas anteriores à declaração, sob a alegação de divulgação de notícias falsas. O parlamentar contestou a acusação e disse que o canal ainda estava em uma fase de mobilização e não havia sido utilizado para publicar notícias.
O deputado afirmou que a oposição estaria tentando impedir o crescimento do “Exército do Lula”, mas apresentou essa avaliação como parte de sua própria interpretação sobre a disputa digital. Janones disse que a mobilização poderia alcançar uma dimensão suficiente para influenciar a campanha caso chegasse aos 3 milhões de participantes. A estratégia, portanto, foi colocada pelo parlamentar como uma tentativa de transformar o alcance no WhatsApp em uma rede coordenada de divulgação de conteúdos eleitorais.
Canal busca ampliar comunicação de Lula
O “Exército do Lula” havia registrado crescimento acelerado desde sua criação, passando de cerca de 500 mil integrantes em menos de 24 horas para mais de 1 milhão de participantes nos dias seguintes. Janones passou a orientar os integrantes a convidarem outras pessoas para o canal e também buscou apoio de influenciadores e perfis com grande audiência. A intenção anunciada era ampliar a distribuição de mensagens favoráveis à candidatura de Lula durante o segundo turno.
Em entrevista à Folha, Janones também defendeu uma mudança na forma como Lula se comunica nas redes sociais. Segundo o deputado, vídeos mais simples, gravados com celular e mostrando situações cotidianas poderiam aproximar o presidente dos eleitores. A ideia apresentada por ele era substituir parte da comunicação produzida de maneira mais tradicional por conteúdos considerados mais espontâneos e adaptados ao ambiente digital.
A estratégia ocorre paralelamente às mudanças adotadas pela campanha de Lula depois do primeiro turno. O próprio presidente passou a publicar vídeos em formato selfie e convocou apoiadores a irem às ruas conversar com eleitores, em uma tentativa de ampliar a comunicação direta durante a nova etapa da disputa. Assim, a atuação de Janones no WhatsApp passou a integrar um movimento mais amplo de reforço da presença digital do candidato.
Janones diz que derrota da direita é inevitável
Além de estabelecer a meta de 3 milhões de integrantes para o canal, Janones declarou que considera “inevitável” a derrota de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O deputado pediu aos apoiadores de Lula que entrassem no grupo e confiassem na estratégia que estava sendo desenvolvida para as redes sociais. Ele também afirmou que pretendia demonstrar novamente, na eleição de 2026, uma capacidade de organização digital que atribuiu à atuação realizada durante a campanha de 2022.
Apesar da confiança manifestada pelo deputado, o alcance de um canal no WhatsApp não permite, por si só, determinar quantos participantes efetivamente votarão em determinado candidato ou se a mobilização produzirá transferência de votos. A marca de 3 milhões foi apresentada por Janones como uma meta de mobilização, enquanto seu eventual impacto sobre o resultado da eleição ainda não pode ser estabelecido. O canal segue sendo utilizado como uma das iniciativas digitais voltadas à campanha de Lula no segundo turno.





