Últimas Notícias

Presidente Lula disse que Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos só para falar mal do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom das críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, durante entrevista concedida ao Flow Podcast na noite de quinta-feira, 1º de outubro de 2026. Na ocasião, Lula afirmou que seu adversário seria um “vira-lata” ao relacionar a atuação de Flávio com a permanência de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. A declaração ocorreu em meio à reta final do primeiro turno das eleições e colocou novamente a relação entre política brasileira, governo norte-americano e soberania nacional no centro do debate eleitoral.

A fala foi feita enquanto Lula comentava as relações entre Brasil e Estados Unidos e as tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. Segundo o presidente, em vez de adotar uma postura de submissão diante de Washington, seu governo teria buscado novos parceiros comerciais e mantido negociações para defender os interesses brasileiros. Nesse contexto, a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos foi apresentada por Lula como parte de sua crítica ao grupo político ligado ao candidato Flávio Bolsonaro.

Além disso, a declaração ocorreu em uma noite marcada por mudanças na programação eleitoral, já que o debate presidencial que seria realizado pela TV Globo acabou cancelado após decisões judiciais e a desistência de candidatos. Lula havia informado que não participaria do encontro e, no mesmo horário, concedeu a entrevista ao Flow, enquanto Flávio também anunciou que não iria ao debate, alegando discordância de decisões relacionadas ao formato do evento. Assim, a entrevista acabou ganhando importância adicional na comunicação da campanha na reta final antes da votação.

Meu adversário é um vira-lata: Lula relaciona Flávio Bolsonaro aos EUA

Durante a conversa, Lula afirmou que seu adversário seria um “vira-lata” e imediatamente associou a expressão à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O presidente disse que Flávio teria mandado o irmão para o país norte-americano para falar contra o Brasil, apresentando essa atuação como uma questão relacionada à soberania nacional. A declaração, portanto, foi construída dentro de um discurso mais amplo sobre a relação entre o governo brasileiro e a administração de Donald Trump.

O episódio também foi relacionado por Lula às discussões envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro, e às negociações atribuídas a Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro. Reportagens recentes apontaram que mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil mencionaram tratativas para um aporte destinado ao projeto, enquanto Flávio afirmou que se tratava de investimento privado e negou utilização de dinheiro público. Dessa forma, as referências feitas durante a entrevista reuniram temas distintos que passaram a ser explorados politicamente na campanha presidencial.

Outro ponto citado por Lula foi a situação de Eduardo Bolsonaro, que permaneceu nos Estados Unidos durante o período de agravamento das relações entre Brasília e Washington. O ex-deputado teve sua demissão da Polícia Federal publicada em setembro, após processo administrativo disciplinar relacionado ao abandono do cargo, segundo informações divulgadas pela imprensa. Ao mencionar o assunto, Lula também afirmou que Eduardo seria preso caso retornasse ao Brasil, declaração que foi feita pelo presidente durante a entrevista e deve ser diferenciada de uma eventual decisão judicial sobre o caso.

Críticas de Lula entram no contexto da disputa presidencial

A declaração sobre Flávio Bolsonaro ocorreu poucos dias antes do primeiro turno e depois de uma sequência de confrontos políticos envolvendo os dois candidatos. Lula já vinha apresentando a eleição como uma disputa relacionada à soberania brasileira e às relações internacionais, enquanto Flávio Bolsonaro vinha concentrando parte de sua campanha em críticas ao governo petista e às instituições que considera responsáveis por restrições à sua atuação política. Nesse cenário, as críticas feitas durante o Flow foram incorporadas à estratégia de comunicação de Lula na reta final da campanha.

A participação no Flow também marcou uma alternativa ao debate que seria realizado pela Globo, posteriormente cancelado. De acordo com o Estado de Minas, Lula havia comunicado que não participaria do encontro, enquanto decisões do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal alteraram as condições inicialmente previstas para o programa, incluindo regras sobre candidatos ausentes e a participação de Renan Santos. A emissora afirmou que as decisões tomadas horas antes provocaram insegurança jurídica e classificou o episódio como uma interferência na liberdade de organização do debate.

O próprio Flow já havia recebido Lula em 2022, durante a reta final da eleição presidencial daquele ano, quando a entrevista conduzida por Igor Coelho, conhecido como Igor 3K, alcançou grande audiência. Agora, quatro anos depois, a participação voltou a ocorrer em um momento decisivo da disputa presidencial e foi utilizada para tratar de temas nacionais e internacionais. Portanto, a escolha do podcast também representou uma mudança no ambiente tradicional de exposição dos candidatos, com uma conversa mais longa substituindo a participação em um debate televisivo que acabou não acontecendo.

Relação com Trump e atuação de Eduardo Bolsonaro

Ao explicar a expressão utilizada contra Flávio Bolsonaro, Lula vinculou o assunto à relação de Eduardo Bolsonaro com autoridades norte-americanas e às discussões sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. O presidente afirmou que não pretendia romper o diálogo com Washington, mas defendeu que as negociações deveriam ocorrer com respeito à soberania brasileira. Paralelamente, Lula disse que poderia utilizar a chamada Lei da Reciprocidade Econômica para responder às medidas comerciais norte-americanas, embora tenha afirmado que o mecanismo ainda não havia sido colocado em prática.

A questão internacional, portanto, passou a ocupar espaço significativo no confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, especialmente pela proximidade política entre integrantes da família Bolsonaro e setores do governo Trump. Ao mesmo tempo, as afirmações feitas pelos candidatos pertencem ao contexto da disputa eleitoral e precisam ser diferenciadas de fatos comprovados, acusações formalmente investigadas e interpretações políticas apresentadas durante a campanha. Com isso, a expressão “vira-lata”, utilizada por Lula, deve ser compreendida como uma declaração política do candidato, e não como uma classificação objetiva sobre o adversário.

A entrevista ainda abordou outros assuntos, incluindo o caso envolvendo o Banco Master, a atuação do Judiciário, as apostas esportivas e a relação do Brasil com outras potências internacionais. Lula defendeu que eventuais irregularidades relacionadas ao caso Master fossem investigadas e citou diferentes autoridades ao falar sobre a necessidade de apuração. Assim, a participação no Flow acabou funcionando como um amplo espaço de exposição das posições do presidente-candidato, com críticas diretas a Flávio Bolsonaro e também discussões sobre temas econômicos e institucionais.

No cenário eleitoral de outubro de 2026, a troca de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorre em uma fase de elevada exposição dos candidatos e de intensa disputa pela comunicação com o eleitorado. A declaração de Lula sobre seu adversário ganhou repercussão justamente por reunir, em uma mesma fala, a disputa presidencial, a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e o conflito comercial entre Brasil e governo Trump. A partir desse episódio, a relação entre política externa e campanha eleitoral passou novamente a ocupar posição relevante no debate público brasileiro.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *