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Dezenas de soldados britânicos estão em treinamento para uma possível invasão às ilhas Malvinas

Tropas britânicas realizaram um exercício militar nas Ilhas Malvinas para simular uma operação de retomada do território em caso de uma eventual invasão argentina, segundo informações publicadas pelo jornal The Times e divulgadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026. A atividade durou seis dias e reuniu mais de 100 militares britânicos, além de integrantes da força de reserva local, em uma operação que reproduziu aspectos de ações militares realizadas durante a guerra de 1982. O treinamento aconteceu em um momento de agravamento das tensões diplomáticas entre o Reino Unido e a Argentina, especialmente em razão das declarações do presidente argentino Javier Milei sobre a reivindicação de soberania do arquipélago.

Entre as atividades realizadas pelos militares estavam um desembarque anfíbio, uma caminhada noturna de aproximadamente 32 quilômetros e exercícios de combate em áreas de terreno difícil, incluindo regiões abertas, pântanos e elevações rochosas. Segundo o relato divulgado pela CNN Brasil, os soldados também simularam ataques contra posições estratégicas, com apoio de aeronaves militares britânicas, reproduzindo procedimentos destinados a recuperar o controle de áreas consideradas importantes para uma operação de defesa. O exercício buscou aproximar os participantes das condições enfrentadas pelas forças britânicas durante o conflito de 1982, quando tropas argentinas ocuparam as ilhas e o governo britânico enviou uma força militar para retomar o território.

O comandante da companhia envolvida na atividade, major Nunkoosing, afirmou ao The Times que o treinamento permitiu aos soldados seguir os passos dos militares que participaram da campanha de 1982 e compreender parte das dificuldades enfrentadas naquela operação. Apesar da coincidência com o aumento das tensões políticas, uma fonte de defesa britânica ressaltou que o exercício fazia parte de atividades militares planejadas anteriormente e não havia sido organizado como resposta direta às declarações recentes do governo argentino. A realização da simulação, contudo, voltou a chamar atenção para a disputa territorial entre os dois países e para a manutenção da presença militar britânica no Atlântico Sul.

Como foi o treinamento militar nas Ilhas Malvinas

A operação incluiu o deslocamento de militares britânicos até a região de San Carlos, na Ilha Malvina Oriental, a bordo do navio HMS Medway, seguido de um desembarque com embarcações infláveis. Depois de chegar à costa, os participantes avançaram por terra durante a noite, percorrendo cerca de 32 quilômetros até uma área próxima a Goose Green, local considerado estrategicamente importante durante a guerra de 1982. Na simulação, os soldados estabeleceram uma posição de apoio e realizaram uma incursão contra um ponto que representava uma estrutura de comunicações do inimigo.

Durante a etapa seguinte, os militares contaram com apoio aéreo de caças Typhoon da Força Aérea Real britânica, empregados no exercício para reproduzir a coordenação entre tropas terrestres e aeronaves em uma operação de combate. Helicópteros S-29 também foram utilizados para transportar soldados e equipamentos, permitindo que os participantes prosseguissem para outras áreas do treinamento. Em uma nova fase, as tropas avançaram aproximadamente dez quilômetros em direção a Wireless Ridge, uma elevação próxima a Port Stanley que teve importância estratégica na campanha britânica de 1982.

Os exercícios envolveram combates simulados em curta distância e deslocamentos por terrenos expostos, com turfa, áreas alagadas e regiões rochosas que exigiam atenção durante a movimentação dos militares. A atividade foi descrita como uma operação de escala muito menor do que a campanha militar conduzida durante a guerra, embora tenha reproduzido elementos históricos do conflito. A participação de reservistas locais também fez parte do treinamento, reforçando a preparação conjunta entre os militares britânicos destacados para o arquipélago e integrantes da estrutura de defesa das ilhas.

Por que Argentina e Reino Unido disputam as Malvinas

As Ilhas Malvinas, conhecidas como Falkland Islands no Reino Unido, ficam no Oceano Atlântico Sul, a aproximadamente 500 quilômetros da costa continental argentina e a milhares de quilômetros do território britânico. O arquipélago é formado por duas ilhas principais, Malvina Oriental e Malvina Ocidental, além de centenas de ilhas menores, e possui uma população de alguns milhares de habitantes. A localização e a soberania sobre esse território são motivos de divergência entre Buenos Aires e Londres há décadas, com argumentos históricos e políticos apresentados por ambos os governos.

A Argentina sustenta que herdou a soberania sobre as ilhas da Espanha após conquistar sua independência e contesta a decisão britânica de reafirmar o controle do arquipélago em 1833. O Reino Unido, por sua vez, mantém a administração do território e defende que os habitantes das Malvinas devem ter o direito de decidir seu próprio futuro político. Em um referendo realizado em 2013, a maioria expressiva dos participantes votou pela manutenção do status das ilhas como território britânico ultramarino, resultado frequentemente mencionado pelo governo do Reino Unido em defesa de sua posição.

A disputa levou os dois países a uma guerra em 1982, depois que forças argentinas desembarcaram no arquipélago em abril daquele ano. O governo britânico, então liderado pela primeira-ministra Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa militar para recuperar as ilhas, e os combates terminaram em junho, após 74 dias, com a rendição argentina. O conflito provocou a morte de 649 militares argentinos, 255 militares britânicos e três habitantes das Malvinas, deixando marcas profundas nas relações entre os dois países e mantendo a questão territorial como um tema sensível na política argentina.

Declarações de Javier Milei aumentam a atenção sobre o arquipélago

A realização do treinamento coincidiu com declarações recentes de Javier Milei, que voltou a defender a reivindicação argentina sobre as Malvinas e afirmou que seu governo pretende recuperar a soberania do território. Em manifestações públicas, o presidente classificou a presença britânica nas ilhas como uma ocupação ilegítima e mencionou a possibilidade de agir para avançar na posição argentina sobre a disputa. Milei também declarou que pretende buscar uma solução pacífica, embora tenha reforçado a defesa histórica de Buenos Aires sobre o arquipélago.

Outro ponto de atrito envolve a exploração de petróleo nas proximidades das ilhas, atividade que provocou críticas do governo argentino a empresas envolvidas no setor. Milei anunciou medidas contra companhias relacionadas à extração de combustíveis fósseis na área reivindicada pela Argentina, enquanto a questão voltou a ocupar espaço nas discussões diplomáticas. O governo britânico mantém sua posição de que as ilhas pertencem ao Reino Unido, e a realização do exercício militar evidencia que a preparação defensiva permanece entre as atividades das forças britânicas no Atlântico Sul.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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