Em comício no Ceará, Flávio Bolsonaro tenta conquistar o voto do público LGBTQIA+

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fez um aceno à comunidade LGBTQIA+ durante um ato de campanha realizado em Fortaleza, no Ceará, na quarta-feira, 21 de outubro. Durante o evento conhecido como Bloco do 22, realizado nas proximidades da Arena Castelão, o senador pediu apoio de homossexuais e afirmou que essas pessoas seriam bem-vindas em um eventual governo. A declaração ocorreu na reta final da campanha para o segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, quando ele enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em seu discurso, Flávio afirmou que pessoas LGBTQIA+ fazem parte da sociedade brasileira e disse que pretende retribuir o carinho recebido durante a campanha. O candidato declarou que ninguém deveria interferir na maneira como cada pessoa escolhe ser feliz e prometeu que homossexuais teriam condições de prosperar como qualquer outro cidadão. A manifestação foi apresentada como uma resposta às críticas e às informações que, segundo ele, estariam circulando sobre suas possíveis posições em relação aos direitos dessa população.
A fala chamou atenção por ocorrer em meio à repercussão de declarações anteriores do próprio senador e de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobre a homossexualidade. O histórico de manifestações públicas da família Bolsonaro sobre o tema tem sido utilizado por adversários políticos para questionar a aproximação do candidato com eleitores LGBTQIA+. Na ocasião em Fortaleza, Flávio também abordou segurança pública, economia e programas sociais, procurando apresentar propostas e rebater críticas feitas por integrantes da campanha adversária.
Candidato afirma que pessoas LGBTQIA+ serão bem-vindas
Durante o ato, Flávio se dirigiu diretamente aos homossexuais presentes e afirmou que eles seriam sempre bem-vindos, acrescentando que fazem parte do Brasil. O senador também disse que não caberia a terceiros decidir como uma pessoa deveria viver sua felicidade e prometeu oportunidades de prosperidade para a comunidade LGBTQIA+. A declaração foi feita diante de apoiadores reunidos no entorno da Arena Castelão, em uma mobilização organizada para fortalecer sua campanha no Ceará.
O candidato aproveitou o discurso para contestar acusações de que pretendesse acabar com o Bolsa Família, prejudicar aposentados ou perseguir homossexuais caso chegasse à Presidência. Flávio classificou essas afirmações como mentiras atribuídas aos adversários e disse que não pretendia promover as mudanças que lhe eram imputadas. Entretanto, a declaração sobre acolhimento à comunidade LGBTQIA+ não veio acompanhada, naquele trecho do discurso, de um programa detalhado com medidas específicas voltadas à garantia ou à ampliação de direitos.
A aproximação com esse público já havia aparecido em outras manifestações da campanha, incluindo um vídeo publicado ao lado do influenciador Rico Melquiades. Na gravação, Flávio negou que pretendesse perseguir homossexuais e afirmou que não buscaria alterar direitos civis já reconhecidos, como a união estável entre pessoas do mesmo sexo. As declarações passaram a integrar a comunicação eleitoral do senador em um momento em que os candidatos tentavam ampliar suas bases de apoio antes da votação.
Histórico de declarações volta ao debate eleitoral
A manifestação em Fortaleza ocorreu em meio à discussão sobre declarações anteriores de integrantes da família Bolsonaro relacionadas à homossexualidade. Jair Bolsonaro fez comentários depreciativos sobre pessoas gays ao longo de sua trajetória política, enquanto Flávio também havia feito declarações controversas sobre o tema em 2011. Esse histórico voltou a ser mencionado na cobertura do aceno feito pelo senador à comunidade LGBTQIA+, levantando questionamentos sobre a mudança de tom observada durante a campanha.
A repercussão também ocorreu um dia depois de Marta Dora Grostein, mãe do apresentador Luciano Huck, publicar um vídeo em que declarou apoio a Lula e relatou ameaças sofridas por seu filho, o cineasta Fernando Grostein Andrade, por causa de sua orientação sexual. Segundo o relato de Marta, Fernando deixou o Brasil havia sete anos após receber ameaças de morte. A manifestação acrescentou um novo elemento ao debate político sobre intolerância e segurança de pessoas LGBTQIA+, embora não estabeleça, por si só, uma relação direta entre o episódio relatado e as declarações feitas por Flávio em Fortaleza.
Ao rebater críticas, o senador procurou transmitir a mensagem de que um eventual governo não interferiria nas escolhas pessoais dos cidadãos em relação à orientação sexual. A fala também buscou responder à percepção de que sua candidatura poderia representar uma ameaça aos direitos da comunidade, questão explorada por adversários durante a disputa presidencial. Até aquele momento, porém, o discurso de acolhimento não havia sido detalhado em um conjunto específico de compromissos legislativos ou políticas públicas direcionadas à população LGBTQIA+.
Segurança pública e economia também marcaram o ato
Além da mensagem dirigida à comunidade LGBTQIA+, Flávio defendeu medidas mais rigorosas na área de segurança pública. Entre as propostas mencionadas estavam a responsabilização de menores que cometem crimes como adultos e a possibilidade de castração química para autores de crimes sexuais. O senador também afirmou que pretendia combater organizações criminosas e prometeu uma atuação mais dura das forças policiais contra integrantes de facções.
Na área econômica, o candidato prometeu recuperar o poder de compra dos brasileiros e afirmou que as famílias teriam mais dinheiro disponível para atender às próprias necessidades. Ele também defendeu a ampliação do acesso à educação de qualidade e disse querer incentivar uma geração com maior autonomia financeira. Nos trechos do discurso divulgados pela imprensa, contudo, não foram apresentadas medidas detalhadas que permitissem avaliar como essas promessas seriam implementadas.
O ato contou com a participação do deputado federal André Fernandes (PL-CE), além de outras lideranças políticas alinhadas à candidatura do senador. Flávio também elogiou o governo de seu pai, criticou Lula e afirmou que pretendia derrotar o atual presidente nas urnas. A passagem por Fortaleza integrou a mobilização da campanha no Nordeste, região importante na disputa presidencial, e terminou com o candidato reforçando sua promessa de governar para os brasileiros, incluindo os integrantes da comunidade LGBTQIA+.





