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Em Washington, Eduardo Bolsonaro deixou claro que não tem intenção de retornar ao Brasil

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que não pretende retornar ao Brasil para cumprir a pena de quatro anos e dois meses de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, durante um evento em Washington, nos Estados Unidos, onde ele vive desde 2025. “Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não”, declarou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar sua situação judicial.

A manifestação ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar o início da execução da condenação e o cancelamento dos passaportes do ex-parlamentar. A pena foi aplicada pelo crime de coação no curso do processo, relacionado à atuação de Eduardo nos Estados Unidos contra integrantes do Judiciário brasileiro, conforme o entendimento firmado no julgamento. Com a decisão judicial, o caso entrou na fase de cumprimento da sentença, enquanto o ex-deputado permanece em território norte-americano e afirma que não pretende voltar ao país para cumprir a punição.

Durante a conversa com jornalistas, Eduardo também voltou a criticar Alexandre de Moraes e defendeu a saída do ministro do Supremo Tribunal Federal. O ex-parlamentar relacionou o assunto à disputa presidencial de 2026 e afirmou que, em sua avaliação, seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), teria dificuldades para governar caso fosse eleito presidente e Moraes permanecesse na Corte. As declarações foram feitas durante uma cerimônia em Washington que reuniu representantes da direita internacional, entre eles o presidente argentino Javier Milei.

Eduardo Bolsonaro diz que não vai retornar ao Brasil após condenação

A decisão de Eduardo Bolsonaro de permanecer nos Estados Unidos ocorre em meio às medidas determinadas pelo STF para executar a pena de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. Alexandre de Moraes declarou encerrada a possibilidade de apresentação de recursos no processo e determinou providências para o cumprimento da condenação, incluindo a expedição de mandado de prisão e o cancelamento dos documentos de viagem do ex-deputado. Na prática, a permanência do condenado fora do território brasileiro representa um obstáculo à execução imediata da pena, que continua pendente de cumprimento.

O processo está relacionado à atuação de Eduardo junto a autoridades norte-americanas em iniciativas que, segundo a acusação acolhida pelo Supremo, buscavam pressionar instituições brasileiras e interferir no andamento de processos judiciais. A investigação envolveu ações realizadas nos Estados Unidos durante o período em que o então parlamentar articulava medidas contra autoridades brasileiras, em meio às consequências internacionais do chamado tarifaço sobre produtos nacionais. Ao analisar o caso, o STF considerou que as condutas configuraram coação no curso do processo, entendimento que fundamentou a condenação criminal.

Eduardo, por sua vez, rejeita a condenação e afirma ser inocente, contestando a atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso. A decisão de não retornar ao Brasil foi apresentada publicamente durante o evento nos Estados Unidos, onde ele voltou a questionar a legitimidade das medidas judiciais adotadas contra si. O episódio amplia a repercussão política do processo, uma vez que envolve um integrante da família Bolsonaro, um ministro da principal Corte do país e discussões sobre a execução de decisões judiciais quando o condenado se encontra no exterior.

Eduardo Bolsonaro ataca Moraes e fala sobre eventual governo de Flávio

Além de declarar que não pretende cumprir a pena no Brasil, Eduardo Bolsonaro defendeu que Alexandre de Moraes deixe o Supremo Tribunal Federal. Ao comentar a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, o ex-deputado afirmou que não considera viável um governo do irmão com o ministro permanecendo na Corte. A declaração vinculou diretamente o conflito judicial à campanha eleitoral e às perspectivas de relacionamento entre um eventual governo do PL e o STF.

Eduardo também comentou a mobilização política em torno da candidatura do irmão e afirmou que o resultado da eleição não está garantido. Segundo ele, as pesquisas eleitorais podem indicar tendências, mas não determinam o resultado das urnas, razão pela qual a campanha precisaria continuar mobilizando apoiadores. A manifestação ocorreu na reta final da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro de 2026.

No mesmo evento, o presidente argentino Javier Milei fez críticas a Lula e manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, além de mencionar Jair Bolsonaro em seu discurso. Eduardo participou da cerimônia e afirmou que pretende fortalecer o diálogo com lideranças internacionais alinhadas à direita, incluindo representantes dos Estados Unidos e da Argentina. A presença de figuras políticas estrangeiras deu dimensão internacional ao encontro, realizado enquanto o ex-deputado enfrenta as consequências de sua condenação no Brasil.

Mandado de prisão e permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

A situação judicial do ex-deputado ganhou novos desdobramentos após a determinação de Alexandre de Moraes para o início do cumprimento da pena e a expedição do mandado de prisão. O ministro também ordenou o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos Estados Unidos desde 2025, depois de deixar o Brasil e se afastar de suas atividades parlamentares. Além disso, o ex-deputado perdeu o mandato por faltas às sessões da Câmara e foi demitido da Polícia Federal por abandono do cargo, conforme decisões administrativas divulgadas neste ano.

A declaração de que não retornará ao Brasil para cumprir a pena mantém o caso no centro das discussões sobre a aplicação de decisões judiciais a pessoas que se encontram fora do país. A execução da condenação dependerá das medidas legais cabíveis e das circunstâncias relacionadas à permanência de Eduardo no exterior, não sendo possível concluir que a declaração, por si só, altere os efeitos da sentença. Enquanto isso, o ex-deputado continua contestando publicamente a decisão do STF, ao mesmo tempo que utiliza suas manifestações políticas para criticar Alexandre de Moraes e defender a candidatura presidencial de seu irmão.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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