Equipes de resgate continuam trabalhando no local onde um prédio desabafou sobre uma casa em São Paulo

O desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, na zona leste de São Paulo, deixou cinco pessoas mortas. A tragédia aconteceu na madrugada de sábado, 12 de setembro, durante um período de fortes chuvas na capital paulista. O número de vítimas aumentou ao longo das horas conforme os bombeiros avançaram nas buscas pelos escombros.
A estrutura tinha 11 pavimentos e caiu por volta das 2h na Rua Tequici, atingindo diretamente uma residência vizinha. No imóvel moravam nove pessoas, que também utilizavam o espaço como oficina de costura. Duas pessoas foram resgatadas com vida, incluindo uma criança de 7 anos, enquanto outra vítima permaneceu desaparecida durante parte da operação.
Entre as primeiras vítimas encontradas estavam duas mulheres, sendo que uma delas estava grávida. Durante a noite de sábado, outros três corpos foram localizados sob os destroços, fazendo o total de mortos chegar a cinco. As equipes de emergência continuaram trabalhando para localizar a última pessoa ainda desaparecida.
Buscas mobilizaram dezenas de bombeiros em São Paulo
A operação de resgate mobilizou 59 bombeiros e 20 viaturas, além de equipes da Defesa Civil e agentes da Prefeitura de São Paulo. Cães farejadores foram utilizados para identificar pontos onde poderiam estar vítimas soterradas, enquanto os profissionais retiravam os materiais cuidadosamente para evitar novos deslocamentos. O trabalho avançou durante a noite com o auxílio de iluminação instalada no local.
A residência atingida pelo desabamento era ocupada principalmente por trabalhadores de origem boliviana. Segundo relatos divulgados durante o resgate, o imóvel servia simultaneamente como moradia e espaço de trabalho para uma oficina de costura. A destruição da casa deixou familiares e moradores da região acompanhando as buscas em meio à movimentação das equipes de emergência.
A ocorrência também provocou preocupação entre os vizinhos, que relataram ter ouvido um forte estrondo durante a madrugada. A queda aconteceu em meio a chuvas intensas que atingiram diferentes pontos da capital paulista. Apesar da coincidência entre o temporal e o desabamento, as autoridades ainda não apontaram a chuva como causa definitiva da queda.
Obra já havia sido alvo de fiscalização e ação judicial
A situação do imóvel passou a ser um dos principais pontos investigados após a tragédia. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a construção havia começado em 2019 sem alvará e foi alvo de fiscalizações, interdição e multas por irregularidades identificadas no terreno. A administração municipal também informou que uma ação judicial foi apresentada em 2021 para tentar interromper os trabalhos.
Em 2022, a construtora apresentou um novo projeto e, no ano seguinte, foi emitido um alvará condicionado à demolição da estrutura existente. Uma vistoria realizada em 2024 registrou que a exigência havia sido atendida, mas técnicos municipais voltaram ao endereço após o acidente e concluíram que a demolição não teria ocorrido da maneira indicada. A situação levou a Prefeitura a abrir uma investigação interna para esclarecer como a obra continuou no local.
A servidora responsável pela vistoria que havia registrado a demolição foi afastada por 30 dias. A medida ocorreu enquanto a Prefeitura e a Polícia Civil apuram possíveis falhas relacionadas ao acompanhamento da construção. A construtora New Home afirmou que também iniciou uma apuração interna e declarou que não há, neste momento, elementos para atribuir exclusivamente a ela a causa do desabamento.
Polícia Civil investiga responsabilidades pelo desabamento
A Polícia Civil acompanha o caso e deverá realizar perícias depois que a etapa de buscas for concluída. Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão as condições estruturais do prédio, o histórico de fiscalizações e o cumprimento das determinações impostas pelos órgãos públicos. A eventual responsabilidade de pessoas físicas ou jurídicas será analisada a partir das provas reunidas durante a investigação.
A Defesa Civil também avalia a influência das fortes chuvas registradas em São Paulo no momento da queda. Até agora, não foi estabelecido que o volume de água tenha provocado sozinho o colapso da estrutura. Com a conclusão dos trabalhos dos bombeiros, a perícia deverá ajudar a determinar quais fatores contribuíram para a tragédia.
O desabamento na Penha deixou cinco mortos e expôs uma sequência de questionamentos sobre a construção que atingiu a residência vizinha. Enquanto as autoridades investigam as causas e eventuais responsabilidades, as equipes de emergência concentram esforços na conclusão das buscas e na segurança da área. O caso deverá avançar agora para uma etapa de perícias e análise documental para esclarecer por que a obra permaneceu em funcionamento apesar do histórico de irregularidades apontado pela Prefeitura.





