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Flávio Bolsonaro divulgou uma nova carta e desta vez o senador acusou o Judiciário de perseguição

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma nova carta nas redes sociais neste domingo, 1º de novembro de 2026, na qual voltou a fazer acusações contra o Judiciário brasileiro e justificou sua saída do país após a derrota na eleição presidencial. Atualmente nos Estados Unidos, onde chegou acompanhado da família na quarta-feira, 28 de outubro, o parlamentar afirmou que não se arrepende de suas atitudes durante a disputa eleitoral e nos acontecimentos posteriores à votação. Em um dos trechos de maior repercussão do documento, intitulado “Nota ao Brasil”, Flávio declarou: “Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz”.

A manifestação foi divulgada em um momento de forte repercussão política, depois que a viagem do senador para os Estados Unidos passou a ser questionada por autoridades e adversários políticos. Flávio também criticou decisões judiciais tomadas contra ele, mencionou a situação do pai, Jair Bolsonaro, e afirmou que estaria sendo vítima de perseguição política no Brasil. Além disso, o parlamentar direcionou críticas à TV Globo, contestou a abordagem de uma reportagem exibida pelo Fantástico e anunciou que pretende conceder entrevistas a veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros.

A nova carta também representa uma tentativa de Flávio de apresentar sua versão sobre os acontecimentos que antecederam sua saída do território brasileiro e sobre as medidas judiciais que passaram a ser discutidas depois da eleição. O senador afirmou que deixou o país por razões políticas e não por interesses pessoais, utilizando a frase “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!” para justificar sua decisão. A declaração, entretanto, ocorre em meio a questionamentos sobre os deslocamentos realizados pela família, os documentos utilizados na viagem e as circunstâncias que permitiram sua chegada à Flórida.

“Não me arrependo de nada”: Flávio Bolsonaro acusa Judiciário

Na carta, Flávio Bolsonaro afirmou que recebeu uma decisão judicial com medidas cautelares poucas horas depois da divulgação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. Segundo sua versão, a decisão teria sido tomada apenas sete minutos depois do anúncio da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou o candidato do PL na disputa pelo Palácio do Planalto. O senador classificou a medida como resultado de perseguição política e afirmou que não considera o processo judicial justo ou imparcial.

Outro trecho da manifestação foi dedicado à visita que Flávio fez ao pai, Jair Bolsonaro, antes de deixar o Brasil, ocasião em que afirmou ter recebido uma intimação relacionada às medidas judiciais. O parlamentar descreveu a situação como um momento emocionalmente difícil e mencionou as condições de saúde do ex-presidente, que foi condenado a mais de 27 anos de prisão. Flávio também reclamou da distância entre o pai e outro filho, afirmando que a família estaria sendo prejudicada por decisões que considera arbitrárias.

O senador ainda direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), embora não tenha mencionado seu nome diretamente em todos os trechos da carta. Ao contestar a atuação das autoridades, Flávio afirmou que não deseja ser alvo de decisões que, em sua avaliação, representariam abusos de poder e violações de direitos individuais. Ele também utilizou uma referência a uma declaração de Cristiano Zanin, atual ministro do STF, feita em 2016, quando o magistrado atuava como advogado de Luiz Inácio Lula da Silva e questionava supostas violações de direitos humanos no país.

Flávio Bolsonaro critica Globo após reportagem do Fantástico

Uma parte importante da nova carta foi dedicada à Rede Globo, que, segundo Flávio, teria procurado sua equipe para oferecer uma entrevista exclusiva sobre os acontecimentos recentes. O senador afirmou que aceitou conversar com a emissora desde que a entrevista fosse exibida integralmente, sem cortes e sem restrições aos assuntos que poderiam ser abordados. Entretanto, de acordo com sua versão, a negociação não avançou porque a empresa não concordou com as condições apresentadas pelo parlamentar.

A crítica foi direcionada especialmente à reportagem exibida pelo Fantástico no domingo, 1º de novembro, que apresentou informações sobre a saída de Flávio do Brasil e a viagem realizada com familiares até os Estados Unidos. O senador reclamou que a produção preparou uma reportagem extensa sobre sua situação sem conceder a ele a oportunidade de apresentar sua versão diretamente ao público. Na carta, também questionou a postura da emissora e afirmou que, se o maior grupo de comunicação do país demonstrava receio de entrevistá-lo, não teria condições morais de julgar sua reputação.

A reportagem do Fantástico apresentou registros migratórios que apontaram três entradas de Flávio na Argentina em um intervalo de aproximadamente 40 minutos, na noite de 27 de outubro. Os registros ocorreram às 22h37, 22h40 e 23h11, sendo que o primeiro foi realizado com passaporte italiano e os outros dois foram associados a documentos brasileiros, posteriormente cancelados. O programa também mostrou informações sobre os deslocamentos da esposa e das filhas do senador, além de uma possível utilização de aeronave particular e uma escala em Guayaquil, no Equador, antes da chegada à Flórida.

Nova carta de Flávio Bolsonaro e planos de entrevistas nos Estados Unidos

A manifestação divulgada em novembro não foi a primeira carta publicada pelo senador depois da derrota eleitoral, pois outro documento havia sido apresentado em 28 de outubro, já durante sua permanência nos Estados Unidos. Naquela ocasião, Flávio chegou a se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter sido derrotado por Lula no segundo turno. Posteriormente, a expressão foi substituída por “líder do Brasil” em uma versão modificada do texto, que também passou por outras alterações antes de sua divulgação definitiva.

A nova manifestação, portanto, mantém o tom de confronto com as instituições brasileiras e reforça a intenção do senador de continuar atuando politicamente mesmo estando fora do país. Ao anunciar entrevistas sem cortes e sem restrições temáticas, Flávio sinalizou que pretende ampliar a divulgação de sua versão dos acontecimentos para veículos nacionais e internacionais. A declaração “Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz” resume a posição apresentada pelo parlamentar, que continua contestando as decisões judiciais e atribuindo sua situação a uma perseguição política, enquanto os questionamentos sobre sua saída do Brasil permanecem em discussão.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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