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Flávio Bolsonaro fez um pedido a Abelardo de la Espriella, presidente da Colômbia, durante uma videochamada

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ajuda ao presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para combater o tráfico de drogas e o crime organizado no Brasil. A solicitação foi feita durante uma conversa por videochamada entre os dois políticos, divulgada nesta quarta-feira, 7 de outubro, em meio à campanha para o segundo turno da eleição presidencial. Flávio afirmou que pretende adotar uma política considerada por ele como muito dura contra os criminosos e defendeu uma maior troca de informações entre os dois países.

Durante a conversa, o candidato do PL afirmou que precisará conversar com o presidente colombiano sobre os traficantes caso seja eleito. Flávio também propôs que criminosos colombianos presos no Brasil sejam entregues às autoridades da Colômbia, enquanto brasileiros detidos naquele país sejam encaminhados de volta ao Brasil. A proposta foi apresentada em razão da fronteira compartilhada pelos dois países e da atuação internacional das organizações envolvidas com o tráfico de drogas.

O encontro ocorreu justamente durante a disputa entre Flávio e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela Presidência da República. Os dois candidatos chegaram ao segundo turno depois de Flávio terminar a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A segunda votação está marcada para 25 de outubro, e a segurança pública aparece entre os temas apresentados por Flávio durante a campanha.

Flávio Bolsonaro fala sobre combate ao tráfico

Na conversa com Abelardo de la Espriella, Flávio afirmou que pretende implementar um regime muito duro contra o crime organizado no Brasil. O senador disse que os traficantes estariam preocupados com sua possível eleição e destacou a necessidade de estabelecer um intercâmbio de informações com as autoridades colombianas. A ideia apresentada pelo candidato envolve ampliar a cooperação internacional para identificar e combater integrantes de organizações criminosas que atuam nos dois territórios.

O presidente colombiano concordou com a necessidade de cooperação entre os países e afirmou que o problema das drogas possui dimensão global. De la Espriella destacou que a Colômbia produz grande parte da cocaína que circula internacionalmente e lembrou que os dois países possuem uma extensa fronteira na região amazônica. Segundo a AFP, a fronteira entre Brasil e Colômbia possui cerca de 1.600 quilômetros e é considerada porosa.

A proposta de Flávio também foi relacionada à intenção de ampliar a participação brasileira em iniciativas internacionais de combate ao narcotráfico. Em outra parte da conversa, o senador afirmou que gostaria de incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, uma iniciativa de cooperação de segurança liderada pelos Estados Unidos e formada por países latino-americanos. A proposta já havia sido apresentada pelo candidato como parte de sua estratégia para enfrentar organizações criminosas consideradas narcoterroristas.

Cooperação entre Brasil e Colômbia entra no debate

A aproximação com o governo colombiano ganhou espaço na campanha porque os dois países compartilham uma fronteira extensa e enfrentam problemas relacionados ao tráfico internacional de drogas. Durante a conversa, Flávio afirmou que a troca de informações poderia facilitar a identificação de criminosos que atravessam a fronteira entre as duas nações. A cooperação também foi apresentada como uma maneira de permitir que suspeitos sejam encaminhados às autoridades do país de origem.

A conversa ocorreu em um momento no qual a segurança pública passou a ocupar posição central nos discursos de Flávio para o segundo turno. A campanha do candidato tem defendido maior atuação contra facções criminosas e também pretende ampliar a mobilização em torno de propostas relacionadas ao combate ao tráfico. Entre as medidas apresentadas está a criação de mecanismos de controle e vigilância das fronteiras brasileiras.

O tema das fronteiras também aparece em avaliações de integrantes do Exército sobre um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Segundo informações publicadas pelo UOL, militares consideram necessária uma maior vigilância das áreas de fronteira para combater o tráfico de drogas, embora existam avaliações diferentes sobre o papel das Forças Armadas nessa atuação. Nesse contexto, a cooperação com outros países é apontada como uma possibilidade para ampliar o trabalho de inteligência e fiscalização.

Flávio defende aproximação com outros países

A conversa com o presidente da Colômbia também reforçou uma proposta de aproximação de Flávio com governos estrangeiros que adotam políticas mais rígidas contra organizações criminosas. O senador afirmou que pretende buscar acordos de cooperação e intercâmbio de informações para combater grupos que atuam em diferentes países. A iniciativa está relacionada ao discurso de campanha que coloca o combate ao tráfico e ao crime organizado entre suas principais prioridades.

Ao mesmo tempo, a proposta de participação do Brasil no Escudo das Américas representa uma mudança na forma como o candidato pretende tratar a cooperação internacional na área de segurança. A iniciativa reúne países latino-americanos em torno de ações contra organizações classificadas pelo grupo como narcoterroristas transnacionais, incluindo o PCC e o Comando Vermelho. Assim, a conversa com o presidente colombiano serviu para apresentar como Flávio pretende articular uma política de segurança que ultrapasse as fronteiras brasileiras.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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