Flávio Bolsonaro já avisou que descarta o irmão como chanceler, caso vença a eleição

A disputa pela liderança política do bolsonarismo ganhou um novo capítulo com as divergências entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em meio à campanha presidencial de 2026. Uma análise publicada pelo colunista Alexandre Borges, do portal UOL, aponta que as atitudes de Eduardo teriam provocado constrangimentos à campanha do irmão em momentos considerados importantes para seu desempenho nas pesquisas eleitorais. Segundo o colunista, a relação entre os dois passou a apresentar sinais de uma disputa silenciosa por espaço e influência dentro do grupo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O texto destaca que, em diferentes ocasiões, Eduardo teria adotado iniciativas capazes de desviar a atenção da campanha de Flávio ou criar dificuldades para sua estratégia eleitoral. Na avaliação apresentada por Borges, a repetição desses episódios levanta dúvidas sobre a existência de uma divergência mais profunda entre os irmãos, para além de diferenças pontuais de posicionamento. A análise também considera que uma eventual vitória de Flávio poderia alterar a distribuição de poder dentro do bolsonarismo, reduzindo a influência de Eduardo sobre decisões políticas e estratégias do grupo.
Um dos episódios mencionados ocorreu em junho, quando o governo de Donald Trump ameaçava adotar medidas comerciais contra o Brasil, em meio a tensões que incluíam discussões sobre o sistema de pagamentos Pix. Na ocasião, Eduardo sugeriu que o Zelle, sistema privado de transferências bancárias utilizado nos Estados Unidos, fosse colocado na mesa de negociação, apresentando-o como equivalente americano do Pix. A iniciativa provocou questionamentos sobre os possíveis efeitos políticos da proposta para Flávio, uma vez que o debate sobre tarifas e relações com Washington poderia atingir a imagem do senador durante a corrida presidencial.
Veto de Flávio a Eduardo e os efeitos na campanha presidencial
A análise de Alexandre Borges recupera uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho, segundo a qual 47% dos entrevistados responsabilizavam Flávio pelo chamado tarifaço. O resultado foi citado como exemplo das dificuldades políticas que poderiam surgir quando declarações ou propostas de integrantes da família Bolsonaro fossem associadas às negociações comerciais com os Estados Unidos. Nesse contexto, a participação de Eduardo nas discussões sobre o Zelle teria criado um problema adicional para a campanha do irmão, que precisava administrar os efeitos das tensões internacionais sobre sua imagem eleitoral.
Borges também relembra avaliações que publicou anteriormente sobre o comportamento político de Eduardo e sua relação com as perspectivas eleitorais de Flávio. Em um texto intitulado Eduardo Bolsonaro fez o Zelle, o colunista argumentou que uma derrota do senador em 2026 poderia atender aos interesses pessoais do deputado, interpretação que voltou a aparecer em sua análise mais recente. Em julho, no artigo Flávio está perdendo a direita, Borges também abordou a possibilidade de setores do bolsonarismo preferirem um resultado eleitoral desfavorável ao senador, caso isso preservasse espaço para outros projetos políticos dentro do grupo.
Outro ponto citado envolve as tentativas de reativar sanções americanas previstas na Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema que provocou divergências na estratégia política do grupo. Segundo a análise, integrantes da campanha de Flávio teriam demonstrado irritação com iniciativas atribuídas a Eduardo e a pessoas próximas a ele, diante do receio de que novas medidas dos Estados Unidos reforçassem o discurso de Lula em defesa da soberania nacional. A preocupação seria evitar que o debate sobre sanções estrangeiras deslocasse a discussão eleitoral para um terreno favorável ao presidente e prejudicasse a estratégia do senador.
Eduardo Bolsonaro e Flávio: declarações públicas contrastam com a análise política
Apesar das divergências descritas, Eduardo Bolsonaro declarou publicamente que permanece à disposição do irmão e que sua preocupação, naquele momento, estava concentrada na eleição de Flávio. Em entrevista ao SBT News, o deputado afirmou estar disponível para colaborar com a campanha e demonstrou apoio ao projeto presidencial do senador. Essas declarações indicam que, ao menos publicamente, Eduardo mantém uma postura de lealdade ao irmão, embora a análise de Borges interprete determinadas iniciativas políticas como sinais de uma relação mais conflituosa.
A diferença entre as manifestações públicas e as atitudes atribuídas ao deputado constitui o eixo central do argumento apresentado pelo colunista do UOL. Na avaliação de Borges, o avanço eleitoral de Flávio poderia restringir o espaço de Eduardo dentro do bolsonarismo, transformando-o em uma figura com menor capacidade de interferir nos rumos políticos do grupo. Essa interpretação, entretanto, representa uma análise sobre interesses e estratégias políticas, e não uma comprovação definitiva de que Eduardo esteja trabalhando deliberadamente contra a candidatura do irmão.
Disputa interna pode influenciar o futuro do bolsonarismo
A relação entre os irmãos Bolsonaro tem relevância porque ambos ocupam posições de destaque no campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, embora desempenhem papéis diferentes na disputa de 2026. Flávio concentra sua atuação na candidatura presidencial, enquanto Eduardo construiu parte de sua influência por meio de articulações políticas e contatos com setores conservadores no exterior. Eventuais divergências entre os dois podem afetar a coordenação da campanha e a maneira como aliados e apoiadores interpretam as prioridades do grupo.
O artigo de Alexandre Borges sustenta que o resultado eleitoral poderá modificar a relação de forças dentro do bolsonarismo, especialmente se Flávio consolidar sua posição como principal liderança eleitoral da família. Nesse cenário, Eduardo poderia perder espaço nas decisões estratégicas, enquanto uma derrota do senador abriria outras possibilidades para a disputa interna por influência. Por enquanto, as declarações públicas de apoio coexistem com as divergências apontadas pelo colunista, mantendo em evidência a relação entre os projetos políticos dos dois irmãos às vésperas da votação de segundo turno.





