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Flávio Bolsonaro recebeu o apoio de Aldo Rebelo e Mangabeira Unger, ex-integrantes do governo Lula

Dois ex-integrantes dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) declararam apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República na reta final da campanha eleitoral de 2026. Aldo Rebelo e Roberto Mangabeira Unger participaram de uma reunião reservada com o candidato em São Paulo, realizada na quarta-feira, 21 de outubro, para discutir propostas relacionadas ao futuro do país. A adesão dos dois ocorreu poucos dias antes do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, quando Flávio enfrentará Lula nas urnas.

A aproximação chamou atenção pelo histórico político dos dois ex-ministros, que ocuparam funções importantes durante administrações petistas e posteriormente se distanciaram do grupo político do presidente. Aldo Rebelo construiu sua trajetória no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), presidiu a Câmara dos Deputados e integrou diferentes ministérios nos governos Lula e Dilma. Mangabeira Unger, por sua vez, é professor de direito na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e comandou a Secretaria de Assuntos Estratégicos durante os governos dos dois presidentes petistas.

A reunião com Flávio foi realizada no aeroporto de Jundiaí, no interior paulista, e durou aproximadamente uma hora, segundo informações publicadas pelo Poder360 em 24 de outubro. Durante o encontro, os participantes discutiram temas como crescimento econômico, Amazônia, defesa nacional e política externa, com destaque para a soberania brasileira. Aldo afirmou que o senador ouviu as propostas apresentadas e disse que levaria as ideias em consideração, embora não tenha anunciado compromissos específicos decorrentes da conversa.

Aldo Rebelo ocupou ministérios nos governos petistas

Aldo Rebelo teve uma trajetória política marcada pela atuação parlamentar e pela participação em governos de diferentes orientações partidárias. Ligado ao PCdoB durante grande parte de sua carreira, ele presidiu a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007 e ocupou o Ministério da Coordenação Política durante o primeiro governo Lula. Na administração de Dilma Rousseff, comandou os ministérios do Esporte, da Ciência e Tecnologia e da Defesa, acumulando experiência em áreas distintas da estrutura federal.

Em 2026, Aldo tentou disputar a Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), mas deixou a corrida eleitoral após problemas internos no partido. Posteriormente, passou a integrar a campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD), assumindo a coordenação política da candidatura em julho. Antes disso, o ex-ministro já havia defendido a construção de uma alternativa à polarização entre os grupos políticos liderados por Lula e pela família Bolsonaro.

A declaração de apoio a Flávio ocorreu depois dessa passagem pela campanha de Caiado, que também anunciou apoio ao senador no segundo turno. A aproximação representa uma nova etapa na trajetória de Aldo, que passou por diferentes partidos e funções públicas depois de deixar os ministérios federais. Apesar das especulações sobre a possibilidade de participação em um eventual governo do PL, ele negou ter negociado cargos e afirmou que não recebeu convite para assumir o Ministério do Meio Ambiente.

Reunião abordou soberania, Amazônia e política externa

Segundo Aldo relatou à Folha de S.Paulo, a conversa partiu de uma solicitação de Flávio Bolsonaro e teve como objetivo apresentar opiniões sobre questões consideradas estratégicas para o Brasil. Entre os assuntos discutidos estavam a retomada do crescimento econômico, a situação da Amazônia, a defesa nacional e as relações internacionais. O ex-ministro afirmou que o candidato ouviu as sugestões e sinalizou que consideraria as ideias apresentadas durante o encontro.

Roberto Mangabeira Unger também participou da reunião e levou ao diálogo sua experiência como professor e ex-titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Ele integrou os governos petistas em períodos distintos, incluindo a gestão Lula entre 2007 e 2009 e a administração Dilma em 2015. Sua atuação acadêmica e política está relacionada a discussões sobre desenvolvimento nacional, organização institucional e planejamento estratégico, temas que se conectam à pauta de soberania discutida com o candidato do PL.

O professor de filosofia Gustavo Castañon, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), também esteve no aeroporto de Jundiaí, mas não participou da conversa reservada entre Flávio e os dois ex-ministros. Aliado de Ciro Gomes (PSDB), Castañon afirmou que a aproximação tinha como objetivo buscar compromissos do senador com a soberania nacional. Ele também defendeu que o Brasil mantenha autonomia nas relações com os Estados Unidos e a China, independentemente das afinidades políticas de seus governantes.

Apoio ocorre na reta final da disputa presidencial

Castañon justificou sua própria adesão à candidatura de Flávio principalmente pela oposição ao PT e declarou que não se considera bolsonarista, embora reconheça que possa ser identificado dessa maneira por causa de seu posicionamento eleitoral. O professor também ressaltou que não fala em nome de Ciro Gomes, que havia sido procurado pela campanha do senador, mas não tinha declarado voto no segundo turno até a publicação da reportagem. Ciro disputou o governo do Ceará em 2026 e foi derrotado pelo governador reeleito Elmano de Freitas (PT), que recebeu 53,19% dos votos válidos, contra 46,22% do ex-governador.

A manifestação de apoio de Aldo Rebelo e Mangabeira Unger integrou a articulação de Flávio Bolsonaro para reunir nomes de diferentes trajetórias políticas antes da votação decisiva. A campanha também buscou ampliar suas alianças com lideranças e grupos que não necessariamente pertencem ao núcleo tradicional do bolsonarismo, enquanto os ex-ministros apresentaram a soberania nacional como uma das questões centrais de sua aproximação com o candidato. O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 será realizado neste domingo, 25 de outubro, com Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva disputando a Presidência da República.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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