Flávio muda estratégia na reta final e prepara ofensiva contra Lula

Sob ofensiva do PT, Flávio prepara contra-ataque a Lula antes do 1º turno
A campanha presidencial entrou na fase mais sensível das eleições de 2026, e a disputa entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva ganhou um novo componente: o aumento dos ataques diretos entre as duas campanhas. A nove dias do primeiro turno, marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para 4 de outubro, a equipe de Flávio prepara uma ofensiva de comunicação para responder às críticas do PT e tentar impedir que o caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro domine o debate eleitoral. Segundo informações apuradas pela CNN, a estratégia deverá explorar investigações que atingem pessoas próximas ao presidente Lula, questionamentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e episódios de corrupção associados historicamente aos governos petistas. Assim, o embate deixa de ficar concentrado apenas em propostas sobre economia e segurança e passa a incorporar, com maior intensidade, acusações, investigações e episódios judiciais.
Sob ofensiva do PT, Flávio muda o tom da campanha
A mudança ocorre depois de uma primeira etapa da campanha na qual a comunicação de Flávio Bolsonaro procurou privilegiar assuntos relacionados ao cotidiano do eleitor. Quando o publicitário Duda Lima assumiu o comando do marketing, no fim de julho, a orientação divulgada era concentrar a propaganda em temas como custo de vida e segurança pública, enquanto os ataques pessoais a Lula teriam espaço mais limitado. A intenção, naquele momento, era construir uma imagem mais propositiva para o candidato do PL. Entretanto, a evolução do caso Master e a intensificação das críticas petistas alteraram o ambiente. Agora, de acordo com a apuração jornalística, a equipe de Flávio pretende ampliar o confronto direto. Dessa forma, a comunicação eleitoral deverá combinar propostas, críticas à administração federal e questionamentos sobre investigações envolvendo integrantes ou pessoas próximas ao governo. A estratégia também recupera uma fórmula tradicional da política brasileira: colocar os adversários na defensiva por meio da comparação de históricos, decisões e episódios controversos.
Lulinha e Marcola entram novamente no centro do discurso
Um dos principais eixos do contra-ataque será a exploração das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete pessoal de Lula. Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal relacionados a suspeitas de corrupção e tráfico de influência, enquanto a PF também apura a relação de Marcola com a lobista Roberta Luchsinger. Documentos analisados pela corporação apontaram pagamentos feitos por Luchsinger ao ex-assessor, que sustenta que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal já quitado e sem relação com sua atuação no governo. Lula, por sua vez, afirmou que acreditava na versão do empréstimo, embora tenha reconhecido que a conduta de seu ex-assessor precisava ser esclarecida. Portanto, ao transformar esse episódio em tema eleitoral, a campanha de Flávio deverá explorar uma investigação ainda em andamento, e não uma condenação definitiva. Essa distinção é relevante porque permite separar o conteúdo político das conclusões que eventualmente serão produzidas pelas autoridades responsáveis pela apuração.
Outro eixo da estratégia envolve o STF e, principalmente, a relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Documentos tornados públicos no âmbito das investigações do Banco Master registraram mensagens entre o ex-banqueiro e o magistrado, enquanto o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, manteve contrato com o antigo Banco Master que previa pagamentos de aproximadamente R$ 131 milhões. O escritório afirma ter prestado serviços jurídicos ao banco, e a existência do contrato, por si só, não estabelece irregularidade. Ainda assim, o episódio passou a ser utilizado politicamente por Flávio e por seus aliados para questionar a atuação do STF e aproximar Lula das controvérsias envolvendo a Corte. Nesse contexto, a campanha deverá tentar transformar um tema institucional e jurídico em uma questão eleitoral, associando diferentes acontecimentos que envolvem o governo, o Judiciário e o Banco Master. Ao mesmo tempo, a propaganda também pode resgatar referências ao Mensalão e à Lava Jato para reforçar uma narrativa de oposição ao PT, embora esses casos envolvam acontecimentos, personagens e períodos distintos e não permitam, por si só, atribuir responsabilidade criminal individual sem decisão judicial específica.
Caso Master amplia pressão sobre Flávio Bolsonaro
Enquanto tenta explorar problemas relacionados ao adversário, Flávio enfrenta sua própria exposição no caso Master. Em julho, foi aberto no STF um inquérito para investigar sua participação no financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal pediu a apuração de possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos relacionados aos recursos destinados ao projeto. Segundo documentos divulgados posteriormente, a PF identificou mensagens entre Flávio e Vorcaro e investiga a negociação de recursos para a produção cinematográfica. Flávio nega irregularidades e sustenta que não houve ilegalidade em sua atuação. Portanto, a investigação ainda não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal do senador, mas passou a ser um dos principais elementos utilizados pelo PT para questionar sua relação com o ex-banqueiro. Politicamente, o problema para a campanha do PL está justamente na dificuldade de separar o candidato de um assunto que passou a ocupar espaço relevante no noticiário durante a reta final.
Avião, Robson Calixto e as novas frentes de desgaste
A situação ganhou ainda mais repercussão nesta semana com duas revelações. A primeira envolve uma investigação da PF que identificou negociações, em 2023, entre uma assessora de Flávio e Robson Calixto, conhecido como “Peixe”. Calixto foi condenado pelo STF a nove anos de prisão por integrar organização criminosa no processo relacionado ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes; diferentemente dos irmãos Brazão e de outros réus, sua condenação não foi pelos homicídios. A PF também apura se emendas destinadas a entidades ligadas aos irmãos Brazão foram desviadas, enquanto Flávio afirma que o repasse parlamentar ocorreu dentro da legislação. A segunda revelação envolve o voo realizado por Flávio, sua família e Willer Tomaz em janeiro de 2025, entre Fort Lauderdale e Brasília. O Legacy 650, de prefixo PP-NLR, tinha propriedade compartilhada e uma das cotas estava ligada à Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio. Tomaz afirma, contudo, que era proprietário de outra cota e que solicitou e pagou integralmente aquela viagem. O avião também foi usado meses depois por Alexandre de Moraes, o que ampliou a repercussão política do episódio.
Reta final será marcada pelo confronto direto
A combinação desses episódios explica por que a reta final da campanha tende a ser mais agressiva no campo da comunicação. De um lado, o PT utiliza a relação de Flávio com Vorcaro, as investigações sobre “Dark Horse”, o episódio do avião e as informações envolvendo Robson Calixto para tentar ampliar o escrutínio sobre o candidato do PL. De outro, Flávio pretende usar as investigações contra Lulinha e Marcola, as controvérsias envolvendo o STF e casos históricos associados ao PT para deslocar o foco para Lula. Além disso, a antiga investigação sobre “rachadinha” continua sendo mencionada no debate eleitoral, embora o caso criminal tenha sido encerrado depois que provas centrais foram anuladas pelo STF e pelo STJ, o que impede que o episódio seja tratado simplesmente como uma investigação criminal atual contra o senador. Nesse cenário, o que está em disputa não é apenas a interpretação de cada investigação, mas também qual conjunto de fatos dominará a percepção do eleitor nos últimos dias antes da votação. Pesquisas recentes mostram uma corrida apertada: a Atlas/Bloomberg registrou Lula com 45,8% e Flávio com 43,4% no primeiro turno, dentro da margem de erro de um ponto, enquanto o PoderData/Aya apontou 41% para Lula e 39% para Flávio, com margem de 1,8 ponto. Os levantamentos são fotografias de momentos específicos e não representam previsão do resultado.





