Últimas Notícias

Frente Parlamentar da Agropecuária é a maior do Congresso Nacional e já decidiu quem irá apoiar

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) anunciou nesta quinta-feira, 1º de outubro, apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A manifestação ocorreu a apenas três dias do primeiro turno das eleições de 2026 e foi formalizada por meio de uma carta entregue pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) ao candidato durante uma transmissão ao vivo. A decisão marcou uma mudança na postura da bancada, que até então mantinha neutralidade na disputa presidencial.

A FPA é formada por 345 deputados e senadores e é considerada a maior bancada temática do Congresso Nacional. Segundo a entidade, o apoio foi decidido a partir da avaliação de que as diretrizes do plano de governo de Flávio Bolsonaro apresentam convergência com as prioridades e demandas do setor agropecuário. Na carta, a frente também afirmou esperar que, a partir de 2027, sejam construídas no Congresso medidas voltadas para estabilidade e previsibilidade econômica.

Durante a transmissão, Tereza Cristina afirmou que o apoio reunia deputados e senadores integrantes da frente e pediu mobilização dos produtores rurais para a votação de domingo. Flávio Bolsonaro agradeceu a manifestação e afirmou que pretende manter compromisso com o agronegócio, citando a ampliação de recursos para o Plano Safra e para o seguro rural. As declarações foram feitas no contexto da reta final da campanha presidencial.

Bancada do agro antecipa decisão eleitoral

A escolha da FPA ocorreu antes do primeiro turno, diferentemente da estratégia adotada pela bancada em 2022. Naquela eleição, o grupo declarou apoio formal à candidatura de Jair Bolsonaro apenas no segundo turno, depois de o então presidente avançar para a etapa final da disputa. Agora, a definição foi tomada ainda na primeira etapa, quando diferentes candidatos ligados ao setor também participam da corrida presidencial.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a decisão foi discutida pela diretoria da entidade e relacionou o posicionamento ao cenário político e econômico do país. Entre as questões apontadas por ele estavam o custo de produção, o endividamento rural, dificuldades relacionadas ao abastecimento de diesel e a renegociação de dívidas. Lupion também criticou medidas do governo federal e afirmou que o setor produtivo enfrenta dificuldades que contribuíram para a decisão da bancada.

Outro fator citado nas informações divulgadas sobre a decisão foi a participação de integrantes da própria FPA na elaboração das propostas de Flávio Bolsonaro para o agronegócio. Tereza Cristina e Pedro Lupion participaram das discussões relacionadas ao setor, enquanto o próprio candidato é integrante da frente na condição de senador. Dessa forma, o apoio foi apresentado pela entidade como resultado de uma convergência entre as propostas da campanha e as prioridades defendidas pela bancada.

Flávio Bolsonaro promete ampliar recursos para o agro

Ao receber a carta, Flávio Bolsonaro afirmou que seu projeto para o setor inclui mais recursos para o Plano Safra e para o seguro rural. O candidato também declarou que esses recursos não seriam contingenciados pelo governo, apresentando a medida como parte de seu compromisso com produtores e empresas do agronegócio. As promessas foram feitas durante a live em que recebeu oficialmente o documento de apoio da FPA.

A manifestação da bancada também ocorreu em meio à reta final de uma eleição que reúne candidatos com diferentes vínculos com o agronegócio. Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo, é produtor rural, já presidiu a União Democrática Ruralista e construiu parte de sua trajetória política ligada a pautas do setor. Mesmo nesse cenário, a FPA decidiu formalizar o apoio a Flávio Bolsonaro antes da votação do primeiro turno.

Em sua carta, a Frente Parlamentar da Agropecuária afirmou que pretende contribuir para a construção de um ambiente econômico de estabilidade, previsibilidade e prosperidade. A entidade também destacou a segurança alimentar e a continuidade da atividade no campo como objetivos associados ao seu posicionamento. Com a declaração, a FPA passou a ter uma posição formal na disputa presidencial de 2026, deixando de lado a neutralidade que mantinha até então.

Apoio do agro ocorre a três dias da eleição

A decisão foi anunciada em um momento de intensa movimentação das campanhas, com os candidatos concentrando esforços nos últimos dias antes do primeiro turno. A antecipação do posicionamento da FPA diferencia a eleição de 2026 do comportamento adotado pela entidade em 2022, quando o apoio ao candidato da direita foi formalizado somente na segunda etapa. O movimento também coloca o posicionamento da maior bancada temática do Congresso entre os acontecimentos políticos da reta final da campanha.

Com a declaração, Flávio Bolsonaro passa a contar formalmente com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária, que reúne centenas de parlamentares de diferentes partidos. A entidade justificou a escolha pela convergência entre as propostas do candidato e as prioridades apresentadas pelo setor, enquanto o candidato reafirmou compromissos relacionados ao Plano Safra e ao seguro rural. A votação do primeiro turno ocorrerá neste domingo, 4 de outubro, quando os eleitores escolherão entre os candidatos que disputam a Presidência da República.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *