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Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas disse que Flávio garantiu que não será candidato à reeleição

A promessa de Flávio a Tarcísio ganhou novo peso no cenário político brasileiro justamente quando a eleição presidencial de 2026 entra em sua fase decisiva. Segundo relato atribuído ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o candidato do PL à Presidência teria assegurado que não pretende disputar um segundo mandato caso seja eleito, mesmo se a mudança constitucional defendida por ele não for aprovada pelo Congresso. A declaração chama atenção porque, além de envolver dois dos principais nomes da direita brasileira, também projeta desde já uma possível disputa presidencial em 2030.

O compromisso teria sido relatado por Tarcísio a aliados e está relacionado à proposta de Flávio Bolsonaro para acabar com a possibilidade de reeleição no Poder Executivo. Inicialmente, a proposta foi apresentada como uma mudança constitucional capaz de estabelecer novas regras para as eleições presidenciais e, em determinadas versões, ampliar o mandato para cinco anos sem direito a uma nova candidatura consecutiva. Na prática, porém, a promessa atribuída a Flávio tem significado político ainda maior, pois poderia deixar o caminho aberto para que Tarcísio transformasse sua força em São Paulo em uma candidatura nacional.

A situação se tornou mais relevante depois que Tarcísio foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, com 62,65% dos votos válidos, resultado oficialmente confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Além disso, o governador passou a participar de diversas agendas ao lado de Flávio durante a campanha presidencial, inclusive em diferentes estados, consolidando publicamente uma aliança que, até pouco tempo atrás, era observada com cautela por setores do próprio bolsonarismo. Assim, a promessa de Flávio a Tarcísio deixou de ser apenas uma questão eleitoral imediata e passou a ser interpretada como parte de uma possível arquitetura política para a próxima década.

Promessa de Flávio a Tarcísio e o cenário de 2030

A relação entre os dois políticos precisa ser compreendida a partir das escolhas feitas pela direita durante a preparação para a eleição de 2026. Tarcísio chegou a ser considerado um dos nomes mais competitivos para disputar a Presidência, mas Jair Bolsonaro decidiu apoiar o próprio filho, Flávio, para representar o grupo na corrida ao Palácio do Planalto. Posteriormente, Flávio passou a reconhecer publicamente Tarcísio como um dos principais quadros da centro-direita e afirmou que apoiaria uma eventual candidatura do governador à Presidência em 2030.

Essa aproximação não aconteceu por acaso e foi construída ao longo de meses, enquanto Tarcísio buscava preservar sua relação com o grupo bolsonarista sem abandonar o próprio projeto político. Em abril, por exemplo, o governador declarou ser favorável ao fim da reeleição e afirmou que o mecanismo estaria fazendo mal ao país, manifestação que coincidiu com a apresentação da proposta de Flávio no Senado. Naquele momento, a iniciativa já era interpretada por aliados como uma forma de sinalizar a governadores e lideranças políticas que uma eventual vitória de Flávio não necessariamente bloquearia seus projetos presidenciais futuros.

Agora, depois da reeleição de Tarcísio em São Paulo, a equação política ficou ainda mais clara. O governador terá quatro anos para administrar o maior estado brasileiro, ampliar sua projeção nacional e construir uma identidade política própria, enquanto Flávio, caso eleito presidente, poderá decidir se pretende cumprir o compromisso anunciado ou buscar uma mudança constitucional que permita outra estratégia. A força eleitoral demonstrada por Tarcísio também foi considerada relevante para seus planos futuros, já que sua vitória expressiva consolidou sua posição como uma das principais lideranças da direita nacional.

O fim da reeleição pode mudar a política brasileira

A proposta defendida por Flávio Bolsonaro não deve ser analisada somente como uma promessa pessoal a Tarcísio, porque o fim da reeleição envolve uma discussão institucional muito mais ampla. Uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, com apoio de três quintos dos parlamentares em cada Casa, de modo que nenhum presidente conseguiria alterar sozinho as regras que definem sua própria permanência no poder. Por isso, mesmo que exista compromisso político, sua transformação em regra constitucional dependerá de negociações com partidos, governadores, deputados e senadores.

O assunto também passou a encontrar algum respaldo na opinião pública, embora não exista consenso sobre qual modelo deveria substituir o atual. Pesquisa Datafolha divulgada em outubro apontou que 51% dos entrevistados preferem o fim da reeleição para cargos executivos, enquanto 46% defendem a manutenção do sistema atual de quatro anos com possibilidade de um segundo mandato. Dessa maneira, o debate deixou de ser exclusivamente uma ferramenta de campanha e passou a envolver uma discussão sobre continuidade administrativa, alternância de poder e incentivos eleitorais.

Ao mesmo tempo, existe uma questão política que não pode ser ignorada: promessas de longo prazo precisam ser avaliadas à luz das circunstâncias que estarão presentes em 2030. O próprio discurso de Flávio sobre a reeleição já foi analisado com cautela por observadores, especialmente porque uma mudança constitucional depende de uma maioria parlamentar que pode não existir após a eleição. Por isso, a promessa de Flávio a Tarcísio possui valor político imediato, mas sua efetivação deverá ser acompanhada ao longo do próximo mandato e confrontada com as decisões que forem tomadas no Congresso.

O que a promessa representa para Tarcísio

Para Tarcísio de Freitas, o principal efeito da promessa é a preservação de uma possibilidade que ganhou força desde sua primeira eleição para o governo paulista. Como ele não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo no estado depois do período iniciado em 2027, uma candidatura a outro cargo em 2030 naturalmente passa a fazer parte das alternativas disponíveis, entre elas uma eventual disputa pelo Palácio do Planalto. Essa perspectiva já vinha sendo discutida antes mesmo da eleição, quando Tarcísio admitiu que talvez pudesse disputar a Presidência no futuro.

Para Flávio Bolsonaro, por outro lado, o compromisso pode ajudar a organizar sua relação com uma liderança que possui capital eleitoral próprio e capacidade de influência dentro da direita. Tarcísio já demonstrou disposição para participar da campanha presidencial e, depois da vitória em São Paulo, tornou-se ainda mais relevante para a estrutura política que poderá sustentar um eventual governo do PL. Portanto, a promessa de Flávio a Tarcísio representa, ao mesmo tempo, uma sinalização de confiança entre aliados e uma aposta de longo prazo, cujo resultado dependerá não apenas da eleição de 2026, mas também das escolhas políticas feitas nos quatro anos seguintes.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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