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Governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho passou mal no Senado quando discursava contra a escala 6×1

Cleitinho se emocionou e passou mal no Senado nesta quinta-feira (15), depois de fazer um discurso marcado por críticas à escala de trabalho 6×1 e por um tom de despedida diante da possibilidade de deixar a Casa. O senador e governador eleito de Minas Gerais apresentou um pico de pressão arterial e frequência cardíaca elevada após o pronunciamento, sendo encaminhado para atendimento médico. Apesar do susto, exames realizados posteriormente tiveram resultados normais, e o parlamentar foi liberado após receber medicação, hidratação e apresentar melhora.

O episódio ocorreu no plenário do Senado Federal, em Brasília, durante uma fala na qual Cleitinho também criticou as condições enfrentadas pelos trabalhadores brasileiros e fez comparações com a rotina dos próprios parlamentares. O senador afirmou que trabalhadores submetidos à escala 6×1 enfrentam jornadas pesadas enquanto políticos, na avaliação dele, não teriam autoridade moral para cobrar esforço da população. Além disso, ele aproveitou o momento para questionar benefícios disponíveis aos parlamentares e defender uma valorização maior de quem trabalha diariamente para sustentar a economia.

A emoção aumentou quando Cleitinho mencionou que aquela poderia ser sua última fala no Senado, já que foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno das eleições de 2026. Ao agradecer à família, aos assessores e aos eleitores, o senador também recordou perdas pessoais, incluindo a morte do pai e do irmão Matheus, relacionando sua trajetória política à fé e ao apoio recebido de pessoas próximas. Dessa maneira, o discurso acabou reunindo três elementos distintos: a defesa dos trabalhadores, a crítica à classe política e um momento pessoal de despedida.

Cleitinho se emociona ao falar da escala 6×1

Durante o pronunciamento, Cleitinho voltou a defender o fim da escala 6×1 e afirmou que a classe política não teria moral para exigir sacrifícios dos trabalhadores. Segundo o senador, pessoas que recebem salários baixos são obrigadas a cumprir jornadas extensas, enquanto parlamentares possuem uma estrutura de benefícios e uma rotina que, na avaliação dele, não seria comparável à enfrentada pela maioria da população. A crítica ganhou força porque o tema havia acabado de avançar no Senado, onde a proposta de mudança na jornada de trabalho foi aprovada em dois turnos com ampla maioria.

A votação ocorreu na quarta-feira (14), um dia antes do discurso de Cleitinho, e resultou em 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada turno. A proposta aprovada prevê a substituição gradual da jornada máxima de 44 horas semanais por uma carga de 40 horas, com dois dias de descanso remunerado, alterando o modelo tradicional da escala 6×1. Além disso, a transição foi prevista de forma gradual, com a jornada passando inicialmente para 42 horas semanais antes de chegar às 40 horas, sem redução salarial.

Nesse contexto, o discurso de Cleitinho ganhou uma dimensão política ainda maior porque o senador deixará o Congresso para assumir o comando do governo de Minas Gerais. Durante a fala, ele também cobrou humildade do governador em exercício, Mateus Simões, na condução da transição entre os governos e afirmou que pretende realizar auditorias em contratos da administração estadual. Portanto, além de defender o fim da escala 6×1, Cleitinho aproveitou seu possível último pronunciamento no Senado para apresentar parte do discurso que pretende levar para o Palácio Tiradentes.

Cleitinho passa mal após discurso no Senado

Pouco depois de concluir o pronunciamento, Cleitinho informou que estava “um pouco acelerado” e que faria uma avaliação médica, deixando o plenário para receber atendimento. De acordo com a assessoria do senador, foi identificado um pico de pressão arterial acompanhado de frequência cardíaca elevada, situação que motivou a realização de exames para verificar seu estado de saúde. O parlamentar passou por eletrocardiograma e exames de enzimas cardíacas, ambos com resultados considerados normais pela equipe médica.

Após receber medicação e hidratação, Cleitinho apresentou melhora e foi liberado em bom estado, com orientação de repouso. A informação é relevante porque, apesar da repercussão do episódio, não foi informado um diagnóstico de problema cardíaco grave relacionado ao mal-estar ocorrido no Senado. Assim, o atendimento médico serviu para avaliar os sintomas apresentados após um discurso emocional e evitar que o episódio fosse tratado apenas como consequência do desgaste político ou emocional.

A emoção durante a fala também pode ser compreendida pelo momento de transição vivido pelo senador, que deixará uma posição nacional para assumir pela primeira vez o comando do Executivo mineiro. Ao lembrar que trabalhou vendendo verduras antes de entrar na política, Cleitinho buscou reforçar a própria identificação com trabalhadores e pessoas de origem popular, uma característica importante de sua trajetória pública. Ao mesmo tempo, ele afirmou que pretende formar uma equipe para administrar Minas Gerais e trabalhar pela pacificação política no estado, embora tenha antecipado que erros e dificuldades poderão ocorrer durante sua gestão.

O que muda para Cleitinho após a eleição em Minas

A passagem de Cleitinho pelo Senado chega ao fim em um momento de forte exposição política, justamente quando a discussão sobre a escala 6×1 ganhou novo impulso no Congresso Nacional. Eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, o senador deverá assumir uma posição diferente daquela exercida durante sua carreira parlamentar, passando a responder diretamente pela administração de um dos maiores estados brasileiros. Por isso, o discurso de despedida pode ser interpretado também como uma apresentação antecipada das prioridades que pretende levar para o governo estadual.

O episódio no Senado, portanto, reuniu emoção pessoal, debate trabalhista e preparação para uma nova etapa política. Embora tenha passado mal após o discurso, Cleitinho foi atendido, realizou exames com resultados normais e recebeu alta em boas condições, segundo sua assessoria. Agora, enquanto se prepara para assumir o governo de Minas Gerais, o senador eleito governador terá pela frente o desafio de transformar o discurso de defesa dos trabalhadores e de combate a privilégios em medidas concretas na administração estadual.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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