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INSS, salário mínimo, dívidas: As novas promessas de Flávio que replicam o governo de Lula

Após ultrapassar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a primeira semana da campanha do segundo turno com uma série de declarações que trazem novidades em relação ao que havia sido apresentado até então. Em diversos temas, suas afirmações revelam pontos de aproximação com políticas implementadas pelo atual governo — uma mudança que tem chamado a atenção de analistas e eleitores. A seguir, o que foi anunciado e o que ainda precisa ser esclarecido.

Salário mínimo com ganho real

Em resposta à reportagem da revista VEJA, a equipe de Flávio Bolsonaro confirmou que o salário mínimo será reajustado acima da inflação. “O salário mínimo será reajustado acima da inflação para repor as perdas ocasionadas pelo caos econômico do governo Lula”, diz a nota. Curiosamente, essa é uma das marcas mais reconhecidas da gestão petista: Lula criou a política de valorização do piso em 2004 e a retomou em 2023. Já no governo de Jair Bolsonaro, não houve ganho real. A diferença é que, enquanto Lula apresentou isso como política de Estado em seu programa oficial, Flávio ainda não detalhou como pretende garantir essa correção anual nem em que medida ela se diferenciará da prática atual.

Aposentadorias e benefícios também acima da inflação

Na quinta-feira (8), ao responder a jornalistas, Flávio confirmou que também pretende reajustar os benefícios do INSS acima da inflação. A medida ainda não tem detalhes: não se sabe se valerá para todas as faixas, se será anual ou qual será a regra de cálculo. O tema é sensível: atualmente, o piso das aposentadorias segue o salário mínimo por determinação constitucional. Juntos, os gastos com Previdência e salário mínimo correspondem a uma parcela muito expressiva do orçamento federal, o que leva economistas a debaterem formas de organizar as contas públicas sem comprometer direitos. A desvinculação entre os índices é frequentemente citada como uma alternativa de ajuste fiscal, mas Flávio não mencionou essa possibilidade — ao contrário, sinalizou que manterá a correção. Seu programa de governo não traz nenhuma referência explícita ao assunto.

Saúde e educação sem cortes

Outro ponto de aproximação: a campanha garantiu que não haverá redução nos pisos constitucionais de saúde e educação. “Não há nenhuma proposta de retirar os pisos constitucionais de saúde e educação”, afirmou a nota enviada à VEJA. Durante os governos Temer e Jair Bolsonaro, a regra foi alterada e os orçamentos dessas áreas passaram a crescer apenas pela inflação. Lula restabeleceu o vínculo com a arrecadação, o que faz com que os gastos cresçam mais rapidamente. Embora importante para garantir investimentos, essa dinâmica também pressiona as contas públicas. Flávio sinalizou que manterá a regra atual, mas sem explicar de onde viriam os recursos caso a arrecadação desacelere.

Programa de renegociação de dívidas

Flávio também apresentou uma proposta própria para renegociação de dívidas. O projeto prevê carência de seis a doze meses e a possibilidade de a Caixa Econômica Federal comprar dívidas de instituições financeiras para oferecer condições melhores de pagamento. A proposta lembra o Desenrola, lançado pelo governo federal, no qual é o Tesouro Nacional que assume parte dos débitos. A diferença entre os modelos ainda precisa ser esclarecida, especialmente sobre como será garantida a sustentabilidade financeira da iniciativa.

Empresas públicas e privatizações

No campo das estatais, houve uma mudança de tom em relação ao discurso tradicional da família Bolsonaro. Flávio classificou como “boato” a informação de que pretende privatizar a Petrobras. Um dos coordenadores de sua equipe econômica, Adolfo Sachsida, publicou um vídeo garantindo que Banco do Brasil, Caixa e Petrobras não serão vendidas. Em seu programa de governo, no entanto, o candidato afirma que vai retomar o Programa Nacional de Desestatização, avaliando “caso a caso” onde a presença do Estado deixa de ser necessária. Fica a pergunta: quais empresas poderão ser incluídas nessa avaliação?

O que ainda precisa ser esclarecido

Essas declarações acontecem num momento em que apoiadores de Lula argumentam nas redes sociais que uma eventual vitória de Flávio levaria ao desmonte de programas sociais e a cortes em direitos. O candidato do PL, por sua vez, parece estar construindo uma resposta direta a essas críticas, adotando pautas que historicamente são associadas ao campo adversário. A estratégia pode ampliar seu apelo junto a eleitores indecisos, mas também levanta questões sobre como todas essas promessas caberão dentro de um orçamento que ele mesmo admite precisar de ajustes — já que também promete cortar R$ 200 bilhões em gastos sem detalhar onde. O eleitorado merece clareza: não basta dizer que vai manter tudo igual; é preciso explicar como pagar por isso sem comprometer a estabilidade econômica do país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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