Instituto Iter, vinculado a André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações

O Instituto Iter, entidade ligada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, empresa voltada ao setor de mineração. O repasse foi estabelecido em um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024, segundo reportagem do UOL. A Cedro pertence ao empresário Lucas Kallas, que manteve negócios com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O dinheiro foi entregue ao Iter antes de Mendonça assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master no Supremo. Segundo o UOL, o instituto interrompeu o contrato e começou a devolver os recursos em janeiro de 2026, meses antes de o ministro ser designado para atuar em um caso envolvendo a instituição financeira. O Iter afirmou que os valores foram utilizados conforme as condições estabelecidas no acordo e que não houve benefício pessoal para Mendonça.
A Cedro Participações é controlada por Lucas Kallas, empresário que teve relações comerciais com Vorcaro em diferentes negócios. Documentos citados na reportagem apontam que Kallas e Vorcaro viajaram juntos para tratar de negócios internacionais e tiveram acesso conjunto ao Palácio do Planalto. A Cedro, entretanto, negou ter vínculos com Vorcaro.
Instituto Iter recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro
O contrato firmado entre o Iter e a Cedro foi estruturado como um mútuo conversível, modalidade que permite a conversão do valor emprestado em participação societária sob determinadas condições. O acordo foi fechado em abril de 2024, quando Mendonça ainda não havia sido designado para a relatoria do caso envolvendo o Banco Master no STF. O instituto posteriormente decidiu interromper a operação e iniciou a devolução dos recursos em janeiro deste ano.
A reportagem também relaciona Kallas a outros negócios envolvendo empresas ligadas ao Banco Master. O empresário foi citado em investigações sobre questões ambientais e financeiras relacionadas à exploração da Mina Granja Corumi, e a Polícia Federal o indiciou por crimes ligados a essas atividades. Kallas nega envolvimento em irregularidades e também manteve atuação em iniciativas empresariais e institucionais.
O nome de Kallas passou a aparecer no debate sobre o Iter em um momento de questionamentos sobre as relações mantidas pelo instituto fundado por Mendonça. O UOL já havia informado que a entidade recebeu recursos de contratos com órgãos públicos e que o ministro deixou a sociedade no início de setembro. Mendonça afirmou que continuaria ligado à instituição apenas como professor, enquanto as cotas dele e da mulher seriam cedidas sem contrapartida financeira.
Relação com Vorcaro aumenta atenção sobre o instituto
A divulgação do repasse ocorreu em meio à crise no STF provocada por documentos e mensagens extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Mendonça havia recebido o empresário na sede do Iter, em São Paulo, em 14 de março de 2025, em uma reunião que não constava de sua agenda oficial. Segundo o ministro, o encontro tratou de uma pauta relacionada a créditos de precatórios que estava em andamento no Supremo, e não da crise envolvendo o Banco Master.
Outras informações divulgadas recentemente também mostraram tentativas de aproximação entre Vorcaro e o instituto. Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicaram que o empresário foi convidado para eventos organizados pelo Iter, enquanto documentos analisados pela imprensa registraram contatos relacionados a encontros. A existência dessas informações passou a ser considerada no contexto mais amplo das relações entre Vorcaro e integrantes do STF.
A situação ocorre enquanto o Supremo analisa diferentes questões relacionadas às investigações sobre o Banco Master e à atuação de Mendonça como relator. Em 14 de setembro, o ministro retirou o sigilo de um processo sobre a rede de pagamentos de Vorcaro após determinação do presidente do STF, Edson Fachin. O procedimento integra um conjunto de investigações derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras.
Mendonça deixou o Iter em meio à repercussão
O Instituto Iter afirmou que os R$ 5,2 milhões recebidos da Cedro foram tratados dentro das condições previstas no contrato e que os recursos não representaram benefício pessoal ao ministro. A entidade também informou que eventuais valores destinados às cotas de Mendonça e de sua mulher permaneceriam voltados a finalidades sociais e educacionais. O ministro, por sua vez, deixou a sociedade e passou a se apresentar somente como professor da instituição.
A divulgação do pagamento acrescentou um novo elemento às informações que vêm sendo publicadas sobre o Iter e as relações empresariais de pessoas próximas ao instituto. O valor foi repassado em 2024, enquanto a devolução começou em janeiro de 2026, antes de Mendonça assumir a relatoria de processos ligados ao Banco Master. Dessa forma, as datas registradas nos documentos são relevantes para a compreensão da sequência dos acontecimentos.
O caso permanece inserido em um cenário de investigação e troca de informações envolvendo Vorcaro, empresas associadas a ele e ministros do Supremo. O Iter sustenta que o contrato foi regular e que não houve benefício pessoal a Mendonça, enquanto a Cedro nega vínculo com Vorcaro. As informações sobre o pagamento, a devolução dos recursos e as relações empresariais citadas foram divulgadas em meio às apurações que continuam em andamento.





