Janja diz que Lula é o verdadeiro unido de Deus após Michelle Bolsonaro… Ver mais

A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “verdadeiro ungido de Deus” durante um comício realizado em Teresina, no Piauí. A declaração foi feita após Michelle Bolsonaro publicar uma mensagem de apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de “escolhido e ungido do Senhor”. O episódio colocou referências religiosas no centro da disputa política entre os grupos ligados ao governo Lula e à família Bolsonaro.
A fala de Janja ocorreu durante um ato de campanha em apoio à reeleição de Lula e foi acompanhada de um pedido para que os participantes ajudassem na mobilização eleitoral. Segundo a primeira-dama, o presidente seria o político que deseja garantir uma vida digna para a população brasileira. A declaração foi apresentada como uma resposta à manifestação anterior de Michelle em defesa de Mendonça.
Michelle havia publicado a mensagem de apoio ao ministro nas redes sociais no domingo, 6 de setembro, em meio ao agravamento da crise dentro do STF. Na publicação, a ex-primeira-dama afirmou que Mendonça seria alguém escolhido por Deus e destacou sua fé e sua atuação de acordo com princípios cristãos. A manifestação ocorreu depois de decisões do ministro relacionadas às investigações do caso Banco Master e à divulgação de informações sobre contatos envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Janja diz que Lula é o verdadeiro ungido de Deus
A declaração de Janja foi feita enquanto a campanha presidencial de 2026 começa a incorporar com maior intensidade temas ligados à religião e à atuação das instituições. Ao falar sobre Lula, a primeira-dama associou a candidatura do presidente à defesa de políticas públicas voltadas para áreas como saúde, educação, cultura, emprego e alimentação. Dessa maneira, a fala buscou relacionar a permanência de Lula no governo a uma agenda apresentada como voltada para a melhoria das condições de vida da população.
O discurso ocorreu em um momento de forte tensão política em torno do Supremo Tribunal Federal, especialmente devido ao conflito entre Mendonça e Moraes. Depois que Mendonça retirou o sigilo de informações relacionadas ao caso Banco Master, Moraes pediu que a atuação do colega fosse investigada por suspeitas que incluem abuso de autoridade e parcialidade. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu decisões conflitantes e marcou uma sessão do plenário para analisar questões relacionadas à crise.
Nesse contexto, o apoio público de Michelle a Mendonça passou a ser utilizado também como elemento de mobilização política entre eleitores ligados ao bolsonarismo. A ex-primeira-dama é candidata ao Senado pelo Distrito Federal e tem participado de atividades relacionadas à campanha eleitoral. Janja, por sua vez, vem atuando em eventos de apoio à candidatura de Lula e também em ações voltadas a candidaturas do campo governista.
Michelle Bolsonaro havia chamado Mendonça de ungido
A manifestação de Michelle ocorreu depois que Mendonça ganhou destaque na crise que envolve diferentes ministros do Supremo. Em sua publicação, ela relembrou a indicação do magistrado para a Corte durante o governo Jair Bolsonaro e relatou uma experiência religiosa que, segundo ela, antecedeu a chegada dele ao tribunal. A mensagem terminou com a caracterização de Mendonça como “escolhido e ungido do Senhor”, expressão que posteriormente foi retomada por Janja em seu discurso.
A disputa em torno de Mendonça ocorre paralelamente ao embate institucional provocado pelo caso Banco Master. O ministro foi responsável por decisões relacionadas à investigação e chegou a retirar o sigilo de informações que expuseram contatos entre Daniel Vorcaro e Moraes, ampliando a pressão sobre o STF. Em resposta, Moraes solicitou providências contra Mendonça, enquanto Fachin assumiu papel central na tentativa de reorganizar os procedimentos relacionados à crise.
O governo Lula também passou a acompanhar com atenção os efeitos políticos da crise no Supremo, especialmente por ocorrer durante o período eleitoral. Aliados do presidente avaliam que a exposição do conflito entre ministros pode atingir a campanha e ampliar o espaço para críticas feitas pela oposição. Ao mesmo tempo, Lula tem defendido que investigações envolvendo autoridades sejam conduzidas sem interferências e dentro das regras institucionais.
Disputa eleitoral incorpora referências religiosas
A troca de declarações entre Janja e Michelle ocorre em uma campanha marcada pela aproximação entre política, religião e redes sociais. Enquanto a primeira-dama utilizou a expressão relacionada a Lula durante um comício no Piauí, Michelle havia recorrido a uma linguagem religiosa para manifestar apoio a Mendonça em meio à crise no STF. As duas manifestações foram feitas em contextos eleitorais diferentes, mas passaram a integrar o debate político em torno das eleições de 2026.
O episódio também mostra como a crise envolvendo ministros do Supremo passou a produzir efeitos para além dos debates jurídicos. Mendonça recebeu manifestações de apoio de setores ligados ao bolsonarismo, enquanto o governo Lula busca evitar que a disputa institucional seja transformada em um dos principais temas da campanha presidencial. Nesse cenário, a declaração de Janja acrescentou uma nova dimensão ao confronto político, utilizando uma referência religiosa para reforçar a candidatura do atual presidente.





