Jaques Wagner enfrenta novo desafio a poucos dias da eleição na Bahia

Especialista: Caso Master pode influenciar na reeleição de Jaques Wagner
Especialista: Caso Master pode influenciar disputa pelo Senado
A eleição para o Senado na Bahia entrou na reta decisiva cercada por uma combinação de fatores nacionais, estaduais e judiciais. Entre eles, o caso Master passou a ocupar espaço relevante no debate político por envolver o senador Jaques Wagner (PT-BA), que busca a reeleição, e por ocorrer justamente quando a disputa por uma das duas cadeiras destinadas ao estado é considerada aberta. Segundo Bruno Soller, sócio do Real Time Big Data, o episódio pode ter algum impacto sobre a candidatura do petista, sobretudo porque a diferença entre os principais concorrentes é relativamente pequena. Ao mesmo tempo, a pesquisa mais recente mostra que o cenário presidencial permanece amplamente favorável a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os baianos, com 61% no primeiro turno e 64% em uma eventual segunda rodada contra Flávio Bolsonaro (PL). Dessa forma, a força de Lula continua sendo um dos elementos centrais para compreender o comportamento eleitoral na Bahia, mas não necessariamente elimina as incertezas existentes na corrida pelo Senado.
Caso Master ganha peso na disputa de Jaques Wagner
A importância política do caso Master está relacionada, principalmente, à exposição de Jaques Wagner nas investigações envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Documentos analisados pela Polícia Federal deram origem a apurações sobre a relação do senador com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, além de registros de voos, mensagens, documentos e contratos. A PF apontou suspeitas de atuação parlamentar em assuntos de interesse do banco e investigou possíveis vantagens econômicas relacionadas ao senador. Entretanto, é fundamental destacar que investigação não significa condenação. Wagner nega ter cometido irregularidades e já afirmou publicamente que não recebeu dinheiro do Banco Master. Além disso, em declaração recente, o parlamentar disse que as referências feitas pela PF ainda não comprovariam qualquer ilícito. Assim, o impacto eleitoral mencionado por Soller está relacionado à percepção dos eleitores diante das notícias e das investigações, e não a uma conclusão judicial definitiva sobre a conduta do senador.
Especialista: Caso Master pode mexer na segunda vaga
A pesquisa Real Time Big Data ajuda a explicar por que a situação de Wagner desperta atenção. No cenário consolidado para o Senado, Rui Costa (PT) aparece com 28% das intenções de voto, enquanto Jaques Wagner registra 20%. Na sequência, João Roma (PL) soma 17% e Angelo Coronel (Republicanos) aparece com 15%. Como a Bahia elegerá dois senadores em 2026, a disputa pela segunda vaga possui uma dinâmica diferente daquela observada em eleições para cargos com apenas um vencedor. Além disso, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, Wagner, Roma e Coronel estão próximos o suficiente para que pequenas oscilações possam alterar a fotografia da disputa. Nesse contexto, qualquer acontecimento capaz de modificar a percepção sobre os candidatos pode ganhar relevância. Por isso, Soller avalia que o caso Master pode atingir principalmente Wagner, enquanto a primeira colocação de Rui Costa apresenta, neste levantamento, uma distância maior em relação aos demais concorrentes. O resultado, porém, deve ser interpretado como retrato de um momento específico, e não como previsão do resultado das urnas.
João Roma e Angelo Coronel ampliam a disputa
Além de Wagner, outros dois nomes ajudam a tornar a corrida mais competitiva. João Roma, ex-deputado federal e candidato do PL ao Senado, aparece com 17% e, segundo Soller, vem apresentando crescimento nas medições. O político também é associado ao grupo de oposição liderado por ACM Neto, principal adversário do governador Jerônimo Rodrigues na disputa pelo Palácio de Ondina. Angelo Coronel, por sua vez, concorre pelo Republicanos e soma 15%. O senador já esteve politicamente próximo do grupo governista, mas atualmente está alinhado à oposição na eleição baiana. Consequentemente, a movimentação de Coronel acrescenta uma variável adicional ao cenário. Como existem duas vagas em disputa e cada eleitor pode escolher dois nomes, a transferência de votos entre candidatos pode produzir resultados diferentes daqueles observados em uma disputa majoritária tradicional. Portanto, embora Rui Costa apareça isolado na liderança, a segunda cadeira continua sendo objeto de forte competição, especialmente entre Wagner, Roma e Coronel.
Eleição para o governo da Bahia tem cenário diferente
Enquanto a disputa pelo Senado apresenta maior incerteza, a corrida pelo governo da Bahia também aparece apertada, mas com outra configuração. O levantamento Real Time Big Data mostra Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador e candidato à reeleição, com 47% das intenções de voto, contra 43% de ACM Neto (União Brasil). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Em um eventual segundo turno, Jerônimo aparece com 48%, enquanto ACM Neto registra 44%, novamente dentro da margem de erro. Dessa maneira, não há base para afirmar antecipadamente quem vencerá a eleição estadual. O que os números mostram é uma disputa competitiva na qual poucos pontos percentuais podem ter peso relevante. Soller também chama atenção para a associação entre Jerônimo e Lula, especialmente no interior baiano, onde o presidente possui uma base eleitoral historicamente forte. Segundo o especialista, essa conexão pode contribuir para a performance do governador em municípios menores, nos quais diferenças expressivas de votação entre candidatos podem ser registradas.
Lula mantém força na Bahia, mas efeito varia conforme o cargo
A dimensão nacional da eleição também ajuda a explicar a diferença entre as disputas. Na pesquisa presidencial, Lula registra 61% no primeiro turno contra 24% de Flávio Bolsonaro. Em uma eventual segunda rodada entre os dois, a vantagem do petista chega a 64% contra 28%. Entretanto, a força eleitoral de Lula não necessariamente é transferida de maneira automática para todos os candidatos apoiados por seu grupo político. No Senado, por exemplo, Rui Costa lidera com 28%, enquanto Wagner aparece com 20%, mostrando que o eleitor pode combinar preferências de maneiras diferentes para cada cargo. No governo estadual, por outro lado, Soller entende que a identificação de Jerônimo com Lula tem papel relevante, principalmente fora dos grandes centros. Assim, a eleição baiana é formada por diferentes camadas: a popularidade presidencial, a avaliação da administração estadual, o conhecimento individual dos candidatos e os acontecimentos envolvendo cada disputa. Além disso, questões judiciais ou investigações podem afetar a percepção de um candidato sem necessariamente alterar o comportamento de todo o eleitorado.
Caso Master pode influenciar, mas não determina a eleição
Nesse cenário, a avaliação de Bruno Soller deve ser entendida como uma análise sobre possíveis efeitos eleitorais, e não como uma conclusão de que o caso Master definirá a eleição de Jaques Wagner. O senador enfrenta uma disputa na qual três concorrentes aparecem próximos e, portanto, qualquer mudança de percepção pode ganhar importância. Ao mesmo tempo, a força de Lula na Bahia cria uma vantagem política para o campo governista em determinados segmentos, mas os números do Senado mostram que essa influência não é suficiente para eliminar a competição pela segunda vaga. Paralelamente, na disputa pelo governo, o caso Master pode ter efeito diferente porque ACM Neto também passou a ser citado no debate político relacionado ao episódio, fazendo com que, na avaliação de Soller, o impacto se distribua entre os principais grupos. Por fim, faltando poucos dias para a votação de 4 de outubro, pesquisas devem ser lidas como fotografias do momento. Assim, o cenário pode mudar até o dia da eleição, e as informações disponíveis não permitem transformar os percentuais atuais em uma previsão definitiva sobre quem ocupará as duas cadeiras da Bahia no Senado.





