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Lula chega à reta final da eleição com aprovação abaixo da desaprovação; veja os números

Nexus/BTG: Lula é desaprovado por 49%; aprovação é de 46%

Nexus/BTG: Lula é desaprovado por 49% dos eleitores

A pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (28) mostra um cenário de avaliação dividido sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a menos de uma semana do primeiro turno das Eleições 2026. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados dizem desaprovar o trabalho do presidente, enquanto 46% afirmam aprová-lo. Outros 5% não souberam ou preferiram não responder. Assim, a diferença de três pontos percentuais entre os dois grupos chama atenção, mas não deve ser interpretada isoladamente como medida de intenção de voto ou como previsão do resultado eleitoral. O dado, portanto, retrata a percepção dos entrevistados no período em que as entrevistas foram realizadas, oferecendo uma fotografia do ambiente político nacional às vésperas da votação.

Nexus/BTG: Lula é desaprovado, mas índice permanece estável

Na comparação com a rodada anterior, divulgada na semana passada, houve uma pequena alteração no indicador de desaprovação. O percentual caiu de 50% para 49%, enquanto a aprovação permaneceu em 46%. Como a margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, essa oscilação de um ponto não permite afirmar, por si só, que houve uma mudança estatisticamente relevante na percepção do eleitorado. Na prática, o levantamento aponta estabilidade relativa nos índices de aprovação e desaprovação. Além disso, a parcela que não soube ou não respondeu passou de 4% para 5%. Dessa maneira, a leitura mais adequada é a de manutenção do quadro observado na pesquisa anterior, e não de uma alteração expressiva na popularidade do presidente.

Avaliação do governo Lula também mostra divisão

Quando a pergunta muda da aprovação do presidente para a avaliação geral da administração federal, o resultado apresenta outra distribuição. A pesquisa aponta que 45% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 36% consideram a gestão ótima ou boa. Outros 19% avaliam o governo como regular, e 1% não soube ou não respondeu. Portanto, existe uma diferença importante entre os dois indicadores. A aprovação mede especificamente a percepção sobre o trabalho realizado pelo presidente, enquanto a avaliação por categorias procura posicionar a administração como um todo entre os conceitos ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo. Por isso, os números não devem ser simplesmente somados ou tratados como se respondessem exatamente à mesma pergunta. Essa distinção, inclusive, é relevante para uma análise técnica da opinião pública.

Onde a avaliação de Lula é mais positiva ou negativa

Os recortes regionais e demográficos ajudam, por sua vez, a compreender por que uma média nacional pode esconder percepções bastante diferentes. Na pesquisa, a aprovação chega a 57% no Nordeste, enquanto a desaprovação alcança 60% no Sul. Também foram registradas diferenças conforme características socioeconômicas e demográficas. A aprovação chegou a 56% entre entrevistados com renda de até um salário mínimo, a 55% entre aqueles com ensino fundamental e a 52% entre as mulheres. Em sentido contrário, a desaprovação foi de 59% entre evangélicos e de 56% tanto entre homens quanto entre pessoas com ensino superior. Esses recortes, entretanto, não devem ser utilizados para generalizar automaticamente o comportamento de todos os integrantes desses grupos. Eles representam os resultados encontrados dentro da amostra pesquisada e ajudam a identificar como a avaliação do governo varia entre diferentes segmentos do eleitorado.

Pesquisa ocorre na reta final das Eleições 2026

O momento em que a pesquisa foi realizada também precisa ser considerado. As entrevistas ocorreram entre 25 e 27 de setembro, enquanto o primeiro turno das Eleições 2026 está marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para 4 de outubro. Isso significa que os números representam a opinião dos entrevistados naquele intervalo específico, e não uma garantia sobre o comportamento do eleitorado nas urnas. Além disso, aprovação de governo, avaliação administrativa, intenção de voto e rejeição são indicadores diferentes. Por isso, uma leitura responsável não deve transformar um único percentual em conclusão definitiva sobre a disputa presidencial. Nesse contexto, a pesquisa pode contribuir para compreender o ambiente político e a percepção sobre a administração federal, mas precisa ser analisada em conjunto com outros levantamentos, sempre levando em consideração suas respectivas metodologias e datas de realização.

Metodologia e margem de erro precisam ser consideradas

A metodologia também merece atenção antes que os números sejam interpretados. Foram entrevistados 2.000 eleitores por telefone entre 25 e 27 de setembro, segundo o levantamento contratado pelo Banco BTG Pactual. As entrevistas foram realizadas pela Nexus por meio de metodologia telefônica, e a pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07557/2026. Em pesquisas de opinião, essas informações são fundamentais porque indicam o período ao qual os resultados se referem e o grau de precisão estatística estimado para a amostra. Assim, quando duas pesquisas são comparadas, não basta observar apenas se determinado percentual subiu ou caiu: é necessário verificar também o número de entrevistados, o método utilizado, as datas de campo, a margem de erro e a formulação das perguntas.

O que os números da Nexus/BTG revelam sobre a percepção do governo

No conjunto, a pesquisa mostra que o governo Lula chega à reta final antes do primeiro turno com uma avaliação nacional marcada por divisão: 49% desaprovam o trabalho do presidente, 46% aprovam e 5% não souberam ou não responderam. Ao mesmo tempo, 45% classificam a administração como ruim ou péssima, contra 36% que a consideram ótima ou boa, enquanto 19% preferem a classificação regular. Dessa forma, a principal informação do levantamento não está apenas na diferença entre aprovação e desaprovação, mas também na relativa estabilidade dos indicadores em relação à rodada anterior e nas diferenças encontradas entre os grupos pesquisados. Em um cenário eleitoral próximo da votação, esses dados oferecem um retrato do humor do eleitorado ouvido pela Nexus, mas devem ser interpretados dentro de seus limites estatísticos e metodológicos. Portanto, mais do que indicar um resultado futuro, a pesquisa ajuda a entender como o governo federal é percebido naquele momento específico da corrida eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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