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Luciano Huck divulgou no Domingão uma plataforma voltada para as eleições, que vinha sendo duramente criticada

O site TemMeuVoto, apresentado pelo apresentador Luciano Huck como uma espécie de “Tinder eleitoral”, foi suspenso neste ciclo das eleições de 2026 após denúncias e críticas relacionadas ao funcionamento da plataforma. A ferramenta prometia aproximar eleitores de candidatos a partir de respostas dadas a um questionário sobre diferentes temas. A suspensão ocorreu poucos dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e foi anunciada pela Coalizão pelo Voto Consciente, grupo de organizações responsável pelo projeto.

A plataforma ganhou repercussão depois de ser divulgada por Huck durante o Domingão com Huck, no dia 27 de setembro. Na ocasião, o apresentador afirmou que o sistema permitiria ao eleitor responder a oito perguntas e calcularia um percentual de alinhamento com candidaturas. Segundo a explicação apresentada no programa, a ferramenta não indicaria em quem votar, mas ajudaria o usuário a encontrar candidatos com posições semelhantes às suas.

Nos dias seguintes, porém, usuários passaram a publicar reclamações nas redes sociais sobre os resultados apresentados pelo site. Entre as críticas estava a alegação de que os chamados “matches” indicavam principalmente candidatos de direita ou extrema direita, inclusive em situações nas quais os usuários afirmavam ter respondido às perguntas de maneira alinhada a posições progressistas. Essas manifestações levaram a questionamentos sobre a metodologia e sobre a diversidade de candidaturas presentes na base de dados.

Plataforma é suspensa antes da votação

Em nota, a Coalizão pelo Voto Consciente afirmou que a ferramenta tinha como objetivo ampliar o acesso dos eleitores a informações sobre candidaturas, com critérios de pluralidade e isonomia. As organizações responsáveis disseram que convidaram partidos e candidatos de diferentes espectros políticos para cadastrar suas posições na plataforma. Segundo a entidade, porém, a adesão ficou abaixo do necessário para garantir uma representação ampla das opções disponíveis aos eleitores.

A justificativa oficial para a suspensão, portanto, foi relacionada à quantidade insuficiente de candidaturas cadastradas. De acordo com a nota, uma base de dados sem diversidade suficiente comprometeria a eficácia da ferramenta de comparação. A Coalizão afirmou ainda que não havia tempo hábil para ampliar a participação antes da eleição e, por isso, decidiu interromper o funcionamento do site neste ciclo.

A entidade responsável ressaltou que a suspensão não representa necessariamente o encerramento definitivo do projeto. A nota informou que futuras iniciativas deverão considerar os aprendizados obtidos durante esta edição para aprimorar a ferramenta. A proposta apresentada é retomar o projeto posteriormente com mecanismos destinados a ampliar a transparência, o acesso à informação e a participação de candidaturas.

Ministério Público investiga divulgação

A suspensão ocorreu no mesmo período em que o Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul abriu uma investigação envolvendo a divulgação do TemMeuVoto por Luciano Huck e pela TV Globo. O procedimento foi iniciado depois de uma representação apresentada pela deputada federal Fernanda Melchionna, que levou à Procuradoria-Geral Eleitoral as reclamações feitas por eleitores e internautas. A apuração busca verificar se houve eventual infração à legislação eleitoral na divulgação da plataforma durante o programa de televisão.

A denúncia apresentada ao Ministério Público citou os relatos de pessoas que afirmaram receber indicações de candidatos de direita ou extrema direita depois de responder ao questionário. As críticas não significam, por si só, que tenha sido comprovada alguma irregularidade na metodologia do sistema. A própria plataforma declarou que era apartidária e que utilizava uma metodologia pública, com critérios que, segundo seus responsáveis, seriam aplicados igualmente às candidaturas cadastradas.

A Globo informou, segundo a Folha, que não havia sido notificada sobre a investigação no momento da apuração, enquanto Luciano Huck não havia respondido aos questionamentos enviados pelo veículo. A plataforma, por sua vez, sustentou que não recomendava voto nem favorecia partidos. O caso passou a envolver, assim, tanto a discussão sobre a metodologia da ferramenta quanto a análise do Ministério Público sobre a divulgação realizada em rede nacional.

Debate sobre ferramentas de escolha eleitoral

O episódio ocorreu em um contexto no qual ferramentas digitais passaram a ser utilizadas para apresentar informações sobre candidatos durante a campanha de 2026. O Ministério Público Federal informou que o ambiente digital pode ser utilizado por partidos e candidatos, desde que sejam respeitadas as regras previstas na legislação eleitoral e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. As normas também estabelecem restrições específicas para ferramentas tecnológicas que possam interferir na forma como candidatos são apresentados aos eleitores.

O caso do TemMeuVoto também colocou em discussão a importância da quantidade e da diversidade das candidaturas cadastradas em ferramentas de comparação. Uma plataforma desse tipo depende das informações fornecidas pelos candidatos para produzir os resultados apresentados aos usuários, e a própria organização responsável reconheceu que a baixa adesão comprometeu a abrangência do sistema. Com a suspensão anunciada para este ciclo, a ferramenta deixou de operar antes da votação e os questionamentos sobre sua metodologia permaneceram sob análise.

A decisão de interromper o TemMeuVoto aconteceu três dias antes do primeiro turno das eleições de 2026 e encerrou, neste ciclo, uma experiência que havia ganhado visibilidade após a divulgação feita por Luciano Huck. As denúncias sobre os resultados, a baixa adesão de candidaturas e a investigação do Ministério Público passaram a integrar a discussão sobre a plataforma. Enquanto a Coalizão pelo Voto Consciente afirmou que pretende aperfeiçoar futuras versões do projeto, a apuração sobre a divulgação da ferramenta segue separada da justificativa apresentada para sua suspensão.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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