Lula confirma conversa com Vorcaro em 2024 e cita o STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta sexta-feira, 18, que recebeu em audiência o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, no ano de 2024. O encontro, que durou cerca de 20 minutos, contou também com a presença de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central. A informação foi prestada em entrevista à Rádio Tupi, conforme registrado pelo portal InfoMoney, e insere o próprio governo no rol de interlocuções que envolvem o caso em desdobramento.
Segundo o relato do presidente, Vorcaro procurou o Palácio do Planalto expondo dificuldades e afirmando sentir-se alvo de tratamento injusto, além de alertar que a instituição financeira caminhava para encerrar as atividades. Lula respondeu que não há perseguição a quem atua dentro da lei e comprometeu-se a verificar os fatos. “Quem opera conforme as regras não fecha as portas. O que acontece é que instituições que operam de forma irregular acabam enfrentando consequências”, avaliou, ao lembrar que o Banco Master de fato encerrou suas operações posteriormente.
O presidente atribuiu ao banqueiro práticas que teriam levado ao colapso do negócio, entre elas a apresentação de dados divergentes da realidade e a comercialização de produtos que não correspondiam a ativos existentes. “Não se trata de dificuldade de mercado, mas de falhas graves na gestão que comprometeram a instituição”, afirmou. A versão contrasta com a percepção de Vorcaro, que, segundo relatos, se sentiu desamparado após a reunião e não obteve o suporte que esperava do governo.
Lula apontou como entrave principal à clareza do caso a manutenção de informações sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, o ministro André Mendonça detém acesso a material relevante e ainda não o tornou público na íntegra. O presidente manifestou expectativa de que os dados venham à luz nos próximos dias, informando que parcela dos magistrados já recebeu cópias de gravações e registros que antes estavam restritos ao relator. Reiterou também a avaliação de que cinco ministros aparecem ligados, direta ou indiretamente, aos desdobramentos do caso.
A situação levanta a necessidade de debate sobre o funcionamento e a estrutura do Poder Judiciário, segundo o presidente. “Teremos de discutir mudanças para que fatos como este não se repitam”, declarou. No entanto, esclareceu que qualquer reforma deverá ocorrer após o completo esclarecimento do que aconteceu. “Não faz sentido propor alterações sem que a sociedade conheça a totalidade dos fatos e possa avaliar com clareza o que precisa ser ajustado”, justificou.
O caso avança em meio a tensões institucionais que chamam a atenção de todo o país. A divulgação plena dos elementos apurados é considerada passo essencial para restaurar a confiança nas instituições. A sociedade acompanha na expectativa de que as informações sejam apresentadas de forma transparente, que cada envolvido tenha oportunidade de se pronunciar e que as decisões sejam tomadas com base em provas e no cumprimento estrito da lei. Os próximos dias serão decisivos para definir o rumo das apurações e o conteúdo das propostas de ajuste que virão.





