Lula não deve ir a debate da Globo e negocia entrevista a podcast no mesmo horário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deverá participar do debate presidencial promovido pela TV Globo, marcado para a noite desta quinta-feira, 1º de outubro. A avaliação interna da campanha é tratada como praticamente definitiva por integrantes ouvidos pela revista EXAME, que pediram para não serem identificados. Em vez de comparecer ao confronto, a equipe trabalha para organizar uma entrevista em podcast de grande audiência, no mesmo horário previsto para o evento, às 21h30, garantindo espaço para a apresentação de propostas sem, contudo, estar presente no debate.
A estratégia repete movimento já adotado no primeiro encontro entre candidatos, realizado em 23 de agosto pela TV Bandeirantes. Naquela ocasião, Lula concedeu entrevista à TV Record no mesmo horário do debate, no qual participaram Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão). Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) também haviam decidido não comparecer. A ausência de Lula chegou a causar irritação em Cury, que chegou a considerar desistir do evento minutos antes do início.
A avaliação do núcleo da campanha é de que o formato do debate da Globo, somado ao fato de os demais participantes serem identificados com pautas de direita, colocaria o presidente em posição de desvantagem a apenas três dias do primeiro turno. Segundo aliados, a estrutura do evento e a forma de mediação não favoreceriam a troca equilibrada de ideias. A campanha já havia manifestado à emissora preocupação com a postura dos mediadores, considerada permissiva em relação a afirmações feitas por outros candidatos.
Entre as preocupações está a possibilidade de Lula permanecer longo período sem usar a palavra, recebendo críticas sucessivas em curto espaço de tempo para responder. Há também a percepção de que candidatos como Ronaldo Caiado e Augusto Cury poderiam concentrar observações no presidente, funcionando como força complementar à campanha de Flávio Bolsonaro. A expectativa da equipe petista é que, sem a presença de Lula, a atenção dos demais candidatos recaia sobre o candidato do PL, que já confirmou presença.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, explicou que o candidato deseja dialogar diretamente com Flávio Bolsonaro, mas apenas em formato que permita interação contínua entre os dois. “Se for um modelo em que o presidente faz uma pergunta e fica meia hora esperando para fazer a segunda, é evidente que esse confronto de ideias e de projetos não vai acontecer”, afirmou à rádio TMC. A campanha entende que o modelo atual não prioriza a exposição de programas de governo.
O coordenador da campanha em São Paulo, advogado Marco Aurélio Carvalho, reforçou a posição ao avaliar que debates no primeiro turno costumam priorizar confrontos em detrimento de discussões programáticas. “Não vejo sentido para o presidente Lula se desgastar para fazer um debate que não terá discussão programática. No segundo turno, aí sim, acredito que deveria ir debater com Flávio Bolsonaro”, declarou. A estratégia prevê, portanto, participação em eventuais encontros na etapa seguinte, caso haja definição de confronto direto.
O nome do podcast que receberá o presidente ainda não foi confirmado oficialmente. Lula já participou ao longo da campanha de espaços como Inteligência LTDA, Não Inviabilize, As Cunhãs, Desce a Letra e Meteoro Brasil, além de Flow e Podpah em 2022. A escolha busca atingir públicos distintos e manter a comunicação com o eleitorado sem submeter o candidato à dinâmica do debate. A decisão final deve ser anunciada nos próximos dias, conforme se aproxima a data do evento.





