Geral

Lula tenta se desvincular do STF: ‘Estamos carregando nas costas a promiscuidade da Suprema Corte’

Após encerrar o primeiro turno em posição de desvantagem numérica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) direcionou suas primeiras críticas públicas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante reunião com aliados realizada nesta segunda-feira (5), em Brasília. No encontro, que reuniu ministros, senadores, presidentes de partidos e políticos eleitos no último domingo, o petista elevou o tom ao tratar de denúncias envolvendo ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e voltou a defender a necessidade de uma reforma do Judiciário. A mobilização marca o início oficial da campanha rumo ao segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.

“Estamos carregando nas costas a promiscuidade da Suprema Corte”, afirmou o presidente, ao associar a situação da Corte aos rumos da disputa eleitoral. Entre seus aliados, há a convicção de que a imagem do ministro Alexandre de Moraes foi ligada à de Lula no imaginário eleitoral, e que as revelações sobre supostos vínculos com Vorcaro prejudicaram o desempenho da campanha. A avaliação interna é de que desvincular a imagem do governo dessas controvérsias é passo essencial para reconquistar confiança e ampliar a base de apoio nas próximas semanas.

O presidente não escondeu o pesar com o resultado do primeiro turno. “Vocês acham que eu não fiquei insatisfeito? Em toda eleição eu quero vencer logo no primeiro turno”, declarou. Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 56.104.503 votos, o que corresponde a 47,03% dos válidos, enquanto Lula registrou 53.879.538 sufrágios, ou 45,16%. A diferença de aproximadamente 2 pontos é ampliada pela comparação com a eleição de 2022: o petista teve 3.379.966 votos a menos do que no primeiro turno da disputa anterior.

Outro ponto de preocupação levantado foi a elevada abstenção: 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, equivalente a 21,08% do total, índice considerado o maior desde 1998. “Será que a população não se identificou com os candidatos?”, questionou. A busca por esses eleitores ausentes é vista como uma das principais frentes de trabalho da campanha, já que a diferença entre os dois postulantes é pequena o suficiente para que o comparecimento de parcelas desse público possa alterar o cenário final.

Lula também rebateu propostas de ajuste fiscal apresentadas pela campanha adversária e abordou o tema da segurança pública, área em que Flávio Bolsonaro construiu parte de sua força eleitoral. “Toda vez que se fala em rigidez fiscal, o que está em jogo são as políticas de inclusão social”, assinalou. Sobre segurança, reforçou que a ordem deve prevalecer para todos: “O cidadão precisa ser protegido, quem comete desvios deve ser responsabilizado, e os territórios têm que voltar a ser espaços livres para a sociedade”. A mensagem busca apresentar equilíbrio entre proteção social e firmeza na aplicação da lei.

O presidente demonstrou confiança em reverter o quadro e citou experiência eleitoral anterior para embasar a expectativa. “Não vejo razões econômicas, sociais ou políticas para não sermos eleitos”, afirmou. Lembrou a disputa de 2006, quando foi para o segundo turno contra Geraldo Alckmin e ampliou sua votação em 12 milhões de sufrágios, enquanto o adversário recuou. “A campanha bem feita deixa marca, e uma marca forte pode transformar o resultado”, disse aos aliados, ao destacar o empenho de todos na etapa que passou.

A reunião no Hotel San Marco serviu para realinhar esforços e renovar energias. O cenário é de disputa acirrada, em que cada voto conta e cada argumento pode fazer diferença. A campanha de Lula entra na fase decisiva com foco claro: apresentar propostas, esclarecer fatos e dialogar com o maior número possível de brasileiros. O eleitorado terá a palavra final no dia 25, e a decisão será, como sempre, manifestação livre e soberana do povo.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *