Lula vai ao 2º turno derrotado em estados onde ex-ministros também perderam

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais revelou um cenário que tem chamado a atenção de analistas e estrategistas: onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não obteve maioria na disputa nacional, também foi mais difícil para nomes de seu governo e aliados importantes conquistarem cargos estaduais e federais. Já em estados onde venceu a presidência, nem sempre esse desempenho se traduziu em vitórias para candidatos apoiados pela gestão federal. A duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, esses números ajudam a entender os desafios de cada campanha nas próximas semanas.
São Paulo: três nomes de peso ficam pelo caminho
O maior colégio eleitoral do país concentrou alguns dos resultados mais expressivos desse cenário. Em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad disputou o governo estadual e obteve 36,42% dos votos, sendo derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito com 62,65%. Na disputa por uma das vagas no Senado, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet ficou com 19,23%, enquanto a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva registrou 18,12%. Nenhuma das duas conseguiu eleger-se. No mesmo estado, Lula somou 38,20% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 51,93% — uma diferença que acompanhou o desempenho dos candidatos ligados ao governo.
Paraná e Mato Grosso: repetição do mesmo padrão
No Paraná, a derrota presidencial veio acompanhada de mais um revés para um nome próximo ao Palácio do Planalto. A ex-ministra das Relações Institucionais e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disputou o Senado e obteve 13,35% dos votos, ficando fora das vagas. Lula, por sua vez, alcançou 31,20% no estado, contra 59,91% do senador Flávio Bolsonaro. Em Mato Grosso, o ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro recebeu 11,50% dos votos na disputa ao Senado e também não foi eleito. No plano nacional, o presidente registrou 29,18%, enquanto o candidato do PL obteve 65,15%. Nos três estados, a correlação é clara: onde o presidente ficou atrás, seus principais aliados também enfrentaram maior resistência do eleitorado.
Mesmo onde venceu, nem sempre a vitória foi coletiva
O levantamento inclui ainda dois estados onde Lula venceu a disputa presidencial, mas a relação de apoio não garantiu os mesmos resultados para seus candidatos locais. No Maranhão, o presidente foi o mais votado, porém o candidato petista ao governo, Felipe Camarão, obteve apenas 9,60%. No Senado, Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT) também não conseguiram se eleger. No Pará, o ex-ministro do Turismo Celso Sabino, que recebeu apoio pessoal de Lula, ficou com 5,87% dos votos ao Senado. Já Hana Ghassan (MDB), candidata ao governo com apoio do presidente, chegou a 46,53%, mas foi derrotada. Ou seja, a popularidade nacional não se transfere automaticamente para disputas locais, mesmo em estados favoráveis ao candidato petista.
O que os números dizem — e o que não dizem
Esses resultados revelam que cada estado tem sua própria dinâmica eleitoral, com candidatos locais, questões regionais e preferências específicas do eleitorado que nem sempre seguem a mesma linha da disputa nacional. Em alguns lugares, o eleitor distingue claramente o voto para presidente do voto para governador ou senador; em outros, as escolhas caminham juntas. Para os estrategistas das duas campanhas, esses dados são importantes porque mostram onde ainda é possível buscar eleitores indecisos e onde a mensagem precisa ser ajustada para responder às preocupações de cada região.
Cenário para o segundo turno
Com os resultados do primeiro turno consolidados, a disputa segue aberta e cada estado ganha importância estratégica. O desafio da campanha de Lula será ampliar sua votação onde já é forte e reduzir a diferença nos estados onde ficou para trás. Já a campanha de Flávio Bolsonaro buscará consolidar sua vantagem nas regiões onde liderou e conquistar eleitores que ainda não se definiram. Em um segundo turno marcado para 25 de outubro, o eleitorado terá a palavra final — e cada voto, em cada canto do país, terá o mesmo peso na definição do rumo do Brasil para os próximos quatro anos.





