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Mais de 50 pessoas perderam a vida e centenas estão desaparecidas após avalanche no Nepal

Uma inundação repentina no Nepal provocou uma das mais graves tragédias registradas nesta quarta-feira (26), atingindo comunidades próximas à fronteira com o Tibete e deixando um cenário de destruição em áreas montanhosas do país. Ao menos 22 pessoas morreram e cerca de 384 viajantes foram considerados desaparecidos, segundo informações mais recentes divulgadas por autoridades e pela imprensa internacional. A dimensão da tragédia, porém, ainda está sendo calculada, já que equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar aos locais mais atingidos.

O desastre ocorreu principalmente na região do rio Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde a água avançou de maneira extremamente rápida e carregou casas, veículos, pontes, estradas e estruturas de geração de energia. Entre os desaparecidos estão turistas estrangeiros, trabalhadores e pessoas que estavam na região durante o avanço repentino das águas, incluindo muitos peregrinos que viajavam em direção ao Monte Kailash, no Tibete. Por isso, o episódio passou a mobilizar autoridades nepalesas, chinesas e governos de países que possuem cidadãos entre os desaparecidos.

As imagens divulgadas nas redes sociais e por veículos de comunicação mostram a dimensão da inundação repentina no Nepal, com enormes volumes de água barrenta atravessando áreas habitadas e destruindo estruturas em poucos minutos. Além das mortes confirmadas, centenas de pessoas permanecem sem contato, o que faz com que o número de vítimas possa aumentar durante as operações de busca. Nesse contexto, a situação continua sendo tratada como uma emergência de grandes proporções, sobretudo porque existe preocupação com a possibilidade de uma nova onda de inundação.

Inundação repentina no Nepal destrói vilas e infraestrutura

Os pontos mais afetados ficam em áreas de relevo acidentado, onde rios atravessam vales estreitos e comunidades foram construídas próximas às margens. Syapru Besi e Timure, no distrito de Rasuwa, estão entre as localidades atingidas, enquanto municípios de Nuwakot e Dhading também registraram danos provocados pela força das águas. Segundo relatos locais, assentamentos inteiros próximos ao rio foram atingidos, e diversas construções acabaram soterradas por lama e pedras.

A infraestrutura energética também foi severamente afetada pela enchente, especialmente porque diversos projetos hidrelétricos estão instalados na região montanhosa. De acordo com informações divulgadas pela Reuters, aproximadamente 430 megawatts de capacidade de geração foram afetados, correspondendo a mais de 12% da capacidade hidrelétrica nacional do Nepal. Como resultado, os impactos econômicos poderão se prolongar mesmo depois que as águas baixarem, já que estradas, pontes, linhas de comunicação e instalações de energia terão de ser reconstruídas.

No lado chinês da fronteira, a passagem de Gyirong também foi atingida por um deslizamento associado ao desastre, provocando interrupções em estradas, comunicações e fornecimento de energia. A China mobilizou centenas de integrantes das equipes de emergência para procurar desaparecidos e avaliar os estragos provocados pela lama que avançou sobre a área fronteiriça. Enquanto isso, o presidente chinês Xi Jinping determinou que esforços de busca fossem intensificados e que mecanismos de monitoramento e alerta fossem fortalecidos para evitar novas ocorrências.

O que provocou a inundação repentina no Nepal?

A causa exata do desastre ainda está sendo investigada, mas especialistas apontam para a possibilidade de uma avalanche de gelo e rochas ter bloqueado o rio Lhende Khola, um curso de água ligado ao sistema do Bhotekoshi. Uma hipótese considerada pelas autoridades é que um terremoto de magnitude 4,4 tenha ocorrido pouco antes do episódio e possa ter contribuído para desencadear o deslocamento de gelo, rochas e sedimentos. Entretanto, a relação entre o tremor e a avalanche ainda precisa ser confirmada definitivamente pelas investigações técnicas.

O cenário também é preocupante porque parte do material ainda permanece acumulada no curso do rio, segundo especialistas ouvidos por agências internacionais. Dessa maneira, uma nova ruptura do bloqueio poderia provocar outra onda de água e detritos, aumentando o risco para comunidades que vivem em regiões mais baixas. Por esse motivo, moradores próximos aos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani foram orientados a procurar áreas elevadas e permanecer afastados das margens enquanto o risco não for considerado controlado.

A tragédia também reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade do Himalaia diante de eventos extremos e das mudanças ambientais observadas nas últimas décadas. A região já havia enfrentado uma inundação devastadora no ano passado, quando o transbordamento de um lago glacial no Tibete provocou mortes e destruiu uma ponte estratégica entre Nepal e China. Segundo pesquisadores, o derretimento acelerado das geleiras e o aumento das temperaturas podem elevar os riscos de fenômenos extremos em uma área onde comunidades, estradas e usinas foram instaladas em vales estreitos e próximos dos rios.

Resgate enfrenta obstáculos e número de desaparecidos preocupa

As operações de resgate foram iniciadas com a participação do Exército, da polícia e de equipes especializadas do Nepal, mas as condições geográficas dificultam significativamente o trabalho. Em determinados pontos, o nível do rio permaneceu alto demais para permitir o pouso seguro de helicópteros, enquanto lama, pedras e destroços bloquearam acessos terrestres. Por isso, a localização de centenas de desaparecidos se tornou uma corrida contra o tempo, principalmente nas áreas onde casas e veículos foram completamente encobertos.

A presença de estrangeiros entre os desaparecidos ampliou a repercussão internacional da catástrofe, sobretudo porque 291 dos 384 viajantes registrados como desaparecidos eram estrangeiros. Entre eles estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Malásia e outros países, enquanto trabalhadores sul-coreanos que atuavam em uma usina hidrelétrica também foram considerados desaparecidos. Diante da gravidade da situação, Índia, China e Coreia do Sul anunciaram medidas de apoio ou mobilização para auxiliar as autoridades nepalesas nas operações de emergência.

A inundação repentina no Nepal, portanto, não representa apenas uma tragédia humanitária, mas também um alerta sobre os riscos enfrentados por comunidades situadas em uma das áreas geograficamente mais complexas do planeta. Enquanto as buscas continuam, o número de mortos e desaparecidos poderá sofrer novas alterações, e a ameaça de uma segunda inundação mantém as equipes em estado de atenção máxima. Ao mesmo tempo, a destruição de infraestrutura essencial deverá exigir uma resposta de longo prazo, com reconstrução, reforço dos sistemas de alerta e medidas destinadas a reduzir os riscos para a população que vive ao longo dos rios do Himalaia.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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