Mendonça diz que cópia de celular de Vorcaro está lacrada e intocada

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, esclareceu oficialmente nesta sexta-feira, 11, que a cópia dos dados extraídos do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro recebida por seu gabinete permanece lacrada e não foi objeto de consulta até o momento. A explicação foi apresentada em resposta ao pedido formulado pelo ministro Cristiano Zanin, que solicitou acesso à íntegra do material digital para subsidiar a análise do caso. A informação de que o conteúdo estaria disponível sob a guarda do relator havia sido levantada por Zanin, motivando a solicitação de liberação integral.
No despacho encaminhado à Presidência da Corte, Mendonça detalhou a tramitação desde o início das apurações. O aparelho original apreendido nunca foi levado às dependências do tribunal, mantendo-se sob custódia da Polícia Federal. Em 19 de fevereiro, o relator autorizou a corporação a prosseguir com os exames periciais seguindo seus procedimentos internos, e determinou que o equipamento permanecesse nos depósitos da instituição. A medida visa preservar a cadeia de custódia, garantindo que a integridade da prova não seja comprometida.
A cópia dos dados foi entregue ao gabinete posteriormente, em 8 de março, por iniciativa própria da Polícia Federal. Trata-se de um disco rígido criptografado, recebido como cópia de segurança dos resultados obtidos. Segundo afirmou Mendonça, o envelope que contém o suporte digital permanece fechado e intacto, sem que qualquer acesso ao seu conteúdo tenha sido realizado. A distinção entre o material original — sob responsabilidade da PF — e a cópia recebida é apresentada como elemento essencial para compreender a guarda dos registros.
Cristiano Zanin formalizou o pedido de acesso à totalidade dos dados extraídos do aparelho como base para avaliar a validade do relatório produzido pela Polícia Federal. O documento, que faz referência a mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, será objeto de análise pelo Plenário na próxima terça-feira, 15. A solicitação ocorreu um dia após o presidente Edson Fachin determinar que todos os procedimentos ligados ao caso Master fossem compartilhados entre os ministros, com levantamento do sigilo nos termos possíveis.
A retirada gradual da confidencialidade dos autos marca uma nova etapa no processo. O que até então tramitava de forma restrita passa a ser conhecido pelos demais magistrados e, em parte, pela sociedade. A busca por acesso aos registros brutos do celular expressa a preocupação de que cada ministro possa verificar de forma independente o conteúdo das mensagens, a ordem das trocas e o contexto em que foram enviadas, sem depender exclusivamente de recortes ou interpretações apresentadas em relatórios.
A sessão da próxima terça-feira chega, portanto, com a expectativa de que as informações estejam disponíveis de forma ampla e igualitária. A confirmação de que uma cópia completa existe e pode ser disponibilizada fortalece a possibilidade de que cada integrante da Corte forme sua convicção com base no mesmo conjunto de elementos. O acesso integral ao material bruto é visto como condição fundamental para que a decisão final seja compreendida pela população como resultado de análise criteriosa, transparente e isenta.





