Mendonça minimiza fala sobre ‘condição média’ com salário do STF e fala em ‘propósito’

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamou atenção ao compartilhar, na quarta-feira (26), uma reflexão sobre os motivos que levam alguém a escolher a carreira na magistratura. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ministro afirmou que quem pretende ocupar uma posição no Judiciário não deve construir sua trajetória tendo como principais objetivos o dinheiro ou o poder. Para Mendonça, a atuação de um magistrado precisa estar associada, sobretudo, ao senso de responsabilidade e ao compromisso com a missão exercida. A mensagem ganhou destaque por partir de um integrante da mais alta Corte do país, que também falou sobre a experiência pessoal de ocupar uma das posições de maior projeção no Judiciário brasileiro.
Durante a gravação, Mendonça apresentou uma avaliação baseada na própria experiência profissional e destacou que alcançar o topo da carreira judicial não significa necessariamente encontrar realização pessoal. Segundo ele, colocar expectativas excessivas em prestígio, influência ou ganhos financeiros pode gerar frustração. O ministro também ressaltou que a chegada ao STF não alterou sua condição humana. Na avaliação apresentada por ele, assumir uma cadeira na Corte não faz com que alguém deixe de enfrentar dúvidas, responsabilidades e preocupações comuns. A declaração reforça uma visão mais pessoal sobre a rotina de quem ocupa funções de grande relevância institucional e sobre o peso das decisões tomadas diariamente no tribunal.
A manifestação ocorreu poucos dias depois de outra declaração de Mendonça sobre a remuneração dos magistrados. Na sexta-feira (21), durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, o ministro afirmou que o salário de um juiz proporciona uma condição de vida confortável e acima da realidade da maioria dos brasileiros, mas não representa, segundo ele, uma garantia de riqueza. Mendonça defendeu que magistrados também precisam manter controle sobre os gastos e administrar o orçamento pessoal. Ao comentar o tema, afirmou que a carreira não deve ser escolhida com a expectativa de proporcionar uma vida de luxo ou uma situação financeira sem preocupações.
Os números disponíveis no Portal da Transparência do STF ajudam a dimensionar a discussão sobre a remuneração mencionada pelo ministro. Entre janeiro e julho deste ano, os rendimentos líquidos registrados para André Mendonça variaram de R$ 18.881,92, nos meses de abril e maio, a R$ 43.028,21 em janeiro. No período analisado, o total chegou a R$ 182.029,10, resultando em uma média mensal de R$ 26.004,16. Os valores colocam em perspectiva a diferença entre a remuneração de integrantes do Judiciário e a renda da maior parte da população brasileira, ao mesmo tempo em que ajudam a contextualizar a declaração de Mendonça de que a magistratura oferece uma condição financeira privilegiada, embora, na visão apresentada por ele, não deva ser encarada como um caminho para enriquecer.
Além da questão financeira, o ministro também abordou as dificuldades relacionadas à atuação no STF. Mendonça relatou que os dois primeiros anos na Corte foram marcados por uma experiência pessoal difícil e afirmou que, atualmente, percebe muito mais o peso das responsabilidades do cargo do que eventuais benefícios associados à posição. A declaração revela uma perspectiva sobre os desafios enfrentados por ministros que participam de julgamentos e decisões com impacto direto na sociedade brasileira. Para Mendonça, a relevância institucional do cargo vem acompanhada de uma cobrança permanente e de uma responsabilidade que ultrapassa o reconhecimento público proporcionado pela função.
André Mendonça integra o STF desde dezembro de 2021, quando foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para ocupar uma cadeira na Corte. Desde então, passou a atuar em processos de grande repercussão nacional. Atualmente, é relator de duas investigações conduzidas pela Polícia Federal que estão entre os casos de maior atenção no cenário jurídico brasileiro: uma relacionada a suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e outra sobre descontos considerados indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesse contexto, as recentes declarações do ministro sobre dinheiro, poder e responsabilidade ganham dimensão adicional, especialmente por serem feitas por alguém que ocupa uma posição central nas decisões do Judiciário brasileiro.





