Mensagem de Eduardo Bolsonaro sobre dinheiro de “Dark Horse” leva à abertura de inquérito

A Procuradoria-Geral da República obteve a instauração de inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar a origem e a movimentação de recursos destinados à produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, assinada pelo ministro Edson Fachin, teve por base parecer do procurador-geral Paulo Gonet, datado de julho de 2026, e o sigilo foi levantado na noite desta quinta-feira, 10. As apurações, apoiadas em trabalhos da Polícia Federal, apontam suposta participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro na orientação de remessas de valores para o exterior, além de possíveis envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Mensagens analisadas pelos investigadores indicam preocupação de Eduardo Bolsonaro com a forma de envio dos recursos. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, afirmou em uma das comunicações, ao alertar que remessas diretas do Brasil poderiam apresentar dificuldades e levar meses para ser concluídas. A PGR interpreta essa orientação como indício de que a estrutura montada visava dificultar o rastreamento dos valores. O ex-deputado teria sugerido o uso de um operador, Altieris Santana, ligado a um fundo de investimento sediado no Texas, responsável por administrar os repasses à produtora.
O esquema financeiro começou a ser desenhado em dezembro de 2024, com a circulação de um documento intitulado “Acordo de Financiamento de Produção”, que previa investimento de 24 milhões de dólares. Em 2025, remessas que somaram 12,3 milhões de dólares foram realizadas por empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, que firmou delação premiada homologada pelo ministro André Mendonça. Em seus depoimentos, o empresário citou pagamentos ao fundo, uso de empresa sediada nas Bahamas e a entrega de valores em espécie. A Polícia Federal avaliou que o montante destoa de padrões de mercado, levantando a suspeita de que os recursos teriam finalidades que vão além da produção audiovisual.
O inquérito também alcança o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. A PGR destaca que ele manteve contato com o banqueiro Daniel Vorcaro um dia antes de este ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”, escreveu Vorcaro. Os investigadores querem verificar se o parlamentar apresentou ou endossou propostas legislativas em favor de interesses ligados ao Banco Master, buscando estabelecer relação de causa e efeito entre atuação política e os aportes recebidos.
Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde março de 2025, também é apontado como articulador de esforços junto a autoridades americanas para pressionar o STF quanto às condições de cumprimento de medida cautelar por Jair Bolsonaro. Tanto ele quanto Flávio Bolsonaro negam qualquer irregularidade. A investigação busca reconstituir o percurso dos valores, identificar quem foram os verdadeiros financiadores e quais foram as contrapartidas acordadas, caso existam. A complexidade do caso envolve operações em diferentes países e exige a colaboração de autoridades internacionais.
A divulgação dos elementos investigativos traz novos contornos para a disputa eleitoral em curso. A ligação entre supostos aportes de origem duvidosa e a campanha política coloca em destaque a transparência no financiamento de projetos e a conduta de candidatos e familiares. À medida que os autos avançam, a expectativa da sociedade recai sobre a clareza das informações que serão apresentadas e sobre a celeridade com que a Justiça conseguirá esclarecer os fatos, garantindo que as apurações prossigam com isenção e que os resultados sejam conhecidos por todos.





