Meta se pronuncia após prazo dado pelo TSE, a empresa foi acusada de interferência eleitoral

A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, negou ter interferido nas eleições presidenciais de 2026 após ser acusada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de restringir a divulgação de conteúdos do presidente nas redes sociais. Em posicionamento divulgado no sábado, 10 de outubro, a companhia afirmou que as alegações são falsas e declarou que os problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil nem contas específicas em suas plataformas. A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou que a empresa apresente esclarecimentos sobre as possíveis restrições no prazo de 48 horas.
A equipe de Lula sustenta que uma sequência de problemas nas plataformas prejudicou a distribuição de publicações do presidente e de aliados políticos durante a campanha eleitoral. Entre os episódios apontados estão dificuldades para impulsionar conteúdos no Instagram, alterações no alcance de vídeos e a desativação de uma conta de anúncios utilizada pela candidatura. Para os representantes do petista, a repetição dessas ocorrências levanta suspeitas sobre possíveis diferenças no tratamento dado aos candidatos que disputam o segundo turno.
Em resposta às acusações, a Meta afirmou que cumpre as normas eleitorais brasileiras e que está comprometida com a igualdade de condições para os usuários de suas plataformas. A empresa contestou a interpretação apresentada pela campanha petista e declarou que os problemas técnicos citados não demonstram favorecimento a qualquer candidatura. O posicionamento da companhia, entretanto, não encerrou a disputa, uma vez que o TSE solicitou informações adicionais para avaliar os episódios relatados e verificar as circunstâncias das falhas.
O que a campanha de Lula aponta contra a Meta
A campanha do presidente afirma que os problemas envolvendo suas contas nas redes sociais começaram antes do segundo turno e que alguns episódios já haviam sido registrados desde o fim de 2025. Entre as reclamações está a retirada de perfis ligados a Lula e a representantes da esquerda dos resultados de busca do Instagram, além de dificuldades para utilizar ferramentas de divulgação paga. A equipe também questiona alterações nas métricas de visualização de publicações, que, segundo os relatos apresentados, teriam prejudicado a distribuição dos conteúdos eleitorais.
Outro ponto levantado pelos aliados do presidente envolve a comparação entre o desempenho das páginas oficiais de Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do petista na disputa presidencial. A campanha afirma que o perfil do senador registrou mais engajamento mesmo tendo menos seguidores, diferença que considera relevante diante das dificuldades relatadas por sua própria equipe. Os números apresentados pelo partido integram os argumentos utilizados para pedir uma apuração, mas não comprovam isoladamente que a plataforma tenha favorecido deliberadamente um dos candidatos.
A coordenação jurídica da campanha anunciou que acionaria o TSE e também apresentaria uma denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). O objetivo é solicitar a análise dos problemas técnicos, dos critérios utilizados para distribuir publicações e das medidas aplicadas às contas envolvidas. A equipe de Lula considera necessário esclarecer se as ocorrências decorreram de falhas operacionais ou se houve algum tratamento desigual capaz de afetar a divulgação de conteúdos durante o processo eleitoral.
TSE dá 48 horas para a empresa apresentar explicações
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral foi tomada no sábado, 10 de outubro, após a campanha de Lula apresentar questionamentos sobre o funcionamento das plataformas da Meta. A Corte determinou que a empresa preste informações sobre as medidas aplicadas aos perfis oficiais do presidente e a contas de terceiros, além de esclarecer alterações no alcance das publicações e anomalias nas métricas de visualização. A determinação também abrange a desativação da conta de anúncios da campanha, episódio apontado pelos representantes do petista como um dos problemas enfrentados durante a disputa.
O tribunal solicitou ainda que a companhia preserve registros, dados e informações relacionados aos episódios questionados, permitindo que os fatos sejam examinados durante a apuração eleitoral. Esses materiais podem ajudar a esclarecer quando ocorreram as falhas, quais contas foram afetadas e quais procedimentos foram adotados pela plataforma. A solicitação de esclarecimentos não significa que o TSE tenha reconhecido a existência de interferência eleitoral, pois a análise depende das informações que serão apresentadas e dos elementos reunidos no processo.
A Meta terá de responder aos questionamentos dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, enquanto a campanha petista aguarda o esclarecimento das ocorrências relatadas. A investigação deverá considerar tanto os registros técnicos quanto as explicações da empresa, sem tratar as suspeitas apresentadas por uma das campanhas como fatos já comprovados. O caso ocorre em um momento de intensa disputa política, no qual a circulação de conteúdos digitais se tornou parte importante das estratégias utilizadas pelos candidatos para alcançar eleitores.
Disputa digital ganha importância antes do segundo turno
A controvérsia entre a campanha de Lula e a Meta ocorre a cerca de duas semanas da votação decisiva, marcada para 25 de outubro, quando o presidente enfrentará Flávio Bolsonaro. As equipes dos dois candidatos utilizam as redes sociais para divulgar propostas, publicar vídeos, responder a adversários e mobilizar apoiadores, tornando o alcance digital um elemento relevante da disputa. O resultado da apuração poderá esclarecer os problemas relatados pela campanha petista e indicar se houve alguma irregularidade que exija providências adicionais da Justiça Eleitoral.
A empresa nega favorecimento político e afirma que os problemas mencionados não atingiram exclusivamente o Brasil ou contas específicas, enquanto a campanha de Lula pede uma investigação sobre possíveis restrições seletivas. Caberá às autoridades analisar os registros, as respostas da Meta e os demais elementos disponíveis antes de determinar se houve violação das regras eleitorais. Até que essa avaliação seja concluída, as acusações de interferência permanecem sob apuração, sem comprovação definitiva de que a plataforma tenha atuado para beneficiar Flávio Bolsonaro ou prejudicar a candidatura do atual presidente.





